Fazer uma lista com os melhores-qualquer-coisa é sempre difícil, até mesmo injusto. E fazer uma lista dos dez melhores filmes do ano não foge á regra. Até porque é quase impossível ver os filmes todos que vão saindo. Ou por falta de tempo, ou por falta de interesse. No entanto, é divertido faze-lo, e como tal, baseando-me nos filmes que vi que estrearam este ano em Portugal, aqui vai a lista dos que considero ser os dez melhores filmes que passaram pelas salas de cinema portuguesas em 2010:

 

Filme do desassossego:

E com este primeiro lugar eu afirmo: com esta nem eu esperava!
Fui completamente apanhado desprevenido quando vi este filme. Esperava um filme português igual a, bem, igual a tantos outros, e dou por mim a ver um filme que me deixou a desejar por mais. Admito que a cena da ópera na floresta me deixou um bocado impaciente e a desejar que eles se despachassem para a cena seguinte, mas tirando isso achei o filme soberbo. Boa realização. Grande argumento. Boas interpretações. Um grande momento cinematográfico a não esquecer tão cedo. Um filme artístico, sim, mas não pretensioso. Venham lá mais filmes destes se faz favor porque isto sim vale cada cêntimo gasto.

 

The Antichrist (O Anticristo):

Violento? Com certeza. Belo? Claro!
Que filme este de Lars Von Trier. Para quem já conhece os filmes deste realizador, á partida já espera algo mais  ou menos na onda deste “Anticristo”, mas não é isso que consegue impedir o choque ao ver as imagens pela primeira vez. 
Tudo começa com um casal a fazer amor. O seu filho sai do berço e caminha calmamente até à janela. Enquanto eles sentem prazer, o filho cai e morre. Apresentado o prólogo, entra a loucura….
A cinematografia deste filme é fenomenal. Planos fantásticos de ver ao lado de planos horríveis de suportar, situações enigmáticas e actuações bastante competentes. Uma obra prima do cinema. Mais não digo.


Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans (Policia sem Lei):

Ao inicio pensei que este fosse ser um remake do filme “Bad Lieutenant” de 1992 com o Harvey Keitel. Foi aliás, um motivo que me fez não ver o filme imediatamente quando disponível, mas com o passar do tempo a curiosidade foi aguçando e lá acabei por ver este filme, que diga-se de passagem, se não é um remake, disfarça muito bem. Mas pondo isso de lado, o senhor Herzog até que conseguiu realizar aqui um extraordinário filme para se ver no cinema. O policia respeitado e condecorado da cidade (Nicholas Cage) depois de sofrer uma lesão nas costas vê-se agarrado a medicamentos para as dores (Os mesmos Vicodin do Dr. House) e não lhe chegando esses medicamentos ele passa para drogas mais pesadas e ilegais. É então aqui que a diversão começa. O policia bom torna-se no policia mau (e diga-se também: engraçado.) e a montanha russa começa a ganhar velocidade. O filme ideal para se ver no cinema.

Fish Tank (O Aquário):

Tudo em Fish Tank cheira a filme “indie” britânico. E é isso que o torna tão bom. Tão especial. Tão diferente de todos os outros filmes da lista. Se Looking For Eric fala de uma crise de identidade de um homem já de uma certa idade, Fish Tank fala de uma rapariga de 15 anos com toda uma vida pela frente e uma enorme fúria dentro dela, prestes a explodir. As interpretações dos actores são fenomenais (a actriz principalmente surpreendentemente nunca antes tinha representado) e a forma como a realizadora Andrea Arnold  carrega o seu filme de planos belos e emoções fortíssimas assegura claramente um lugar nos 5 primeiros desta lista.

Looking For Eric (O Meu amigo Eric):

Admito: Sou fã de Ken Loach, sou fã de futebol e acima de tudo sou fã do Cantona. Talvez seja esse o motivo deste filme fazer parte da minha lista dos dez mais. Contudo penso que é inegável que Looking For Eric é um dos melhores filmes que passaram pelas salas portuguesas, o que é estranho porque eu nem sequer tinha esperança que este filme chegasse aos cinemas nacionais e já me estava a preparar para investir no dvd via internet. O certo é que o filme chegou cá e ainda bem que assim foi. O filme é de um humanismo soberbo. Paul laverty (argumentista) e Ken Loach (o realizador) conseguiram criar mais do que uma história de renascimento espiritual, criaram uma lição de vida e mostraram que enquanto seres humanos, funcionamos muito melhor enquanto grupo, rodeados por amigos e entes queridos, e que é importante lembrarmo-nos disso, nem que para isso tenhamos que fantasiar com uma lenda viva do futebol a ensinar-nos a viver.

 

Thirst (Sede):

Mais um bom filme de Park Chan Wook a chegar as salas de cinema, e consequentemente, mais um filme de Park Chan Wook a ser bastante apreciado tanto pelo publico como pela critica. Uma história de amor bizarra ou filme de terror sobre vampiros; pode-se ver o filme das duas formas e ambas estarão correctas. A maneira fácil de como as situações vão voltas inesperadas e de como as personagens lutam ora entre si ora com elas próprias é bastante apelativa. Este filme simplesmente tinha que estar presente neste top 10.

 

Inception (A origem):

Tal como o filme anterior, este é mais um que consegue atingir o estatuto de “cinema espectáculo”. Não é apenas o típico filme de acção no qual nos sentamos a ver agarrados ao balde de pipocas; é o típico filme de acção do Cristopher Nolan: ora rápido, ora lento, ora desconsertaste. Um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho… Chega ao ponto em que quase nem nos lembramos bem onde é que estamos, chega ao ponto em que parece que nem mesmo o realizador sabe aonde é que o seu filme vai, mas o certo é que funciona e funciona bem. Falta no entanto algo mais para fazer com que o filme se torne especial. Portanto consegue estar nesta lista,  mas não passa do sétimo lugar.

 

Where The Wild Things Are (O sitio das coisas selvagens):

O que mais me atrai a uma sala de cinema é aquilo a que se chama “O cinema espectáculo”. Mas para mim,  este tipo de cinema não pode ser apenas épico a nível visual, tem que encontrar o equilíbrio entre grandiosidade e conteúdo. James Cameron falhou muito neste aspecto com o seu “Avatar” mas Spike Jonze acertou em cheio no alvo! Uma criança algures numa terra populada por monstros de vários tamanhos, formas e feitios tem tudo para ser receita vencedora. Este é um daqueles filmes que faz as pessoas saírem da sala de cinema com a satisfação de verem o dinheiro do seu bilhete bem empregue. Narrativamente sem nada a apontar e visualmente fabuloso.

 

Greenberg:

Aqui está o típico filme que, sem qualquer tipo de emoção forte, nos consegue arrastar para onde quer que vá. Ben Stiller a representar como há muito não o via e um elenco de actores secundários (com Rhys Ifans à cabeça) bastante sólidos e competentes são uma delicia de ver a conduzir este argumento de Noah Baumbach (“The squid and the whale”. Um pequeno grande filme que sabe ser cómico da mesma forma que sabe ser quase melodramático e esquisito. Uma mais valia para quem gosta de cinema.

 

How To train your dragon (“Como treinares o teu dragão”:

Se calhar no que toca a animação, a escolha mais obvia seria o Toy Story 3; no entanto, HTTYD ganha onde Toy Story 3 perde: o filme da Dreamworks apanhou todos de surpresa; é algo novo e mais aliciante enquanto que o filme da pixar chega como conclusão a uma saga já por si consolidada. Já para não falar também do aspecto visual de “How to train you dragon” que consegue ter planos absolutamente incríveis e belos. Este é então um filme refrescante que veio animar e muito as nossas salas de cinema.

 

E com isto me despeço. São estas as minhas escolhas. Poderão não ser justas mas são as minhas escolhas, como tal, debatíeis. Venha de lá 2011! Já agora fica aqui a nota para o “Lebannon”, “Scott Pilgrin vs The world”, “Gainsbourg” e “Stone”. Não entraram na lista mas são também filmes fantásticos que merecem uma vista de olhos.

O meu Top10 de 2010:

1 – Filme do desassossego

2 – The Antichrist

3 – Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans

4 – Fish Tank

5 – Looking for Eric

6 – Thirst

7 – Inception

8 – Where the wild things are

9 – Greenberg

10 – How to train your dragon