Europeus veem apenas 30% do seu próprio conteúdo de cinema e audiovisual nas plataformas de Video on Demand

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"A Oeste Nada de Novo" (2022), de Edward Berger (Netflix)

As obras de cinema e audiovisual europeias representam apenas 30,3% do tempo de visualização nas plataformas de Video on Demand (SVoD) na União Europeia (UE), dos quais 21% são relativas a obras da UE, 9% do Reino Unido e 1% são de outras obras da Europa, segundo um recente relatório do Observatório Europeu do Audiovisual (EAO). Em comparação, o conteúdo de cinema e televisão dos EUA foi muito mais visto, representando 61,2% do total de horas assistidas, com outras obras internacionais respondendo a apenas 8,2%.

Neste relatório “Uso de SVOD na União Europeia”, que é o primeiro do género com “uma visão geral do tempo de exibição de filmes e temporadas de TV em serviços SVOD por origem, género e idade (apenas para filmes)”, os dados da amostra são relativos ao período de setembro de 2022 a setembro de 2023 de apenas nove países da União Europeia: Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Polónia, Espanha e Suécia.

Apesar de apenas 30,3% ver conteúdo de cinema e televisão do seu próprio país, há nuances entre países, sendo que em 7 dos 9 países da amostra vêem mais obras nacionais do que obras dos EUA ou de outros países fora da Europa. Espanha, Itália, França e Polónia são os países onde há um consumo de visualização de obras nacionais acima da média, enquanto que nos países nórdicos a preferência está nos conteúdos dos EUA. A Espanha é o país com maior percentagem de tempo de visualização de obras nacionais com 22,6%, impulsionado pelo streaming de originais produzidos no país, e a Finlândia a menor com 6,8%. Mas, no geral, os padrões de consumo são semelhantes em todos os países.

O relatório conclui que o panorama das plataformas de SVoD na Europa é marcado por uma “concentração” de serviços de streaming, por apenas três plataformas principais, Netflix (53,4% de participação), Amazon Prime Video (19,4%) e Disney+ (12,1%), representando 85% do tempo de visualização. Outras plataformas de streaming são muito menos usadas pelos europeus, como é o caso do Canal+ (3,5%), a HBO Max (2,8%), Sky Go, Viaplay e a plataforma SVoD da Movistar tiveram uma participação de 1% no tempo de visualização.

As obras de ficção representaram 87% e 95% do tempo de exibição de cinema e de séries de televisão, respectivamente. O tempo de visualização também é gerado sobretudo por filmes recentes (produzidos entre 2022 e 2023), tendo representado 25% do tempo de visualização, mas apenas 1% dos catálogos.

Outra conclusão do relatório sobre o uso de SVOD na União Europeia, é que os filmes mais assistidos em SVOD são frequentemente filmes de estreias recentes que passaram das salas de cinema para os serviços de streaming, como “Avatar 2” ou “Encanto”. Também as produções originais de grande orçamento que estreiam diretamente nestas plataformas são das mais vistas, como é o caso de “A Oeste Nada de Novo” (“All Quiet on the Western Front”) ou Glass Onion: Um Mistério Knives Out.

Quantos aos filmes originais mais vistos, na Europa dos 27 países, a liderança pertence a “A Oeste Nada de Novo”, da Netflix, seguido pelo filme espanhol “Culpa Mia”, da Prime Video, e pelo filme polaco “365 Dias”, da Netflix. O filme espanhol Bird Box: Barcelona”, também da Netflix, encerra o top 10 dos mais vistos.

Outra conclusão é que as obras europeias são mais vistas nos serviços SVOD europeus. Nos 27 países da UE, os espectadores assistiram a mais obras europeias e nacionais em serviços como a plataforma especializada em cinema espanhol FlixOlé (88%), ou a MUBI (73%), a plataforma pública da Dinamarca TV2 Play (56%), ou a espanhola e portuguesa FILMIN (37%). As obras da UE27 representaram 21% do tempo total de visualização dos assinantes da Netflix e da Amazon Prime Video.

Quanto ao conteúdo de cinema e televisão nos catálogos de streaming, as obras europeias (filmes e conteúdos televisivos) representaram 31% de todas as obras nos catálogos VOD em 25 estados membros da União Europeia, com as obras da UE27 a representar 21% e outras obras europeias 10%. As obras europeias não nacionais representavam a maioria das obras da UE27.