MONSTRA 2023: 22.ª edição assinala centenário da animação portuguesa

Nayola-jose-miguel-ribeiro-2023-1 Nayola-jose-miguel-ribeiro-2023-1
“Nayola”, a primeira longa de José Miguel Ribeiro

A MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa apresentou os primeiros destaques da sua 22.ª edição, que irá realizar-se entre 15 e 26 de março, no ano em que comemora o centenário do cinema de animação nacional, com a maior representação portuguesa de sempre em competição, e com uma homenagem à cinematografia do Japão.

Ao todo são mais de 400 filmes, de 50 países, 8 estreias mundiais, 17 estreias internacionais e 70 estreias nacionais que compõe o programa desta MONSTRA 2023, que será repartido entre o Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, Cinemateca Júnior, UCI El Corte Inglés e o Cinema City Alvalade.

Durante doze dias o festival vai distinguir o passado, o presente e o futuro do cinema de animação portuguesa, que assinala este ano 100 anos de história. Sob o tema deste ano, “Animação e Cultura”, o festival “evidencia a inquietação assente na história da animação em Portugal, através de estéticas e olhares variados. Há 100 anos, o ilustrador Joaquim Guerreiro assinou o primeiro filme animado que se conhece, “O Pesadelo do António Maria”. Um século depois, “Ice Merchants” (em exibição e em 3 competições na 22.ª MONSTRA), do realizador João Gonzalez, é a primeira produção do país nomeada para um Óscar. A celebração deste valioso centenário, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, vai também levar ao público filmes em estreia mundial e partilhar conversas através da MONSTRA Summit.”, lê-se em comunicado.

A Competição de Longas-metragens apresenta, entre outras, duas obras portuguesas, “Nayola”, a primeira longa de José Miguel Ribeiro, e “Os Demónios do Meu Avô”, de Nuno Beato, e uma co-produção entre França, Itália e Suíça, o filme em stop motion “Interdito a Cães e Italianos”, de Alain Ughetto, que vai estar no festival antes de entrar no circuito das salas de cinema.

“Nayola” foi apresentado pela primeira vez no Cartoon Movie, fórum dedicado à indústria da animação europeia, como um projeto em desenvolvimento em 2016 e teve a sua primeira apresentação seis anos depois. Teve a sua ante estreia mundial no Festival de Annecy e já integrou várias mostras e festivais de cinema nacionais e internacionais. O filme, que conta a história de três gerações de mulheres durante os 25 anos da guerra civil de Angola, encontra-se nomeado para os prémios Cartoon Movie 2023.

Ice-Merchants-2022-2
“Ice Merchants”, de João Gonzalez, primeiro filme português nomeado aos Óscares

Na Competição de Curtas-metragens, destacam-se dois nomeados para os Óscares: “Ice Merchants”, do português João Gonzalez, e “The Flying Sailor”, das canadenses Amanda Forbis e Wendy Tilby, dupla que esteve presente na MONSTRA em 2019. “Amok”, de Balázs Turai (Roménia, Hungria), “Bird in the Peninsula”, de Atsushi Wada (Japão), “Letter to a Pig”, de Tal Kantor (Israel, França), ou “Steakhouse”, de Špela Čadež (Eslovénia, Alemanha, França) somam-se a esta categoria.

Há 13 curtas nacionais na corrida pelo Prémio SPA/Vasco Granja, entre elas, “O Casaco Rosa”, de Mónica Santos, “Garrano”, de David Doutel e Vasco , e, novamente, “Ice Merchants”, de João Gonzalez.

Os doze dias do festival vão também ser dedicados ao Japão, país homenageado nesta edição, pela “riqueza, emoção, fantasia e poesia da animação japonesa”, que levará o público a conhecer tanto filmes históricos como o melhor da animação contemporânea nipónica.

“Realizadores como Atsushi Wada, Osamu Tezuka, Eiichi Yamamoto e Noburô Ôfuji são alguns dos protagonistas deste itinerário que também homenageia a obra da dupla Renzo e Sayoko Kinoshita, e convida Koji Yamamura, uma das presenças confirmadas este ano, através de uma exposição com 50 desenhos originais de 4 dos seus filmes, de uma retrospetiva dedicada aos mestres japoneses, com a sua curadoria, e de uma masterclass, tudo no Museu do Oriente, onde a MONSTRA regressa 15 anos depois.”

Akira-1998-2
“Akira” (1998), de Katsuhiro Ôtomo

Também o legado dos estúdios Ghibli são lembrados nesta edição, com sete clássicos, entre os quais “Ponyo à Beira-Mar” (2008), “Porco Rosso – O Porquinho Voador” (1992), “O Conto da Princesa Kaguya” (2013) e “The Red Turtle” (2016) – a primeira coprodução do estúdio de animação com a Europa, em 2016, pelo holandês oscarizado Michaël Dudok de Wit, que visita Portugal pela primeira vez e leva a cabo uma masterclass acerca do processo criativo deste filme. Destaque também para “Paprika” (2006), “O Rapaz e o Monstro” (2015) e o clássico “Akira” (1998) serão exibidos como “uma amostra da nova geração da animação japonesa”.

“Entre os históricos homenageados na MONSTRA, regressamos à fundação da Walt Disney Company, há 100 anos, altura em que estreou a primeira curta-metragem do mestre norte-americano, “Alice’s Wonderland”, recordada agora numa sessão MONSTRINHA, na Cinemateca Júnior. A sessão segue com títulos da mesma década: “Steamboat Willie” (a primeira curta da Disney sincronizada com som, onde se estreia o rato mais pop de todos os tempos, Mickey Mouse) ou “The Skeleton Dance”. “Peter Pan”, também da Disney, e “Old Czech Legends”, de Jirí Trnka, comemoram 70 anos em 2023 e são revisitados no festival.”

Para além de um vasto leque de filmes de vários pontos do mundo, haverá também exposições, masterclasses e encontros irrepreensíveis, com muitos convidados especiais. Sobre a 22.ª edição do Festival de Animação de Lisboa, Fernando Galrito explica que esta é “uma MONSTRA que comemora centenários, mas que mantém o olhar e uma programação vanguardista, qual manifesto de imagens em movimento, de pensamentos e de arte”. 

Programa completo aqui.

Competição Longas-Metragens
Os Demónios do Meu Avô, de Nuno Beato
Guerras de Unicórnio, de Alberto Vázquez
Nayola, de José Miguel Ribeiro
A Minha História de Amor com o Matrimónio, de Signe Baumane
Interdito a Cães e Italianos, de Alain Ughetto
Perlimps, de Alê Abreu
Yaya e Lennie: Liberdade em andamento, de Alessandro Rak

Competição Curtas-Metragens
Garrano, de Vasco Sá e David Doutel
Casa Vermelha, de Barry Doupé
Atenção: Comboios, de Emma Calder
Apartamento de Cão, de Priit Tender
Betwixt, de Matt Semke
Corpo Ansioso, de Yoriko MIZUSHIRI
Amok, de Balázs Turai
Prisão em Voo, de Adrian Flury
Santo Holocausto, de Noa Berman-Herzberg
Ilusão de Incidentes, de Karolina Alicja Dżbik
Feira de Lizunas, de Sumito Sakakibara
A Sombra das Borboletas, de Sofia El Khyari
Dies Irae, de Maru Collective
O Casaco Rosa, de Mónica Santos
Esfolado, de Joachim Hérissé
Pelo Ar, de Andrzej Jobczyk
Serra, de Sander Joon
Quanto a Nós, de Simone Massi
Casa, de Flaka Kokolli
Alento, de Leonor Pacheco
Era uma vez um mar…, de Joanna Kozuch
De Madeira, de Owen Klatte
Swallow the Universe, de Nieto
O Jardim do Rei, de Iraj Mohammadi Razini
11, de Vuk Jevremovic
O Marinheiro Voador, de Wendy Tilby ,Amanda Forbis
Carta para um Porco, de Tal KANTOR
Intervalo, de Réka Bucsi
Steakhouse, de Špela Čadež
Senta-te, Não Toques em Nada, de Frederic Siegel
Luz Tardia, de Kijek (Katarzyna Kijek), Adamski (Przemysław Adamski)

SPA Vasco Granja
A espuma e o leão, de Cláudio Jordão
Catisfaction, de Andre Almeida
Polvo, de Catarina Sobral
Ana Morphose, de Joao Rodrigues
Troada, de Vitor Hugo Rocha
Algo que eu disse, de Sara Barbas
Corrida do Entrudo das Aldeias do Xisto de Góis, de Jorge Marques Ribeiro
O Homem das Pernas Altas, de Vitor Hugo Rocha
O Casaco Rosa, de Mónica Santos
A Casa para Guardar o Tempo, de Joana Imaginário
Alento, de Leonor Pacheco
Garrano, de Vasco Sá e David Doutel
Ice Merchants, de João Gonzalez

Skip to content