O cinema brasileiro viveu uma noite histórica na 13.ª edição dos Prémios Platino, realizada no sábado, 9 de Maio, no Teatro Gran Tlachco, no Parque Xcaret, em Riviera Maya, no México. Considerada a principal premiação do audiovisual ibero-americano, a cerimónia distinguiu produções de 23 países e terminou com domínio claro do Brasil, vencedor de dez troféus.
O grande triunfador foi “O Agente Secreto”, longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, que arrecadou oito estatuetas e consolidou-se como um dos filmes mais celebrados da temporada internacional.
A obra venceu nas categorias de Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção, Melhor Realização, Melhor Argumento, Melhor Actor e várias distinções técnicas, entre montagem, direcção artística e banda sonora original.
Produzido em Pernambuco e ambientado no Brasil dos anos 1970, durante a ditadura militar, o filme desenvolve uma narrativa marcada por tensão política, vigilância e memória histórica. A consagração nos Platino surge após uma sólida trajectória internacional, que incluiu presença destacada em festivais, forte repercussão crítica e, naturalmente, históricas nomeações aos Óscares de 2026.
Ao subir ao palco, Kleber Mendonça Filho aproveitou o discurso para defender o valor do cinema num contexto contemporâneo marcado pela desinformação. O realizador afirmou que se vive “uma época em que a verdade é constantemente contestada e manipulada”, acrescentando que o cinema continua a ser uma ferramenta poderosa por unir poesia, fantasia, drama humano e honestidade política. Dedicou ainda o prémio aos jovens argumentistas.
O actor Wagner Moura venceu a categoria de Melhor Actor pela sua interpretação em “O Agente Secreto”. O prémio reforça o excelente momento internacional do intérprete, que já havia sido distinguido no Festival de Cannes de 2025. Ausente por compromissos profissionais em Espanha, Moura enviou uma mensagem lida por Kleber Mendonça Filho, na qual exaltou os Prémios Platino como espaço de encontro entre cinematografias faladas em português e espanhol.
Num tom bem-humorado, o actor elogiou publicamente o realizador, descrevendo-o como “grande amigo, grande artista”, provocando risos e aplausos na sala. A leitura da mensagem foi um dos momentos mais descontraídos da noite.
A produtora Emilie Lesclaux, também premiada pelo triunfo de “O Agente Secreto”, agradeceu à equipa técnica e ao elenco, sublinhando a importância simbólica de ver uma produção brasileira ser reconhecida num palco ibero-americano.
Além das principais categorias, o filme venceu ainda com os compositores Tomaz Alves Souza e Mateus Alves, responsáveis pela música original; com Thales Junqueira, distinguido pela direcção artística; e com o montador Eduardo Serrano.
Na vertente documental, “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, venceu o Platino de Melhor Documentário. O filme acompanha os anos do governo de Jair Bolsonaro, analisa os bastidores da radicalização política e discute o peso crescente dos movimentos evangélicos no poder institucional brasileiro.
Ao receber o prémio, o produtor Brunno Pacini destacou o esforço colectivo da equipa de investigação e salientou que o documentário tem a capacidade de transformar trauma em memória e memória em movimento.
Depois do destaque obtido por “Ainda Estou Aqui” na edição anterior, o desempenho brasileiro em 2026 confirma um ciclo de forte projecção internacional. Entre cinema político, ficção autoral, documentário de intervenção e televisão popular, o país mostrou variedade estética e capacidade competitiva num dos principais fóruns do sector audiovisual de língua portuguesa e espanhola.
Vencedores da 13.ª edição dos Prémios Platino em Cinema:
Melhor filme ibero-americano de ficção: O Agente Secreto
Melhor filme de comédia ibero-americano: La Cena
Melhor realização: Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto
Melhor argumento: O Agente Secreto
Melhor banda sonora original: Tomaz Alves Souza e Mateus Alves, por O Agente Secreto
Melhor actor: Wagner Moura, por O Agente Secreto
Melhor actriz: Blanca Soroa, por Los Domingos
Melhor actor secundário: Álvaro Cervantes, por Sorda
Melhor actriz secundária: Camila Pláate, por Belén
Melhor filme de animação: Olivia & Las Nubes
Melhor documentário: Apocalipse nos Trópicos
Melhor primeira obra: Sorda
Melhor montagem: Eduardo Serrano e Matheus Farias, por O Agente Secreto
Melhor direcção artística: Thales Junqueira, por O Agente Secreto
Melhor fotografia: Mauro Herce, por Sirât
Melhor som: Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas, por Sirât
Melhor figurino: Helena Sanchís, por La Cena
Melhores efeitos visuais: Pep Claret, por Sirât
Melhor maquilhagem e cabelos: Ana López-Puigcerver, Belén López-Puigcerver e Nacho Díaz, por El Cautivo
Prémio Platino ao cinema e educação em valores: Belén

