Jorge Vaz Gomes procura conhecer o seu bisavô, soldado da Primeira Guerra Mundial, em “Soldado Nobre”

Fotograma de "Soldado Nobre", de João Vaz Gomes (Kintop filmes) Fotograma de "Soldado Nobre", de João Vaz Gomes (Kintop filmes)

“Soldado Nobre”, a primeira longa-metragem documental de Jorge Vaz Gomes, com produção da Kintop Filmes, que conta a história de uma procura por um bisavô através de uma frágil fotografia guardada numa gaveta durante 100 anos, estreia a 13 de abril no Cinema City Alvalade, em Lisboa, e na Casa do Cinema de Coimbra.

Ao longo de cinco anos (entre 2014 e 2019) o ator e realizador Jorge Vaz Gomes fez um documentário sobre o seu bisavô, que combateu na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), partindo de uma fotografia de um grupo do Regimento de Infantaria 12, na qual estão vários soldados da aldeia de Alfaiates, no concelho do Sabugal, entre os quais Francisco Nobre, o bisavô do realizador.

Através de material de arquivo como fotografias e filmes, “o narrador inicia uma busca para saber mais sobre o seu bisavô Francisco Nobre, que lutou nas trincheiras em França. Uma fotografia de grupo, onde ninguém consegue identificar o bisavô, serve de ponto de partida para descobrir quem foi esse homem de quem ninguém parece lembrar-se.”

“O ano de 2018 marcou os 100 anos do final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e do início do processo de desmobilização das tropas portuguesas espalhadas pela região da Flandres, quase dois anos depois de terem chegado. A passagem de um grupo de soldados por este acontecimento histórico foi fixada numa fotografia onde estão membros do Corpo Expedicionário Português oriundos da aldeia de Alfaiates, concelho do Sabugal, distrito da Guarda, pertencentes ao Regimento de Infantaria 12. Nela figura o meu bisavô, o primeiro cabo granadeiro Francisco Nobre. No entanto, há muito tempo que faleceram os descendentes directos ou as pessoas que o conheceram. Já não há ninguém vivo que consiga identificá-lo na imagem. Assim, como saber qual destes soldados é o meu bisavô? A procura pela imagem de Francisco Nobre desdobra-se num documentário, que percorre cronologicamente a pesquisa que começa em 2014 nos 100 anos do início da Grande Guerra, e que termina em 2018, nos 100 anos do final. Usando a fotografia de grupo como ponto central deste documentário, o filme Soldado Nobre procura saber mais sobre este soldado, como viveu, quem foi, como morreu. Através dele ficamos a saber mais sobre o soldado português na Grande Guerra. Simultaneamente, o documentário aborda e explora o papel da fotografia como representação, o que sobra da imagem destes soldados, e o que nos diz sobre eles. Por fim, o papel da imagem como transmissora de memória: o que é que as pessoas à volta desta imagem que ainda estão vivas – netos, bisnetos, vizinhos, habitantes da aldeia – ainda conseguem dizer sobre ela, e que no futuro ninguém conseguirá.” – Jorge Vaz Gomes.

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