O Festival de Cinema Periferias decorre de 8 a 16 de agosto e cinema, arte e música vão encher as localidades fronteiriças situadas no meio rural da Reserva da Biosfera Tejo Internacional e do Parque Natural de Alqueva, que não possuem salas de cinema, com programação dedicada à riqueza cultural do povo cigano.
O Festival de Cinema Periferias arrancará em Marvão no dia 8 de agosto, com a exibição do filme “O Último Azul“ de Gabriel Mascaro, e encerrará, no dia 16, com uma grande gala no Centro Cultural de Salorino onde será entregue o Prémio Tejo/Tajo ao melhor filme, após o qual será exibida a longa-metragem “Sorda” dirigida por Eva Libertad.
A programação completa da décima terceira edição do Periferias – Festival Internacional de Cinema de Marvão e Valencia de Alcántara conta com um cartaz dedicado à riqueza cultural do povo cigano, incluindo a exibição de 26 longas-metragens e documentários reconhecidos internacionalmente, além de concertos, passeios noturnos, visitas guiadas, encontros e diversas atividades educativas e de lazer, dirigidas a todos os públicos.
Com curadoria de Rui Pedro Tendinha, jornalista e crítico de cinema português, a programação inclui ainda diferentes títulos com importantes reconhecimentos nos melhores festivais de cinema internacionais, provenientes de diferentes países como Espanha, Peru, Portugal, Brasil, México, Chile, Países Baixos, França, Roménia, Argentina, Uruguai, Cabo Verde e Suíça.
Merece atenção especial o documentário “Chaplin, espírito cigano”, dirigido pela neta do reconhecido ator inglês, Carmen Chaplin, que é exibido na extensão de Cáceres, em colaboração com a Filmoteca de Extremadura. Também se destacam outros títulos como a longa-metragem “A menina da cabra”, de Ana Asensio, o filme documentário “A guitarra flamenca de Yeray Cortés”, dirigido pelo artista madrileno Antón Álvarez (C. Tangana), ou a curta-metragem documental “Entrelaçadas pela interseccionalidade”, do Coletivo Cala, que recolhe os relatos, reflexões e afetos da Associação de Mulheres Ciganas de Plasencia, o Movimento de Mulheres Migrantes da Extremadura e a AMPA de Membrío.
Nesta nova edição, o Periferias, consolida-se como um evento cultural transfronteiriço de referência na produção de filmes de autor, focados na defesa e promoção dos Direitos Humanos, na preservação do meio ambiente e na valorização da expressão artística e cultural. Periferias tem o objetivo de contribuir para uma descentralização cultural impulsionando o desenvolvimento das comunidades com as quais trabalha, assim como fomentar o acesso a uma oferta cultural relevante, priorizando a criação de novos públicos.
Paula Duque, a diretora do Festival Internacional de Cinema Periferias, destaca que este festival, criado em 2013, tem como objetivo promover a cultura cinematográfica e impulsionar a indústria audiovisual, dando a conhecer o valioso património histórico-cultural das aldeias e locais mais emblemáticos da fronteira entre o Alentejo e a Extremadura, transformando-os em verdadeiras salas de cinema ao ar livre.
Neste sentido, Duque sublinha ainda que o Periferias se define pelo seu compromisso com o território e por aproximar o cinema a zonas que tradicionalmente têm estado à margem dos grandes circuitos de exibição, concebendo a arte cinematográfica como instrumento que convida à reflexão, ao pensamento e ao conhecimento.
Esta décima terceira edição de Periferias acolhe grandes títulos cinematográficos de géneros como a ficção, o documentário e a animação, provenientes de diferentes países, promovendo o diálogo e o fortalecimento dos laços entre povos vizinhos, assim como diversas ações dirigidas ao público infantil. Tudo isto, sob o signo da busca de novas oportunidades através do cinema para alcançar a justiça, a integridade e a ética social.
Este ano, o tema central gira em torno da riqueza cultural do povo cigano, com a exibição de longas-metragens, documentários e concertos musicais que têm como objetivo aproximar a história e a cultura cigana, além de reconhecer as contribuições do povo cigano à sociedade, através das artes cénicas e audiovisuais.
Esta nova edição regressa a cenários emblemáticos das localidades fronteiriças de Marvão, Beirã, Valencia de Alcántara, Salorino, La Fontañera, Castelo de Vide, Galegos ou Portalegre, e, pela primeira vez, chegará a Alconchel e a Cáceres.
Antes da XIII edição do Festival, são realizadas uma série de extensões nas localidades de Arronches, 4 e 5 de julho, Portalegre, 11 e 12 de julho, Cáceres, 17 de julho, Piedras Albas, 25 e 26 de julho, e Alconchel, 1 e 2 de agosto, com uma ampla programação que inclui cinema, música, arte e lazer.
O festival Periferias conta com os apoios institucionais da Junta de Extremadura, das diputaciones de Badajoz e Cáceres, além da Câmara Municipal de Marvão, entre outras instituições, assim como patrocínios de marcas locais.

