Arranca hoje a 72.ª edição do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, a decorrer até dia 17 de agosto, com quatro filmes portugueses selecionados. Este é um dos festivais mais conceituados do mundo, onde o cinema português tem marcado presença e reconhecimento regular.

Dos quatro filmes portugueses selecionados para o Festival de Locarno, “Technoboss”, de João Nicolau, e “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, integram a competição internacional, onde concorrem com outras 15 obras internacionais pelo Leopardo de Ouro.

“Technoboss”, a nova longa-metragem do cineasta João Nicolau, depois de “John From” (2015), é um musical produzido por Luís Urbano e Sandro Aguilar, da produtora O Som e a Fúria, e protagonizada por Miguel Lobo Antunes e Luísa Cruz. “Luís Rovisco, sexagenário divorciado, espera em breve cessar as suas funções de director comercial da empresa SegurVale – Sistemas Integrados de Controlo de Circulação. Espera sentado, a maior parte das vezes ao volante e a cantar sobre o que lhe vai passando à frente. De resposta pronta e sorriso fácil, é senhor de uma bagagem que lhe permite escapar de forma sempre airosa às armadilhas que a tecnologia, os colegas e um misterioso patrão ausente parecem semear-lhe pelo caminho. Nem a morte de Napoleão (um gato), nem uma persistente dor no joelho ou um desaguisado familiar o fazem soçobrar: não há mal que uma canção não vença. Mas diante de Lucinda, a recepcionista do Hotel Almadrava, a música é outra.”

Depois do premiado Cavalo Dinheiro” (2014), que conquistou o prémio de Melhor Realizador em Locarno, Pedro Costa regressa ao festival para a estreia mundial de “Vitalina Varela”, que foi também selecionado no Festival de Nova Iorque, com a garantia de distribuição no circuito norte-americano no começo de 2020, pela distribuidora independente Grasshopper Film. Se em “Cavalo Dinheiro” Ventura escreve uma carta de promessas que se ficaram por cumprir a Vitalina, em “Vitalina Varela” esta, cabo-verdiana de 55 anos, chega a Portugal três dias depois do funeral do marido. Há mais de 25 anos que Vitalina estava à espera do seu bilhete de avião.

Também em competição, na seleção internacional da secção Pardi di Domani, está a coprodução (França, Portugal e Roménia) “Vulcão, o que sonha um lago?”, da romena Diana Vidrascu, desenvolvida em residência artística no âmbito do festival açoriano Walk & Talk.

A mais recente longa-metragem do realizador José Filipe Costa, “Prazer, Camaradas!”, vai ter a sua estreia mundial no dia 10 de agosto, na secção não competitiva do Festival. Produzido pela Uma Pedra no Sapato, “Prazer, Camaradas!” desenrola-se depois do 25 de Abril de 1974, numa época em que muitos estrangeiros vinham para Portugal ajudar no trabalho agrícola, dar consultas médicas e aulas de planeamento familiar. O realizador serviu-se de um jogo teatral com recurso à dramatização, para fazer um retrato das mentalidades que vigoravam nos meios mais rurais, onde começaram a emergir cooperativas depois da revolução.

“O filme nasceu de um conjunto de relatos orais, textos literários e diários sobre a experiência de estrangeiros e portugueses revolucionários que vieram para o centro de Portugal apoiar as cooperativas nos trabalhos agrícolas, nas clínicas, creches e na alfabetização. (…) Propus aos atores um faz de conta: que dissessem ter dezoito, vinte ou trinta e tal anos. E que dramatizassem em vez de reconstituírem os relatos do passado.”, afirma o realizador.

Joana Domingues da Caracol Protagonista, Vasco Esteves da Fado Filmes e Pedro Fernandes Duarte da Primeira Idade são os três produtores portugueses selecionados pela organização do Festival de Locarno para participarem na edição de 2019 do Match me! 2019, secção do Festival enquadrada no Locarno Pro, que decorre entre 9 e 11 de agosto.

Piazza Grande
Magari, de Ginevra Elkann (filme de abertura)
Lettre à Freddy Buache, de Jean-Luc Godard (1982)
New Acid, de Basim Magdy
The Girl with a Bracelet, de Stéphane Demoustier
7500, de Patrick Vollrath
Greener Grass, de Jocelyn DeBoer, Dawn Luebbe
Once Upon A Time… In Hollywood, de Quentin Tarantino
Coffy, de Jack Hill  (1973)
Notre Dame, de Valérie Donzelli
Die fruchtbaren Jahre sind vorbei, de Natascha Beller
Instinct, de Halina Reijn (Netherlands)
Memories of Murder, de Bong Joon-ho  (2003)
Camille, de Boris Lojkine
Days of The Bagnold Summer, de Simon Bird
Diego Maradona, de Asif Kapadia
The Nest, de Roberto De Feo
Adoration, de Fabrice Du Welz
Cecil B. Demented, de John Waters (2000)
To the Ends of the Earth, de Kiyoshi Kurosawa

Competição Internacional
The Fever, de Maya Da-Rin
Echo, de Rúnar Rúnarsson
Cat In The Wall, de Mina Mileva, Vasela Kazakova
A Voluntary Year, de Ulrich Köhler, Henner Winckler
Douze mille, de Nadège Trebal
During Revolution, de Maya Khoury
The Science of Fictions, de Yosep Anggi Noen
Maternal, de Maura Delpero
Isadora’s Children, de Damien Manivel
Longa noite, de Eloy Enciso
O Fim do Mundo, de Basil Da Cunha
Height of the Wave, de Park Jung-bum
Technoboss, de João Nicolau
Terminal Sud, de Rabah Ameur-Zaïmeche
The Last Black Man in San Francisco, de Joe Talbot
Vitaina Varela, de Pedro Costa
A Girl Missing, de Koji Fukada

Fora de Competição
Arguments, de Olivier Zabat
Baghdad In My Shadow, de Samir
Etre Jérôme Bel, de Sima Khatani, Aldo Lee
Felix In Wonderland, de Marie Losier
Giraffe, de Anna Sofie Hartmann
La Sainte Famille, de Louis-Do de Lencquesaing
Le Voyage du prince, de Jean-François Laguionie, Xavier Picard
Non è sogno, de Giovanni Cioni
A Pleasure, Camrades!, de José Filipe Costa
Under The God, de Dino Longo Sabanovic, Ana Shametaj, Pier Lorenzo Pisano, Valentina Manzoni, Zhannat Alshanova, Ariel Gutiérrez Flores, Giulio Pettenò, Salvator Tinajero, Hayk Matevosyan, George Varsimashvili, Arthur Theyskens, Alex Takàcs, Naomi Waring, Grieco Rafael, Anna Spacio (filme colectivo supervisionado por Béla Tarr)
Wilcox, de Denis Côté
Wir Eltern, de Eric Bergkraut, Ruth Schweikert
De una isla, de José Luis Guerin
Lonely Rivers, de Mauro Herce
Mi piel, luminosa, de Nicolás Pereda, Gabino Rodríguez
Nimic, de Yorgos Lanthimos
San Vittore, de Yuri Ancarani
Sapphire Crystal, de Virgil Vernier