Mazzaropi: Realizador brasileiro é destaque em mostra especial em São Paulo

Amacio Mazzaropi 37

O polivalente artista paulista Amácio Mazzaropi (1912 – 1981), dedicou sua existência à expressão artística em suas diversas formas.

Mazzaropi, um verdadeiro multiartista, desempenhou papéis variados em sua trajetória, atuando, realizando, argumentando, produzindo e até mesmo cantando. Seu impacto na história da cultura brasileira é inegável, especialmente por sua habilidade em retratar de maneira perspicaz o homem caipira do interior paulista, que de certa forma transcendia fronteiras geográficas, por meio de uma abordagem que combinava comédia e crítica, habilmente explorando contrastes aparentes, tais como ingenuidade e sagacidade, ternura e esperteza, simplicidade e complexidade.

A jornada de Mazzaropi resultou em um impressionante total de 32 filmes, produzidos ao longo de 28 anos, desde 1952 até 1980, uma média notável de mais de um filme por ano.

 

Antes de sua incursão no cinema, ele também deixou sua marca no circo e no teatro. Sua contribuição como realizador incluiu colaborações com a Companhia Vera Cruz, seguidas pelo estabelecimento de sua própria empresa de produção cinematográfica, a Produções Amácio Mazzaropi (PAM Filmes).

Devido ao seu talento e à sua significativa contribuição para o cinema nacional, Mazzaropi foi agraciado com uma homenagem especial em São Paulo. Isso mesmo, de 2 de setembro a 23 de outubro, a Oficina Cultural Oswald de Andrade, um projeto promovido pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerenciado pela Poiesis, está apresentando a Mostra de Filmes Mazzaropi em parceria com o Instituto Mazzaropi.

 

Mostra

Com projeções aos sábados, às 18h, e às segundas, às 19h30, as exibições incluem uma seleção de produções que destacam a trajetória do renomado ator, humorista, produtor, argumentista e realizador brasileiro.

Os filmes escolhidos para a exposição serão projetados na sala do Cineclube Oswald de Andrade. Aqueles que não estão familiarizados com a vida e o legado do artista podem desfrutar da exibição do documentário “Mazzaropi: o Cineasta das Plateias” (2002). Essa produção, que inicia a mostra nos dias 2 e 4/09, apresenta depoimentos de diversas personalidades da televisão e do cinema, além de sociólogos, professores, realizadores e montadores que compartilham suas lembranças e experiências com o ator.

Em “Zé do Periquito” (1964), Mazza interpreta um jardineiro tímido e de origem humilde em um colégio, que se apaixona por uma jovem estudante. Ingenuamente, e influenciado por alguns rapazes maliciosos, ele acredita que seus sentimentos são correspondidos. Essa comédia musical estará em exibição nos dias 9 e 11/09.

 

A sequência cômica prossegue com o filme “Betão Ronca Ferro” (1970), que narra a história de um artista de circo cujo sustento é ameaçado quando sua filha decide deixar o espetáculo. As exibições desse filme estão programadas para os dias 16 e 18/09, com a sessão de segunda-feira contando com comentários de Camilo Torres, um ator, palhaço, produtor cultural e presidente da Cooperativa Nacional de Circo.

 

Nos dias 23 e 25/09, os espectadores terão a oportunidade de desfrutar do filme “Jeca contra o Capeta” (1975), uma comédia fictícia que narra a jornada do caipira Poluído, que se torna objeto de desejo de uma viúva. Na trama, ele é injustamente acusado de um crime que não cometeu e, após ser vítima de uma armação, é perseguido pelos habitantes da cidade.

 

Posteriormente, nos dias 30/09 e 2/10, a programação incluirá o filme “O Lamparina” (1964), que conta a história de um homem simples do campo que se disfarça para escapar de um bando de cangaceiros.

 

A continuação das exibições em outubro apresentará o filme “Jecão, um Fofoqueiro no Céu” (1977), que será projetado nos dias 7 e 9/10. Nesta película, Jecão ganha na loteria e viaja até São Paulo para receber seu prémio. Apesar da festa ao retornar à sua pequena cidade, a cobiça de terceiros coloca sua vida em perigo.

 

Os entusiastas do futebol também terão seu espaço com o filme “O Corintiano” (1966), uma produção que aborda o conflito entre um torcedor fervoroso e seus filhos e vizinhos, que são palmeirenses. Esse filme estará em exibição nos dias 14 e 16/10. A sessão do dia 16 contará com comentários de José Cetra Filho, crítico do prémio APCA, curador, escritor e mestre em Artes Cênicas pela UNESP.

 

A Mostra de Filmes Mazzaropi será encerrada com as sessões dos dias 21 e 23/10, nas quais será apresentado “O Puritano da Rua Augusta” (1965). Essa produção narra a história de um industrial rico e moralista que enfrenta problemas com seus filhos rebeldes e uma esposa que está sempre em busca de festas. Ao passar por uma crise, o puritano decide se permitir momentos de diversão.

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