“Joker: Loucura a Dois” – o rascunho do posfácio de uma loucura (a dois)

"Joker: Loucura a Dois" (2024), de Todd Phillips "Joker: Loucura a Dois" (2024), de Todd Phillips
"Joker: Loucura a Dois" (2024), de Todd Phillips

A linha de argumento seria simples, o arco de personagens já bem desenhado. A história em si não é novidade. A marca do primeiro filme e o seu sucesso prende-se essencialmente com a abordagem à personagem. A humanização do “boneco”, o background da psico de “Joker”. Excelente interpretação de Joaquin Phoenix que continua neste segundo filme. E este segundo filme é isso mesmo, uma continuação, uma extensão, um fim.

Tentar fazer disso mais alguma é para mim o maior erro desta produção. O brainstorm caiu na tela – é um “court movie” (filme de tribunal), é um musical, é um drama, é um romance “love story”, é uma tragédia, é um filme de prisão… tenta ser tudo e perde-se no tempo.

Sem a novidade da interpretação do Joker por Phoenix, o passar de tempo com a personagem torna-se uma experiência cansativa e tediosa. Embora o desempenho estranho de Phoenix possa ter sido vital no filme anterior, ele está a fazer mais do mesmo aqui, não a levar a personagem a novos patamares. O mesmo se aplica a Lee (Lady Gaga) – muito longe das anteriores versões de Harley Quinn – cujas motivações se revelam, na melhor das hipóteses, superficiais. Tal como Arthur, é uma criança raivosa e petulante, a atacar o mundo. A sequência traz algumas dúvidas sobre Lee, que se internou voluntariamente numa instituição e mentiu sobre a sua história para se aproximar de Arthur. Spolier Alert! – No meio disto ela atira com um “estou grávida” sem que daqui saia mais nada! Alucinação? Será essa criança o Joker inimigo do Batman?

“Joker: Loucura a Dois” parece um projeto que existe por um imperativo financeiro, não artístico. Um subtítulo enganador porque da pouca loucura em cena, quase nenhuma é a dois. Não diz nada de substantivo nem apresenta a sua mensagem de forma subversiva. Não quebra as regras, não desafia limites nem ultrapassa os limites da arte cinematográfica ou do entretenimento. Quando tudo termina, o final chega com um baque ensurdecedor, sem evocar nem admiração nem ódio pelo resultado. É pior do que algo que ofende ou deixa zangado: não consegue produzir qualquer reação emocional.

O que é realmente bom no Joker é a sua premissa política e filosófica – como é que uma sociedade cria um assassino? Aqui, não existe uma ideia tão fascinante para aprofundar. Existem noções fugazes sobre a adoração de assassinos e os media, o que poderia ser visto como uma admirável reação cinematográfica a algumas das abordagens do primeiro filme. Mas estes temas passam a voar rápido embrulhados em músicas e danças.

"Joker: Loucura a Dois" (2024), de Todd Phillips
“Joker: Loucura a Dois” – o rascunho do posfácio de uma loucura (a dois)
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2.5