12.ª Festa do Cinema Italiano começa hoje, embora a sessão de abertura oficial seja amanhã (5 de abril) com a estreia de “Noites Mágicas”, de Paolo Virzì, um filme que mistura o film noir e a comédia satírica. A Festa do Cinema Italiano decorrerá em mais de 15 cidades, com mais de 60 filmes, até ao final de maio. Entre clássicos e estreias, o Cinema Sétima Arte sugere dez filmes imperdíveis da 12.ª edição. Ver programa completo aqui.

Noites Mágicas, de Paolo Virzì (2018) – Sessões Especiais

Itália nos anos 90. Um conhecido produtor de cinema é encontrado morto no rio Tibre e os principais suspeitos são três jovens aspirantes a argumentistas. Ao longo de uma noite na esquadra da polícia, passam em revista a sua aventura tumultuosa, emotiva e irónica nas ruas de Roma, no crepúsculo da era gloriosa do grande cinema italiano. “Noites Mágicas” mistura o film noir e a comédia satírica.

O Carteiro de Pablo Neruda, de Massimo Troisi e Michael Radford (1994)

Vencedor do Óscar de Melhor Banda Sonora, “Il Postino” foi um dos grandes êxitos do cinema italiano em Portugal. Baseado no livro “Il Postino”, de Antonio Skármeta, o filme retrata a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e um humilde jovem carteiro. A história desenrola-se em 1952, ano em que o famoso escritor (Philippe Noiret) é forçado, por questões políticas, a viver exilado numa pequena ilha italiana. Lá conhece Mario Jiménez (Massimo Troisi), um filho de pescadores sem rumo na vida que Neruda acaba por contratar como carteiro particular. Aos poucos, ambos começam a estabelecer uma sólida relação de amizade e Neruda ensina a Mario poesia para que este possa conquistar Beatrice (Maria Grazia Cucinotta). Reposição em sala a partir de 4 de abril.

Santiago, Itália, de Nanni Moretti (2018)

Em setembro de 1973, após o golpe de estado do General Augusto Pinochet no Chile, a embaixada de Itália em Santiago abriu as suas portas a centenas e centenas de requerentes de asilo. Através de entrevistas realizadas aos protagonistas, o filme relata este período dramático da história do Chile, onde alguns diplomatas italianos conseguiram salvar tantas vidas humanas.

Figlia Mia, de Laura Bispuri (2018) – Secção Competitiva

Sardenha. Vittoria, uma menina de 10 anos, está dividida entre duas mães. Tina, que a criou com amor e dedicação, e Angelica, uma jovem marginal, que inesperadamente a reclama. Uma história de maternidade imperfeita e laços inextricáveis, sentimentos esmagadores e feridas antigas que marcam o crescimento de Vittoria, num verão de medos, perguntas, descobertas e mudança.

Menocchio, de Alberto Fasulo (2018) – Secção Competitiva

Itália, final do século XVI. A Igreja Católica, sentindo-se ameaçada na sua hegemonia pelo movimento reformista protestante, lança o primeiro ataque sistemático para o controlo total da crença religiosa. Menocchio, um velho casmurro, decide opor-se a esta nova ordem. Acusado de heresia, em vez de fugir ou pedir perdão, vai a tribunal. Menocchio está convencido de que, como homem, é igual a qualquer bispo, inquisidor e até ao Papa, e espera, sente e acredita que pode reconverter os reformistas a um ideal de pobreza e amor.

Palombella Rossa, de Nanni Moretti (1989) – Secção Amarcord

Uma sátira ao panorama político italiano da altura em que foi feito, sendo, em particular, uma metáfora da situação então vivida pelo Partido Comunista Italiano. A ação decorre praticamente sempre dentro de uma piscina onde decorre uma partida de polo aquático que reflete os confrontos em causa. Entre dois gags fabulosos (o desastre de carro e a grande penalidade), um homem (Nanni Moretti) procura reconhecer-se e encontrar a função que lhe cabe no mundo. É o filme em que ouvimos Moretti dizer “le parole sono importanti!” E em que ouvimos a “I’m on Fire”, de Bruce Springsteen, numa inolvidável sequência aquática em suspenso.

O Quarto do Filho, de Nanni Moretti (2001) – Secção Amarcord

Neste filme, em que voltou a filmar (e a contracenar) com Laura Morante, Moretti conta a história de sobrevivência de uma família depois da trágica morte do filho mais velho no mar Adriático durante uma expedição submarina. Palma de Ouro em Cannes 2001, “O Quarto do Filho” foi entendido como um “Moretti atípico”. “É um filme sobre a dor da morte que divide a família, sobre as tragédias que separam as pessoas que se amam, contra a retórica comum dos dramas que as unem (…) E esta era uma dor que gostaria de contar, a minha obsessão pelo irreparável, pela impossibilidade de voltar atrás, através da vida de um psicanalista.” (Nanni Moretti)

Euforia, de Valeria Golino (2018) – Sessões Especiais

Matteo é um jovem e bem sucedido homem de negócios, charmoso e energético. Por seu turno, Ettore é um homem calmo, justo, professor do segundo ano, que vive na sombra, nunca tendo saído da aldeia onde ambos cresceram. São irmãos, mas têm personalidades opostas e a vida vai forçá-los a reviver uma situação difícil que vai culminar num conhecimento mais profundo um do outro, num vórtex de fragilidade e euforia.

The Man Who Stole Banksy, de Marco Proserpio (2018) – Sessões Especiais

Uma reflexão sobre os direitos de autor e o sentido da street art que segue uma controversa obra de Banksy desde a Palestina à Escandinávia. É também a história do nascimento de um mercado paralelo, tanto ilegal como espetacular, de obras de street art retiradas das ruas sem o consentimento dos artistas.

Piranhas – Os meninos da Camorra, de Claudio Giovannesi (2018) – Sessões Especiais

Nicola e o seu grupo de amigos formam uma irmandade de adolescentes de 15 anos que vive no bairro tipicamente napolitano de Sanità. Rodeados de máfia e crime, sabem que a única forma de conseguirem o dinheiro, o poder e a influência que invejam é entrar nesse mundo, e o quanto antes. Quando os brinquedos começam a ser armas, o tráfico de droga faz chover dinheiro, e a lista de inimigos aumenta. Entram numa espiral de guerra que trará consequências irreversíveis pelos seus atos mais irresponsáveis.