A menos de uma semana da grande noite de Hollywood, a cerimónia de entrega dos prémios da Academia norte-americana de Artes e Ciências Cinematográficas, o Cinema Sétima Arte faz as suas previsões dos possíveis vencedores da 91.ª edição dos Óscares, que se realiza a 24 de fevereiro.

Quase tudo indica que “Roma”, com dez nomeações, irá vencer quatro estatuetas (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Fotografia). É também possível que “Vice” seja o segundo mais premiado, com três Óscares (Melhor Ator, Melhor Montagem e Melhor Maquilhagem e Cabelo), empatando com “A Favorita” no número de Óscares (Melhor Argumento Original, Melhor Design de Produção e Melhor Guarda-Roupa).

Já os seguintes filmes conquistarão dois Óscares: “Bohemian Rhapsody” (Melhor Edição de Som e Melhor Mistura de Som) e “Se Esta Rua Falasse” (Melhor Atriz Secundária e Melhor Banda Sonora).

Num ano em que a Academia de Hollywood anda em grande azáfama, com avanços e recuos nas mudanças que quer aplicar nas futuras cerimónias dos Óscares, é uma edição muito incerta e confusa para se perceber quem serão os vencedores. A 91.ª edição não é, já agora, uma das melhores no que toca à qualidade dos seus nomeados. Contudo, há um maior consenso em relação a “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, por parte do público e da crítica, por ser talvez o filme mais “artístico”, em comparação com os seus concorrentes.

Nunca como agora os prémios dos sindicatos das várias áreas estiveram tão divididos: o Sindicato dos Produtores (PGA) premiou “Green Book – Um Guia Para a Vida”; o Sindicato dos Realizadores (DGA) premiou Alfonso Cuarón por “Roma”; o Sindicato dos Argumentistas (WGA) premiou “Eighth Grade” e “Can You Ever Forgive Me”; o Sindicato dos Atores (SAG) premiou “Bohemian Rhapsody” (Rami Malek, Melhor Ator), “A Mulher” (Glenn Close, Melhor Atriz) e Black Panther (Melhor Elenco); o Sindicato dos Editores (ACE) premiou “Bohemian Rhapsody” e “A Favorita”; e o Sindicato dos Diretores de Fotografia (ASC) premiou “Cold War”.

A categoria de Melhor Filme é, por norma, a mais difícil de prever o vencedor e, este ano, essa tarefa complicou-se ainda mais. Para nós há dois fortes candidatos a esta categoria, “Green Book – Um Guia Para a Vida” “Roma”. O primeiro venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia ou Musical, o National Board of Review e o ​Producers Guild of America, entre outros. A sua história, a de uma amizade improvável entre um homem de raça branca e outra negra, de classes sociais distintas, tem fortes probabilidades de sensibilizar os membros da Academia que, por tradição, tem uma posição mais política na escolha dos vencedores. Numa América cada vez mais fechada à diferença e às minorias, e com políticas isolacionistas e nacionalistas, este “livro verde” pode muito bem ser uma chamada de atenção para uma abertura e um reconhecimento para que os erros do passado não se repitam.

Neste sentido, “Roma” é também um filme político, dada a “guerra” que os EUA declararam ao México com a construção do muro. Vencer esta categoria pode ser uma resposta, por parte da Academia, ao muro de Trump. Este retrato pessoal sobre as memórias de infância do cineasta mexicano nos anos 70 é o candidato mais forte a vencer esta categoria, quer pela mensagem e simbolismo político que já foi referido, quer pelo lado artístico. Este é um filme de pormenores, de sons e de luzes, de vidas humanas. A produção da Netflix é, por isso, a nossa aposta para vencer a categoria de Melhor Filme. Ainda nesta categoria, “Vice” pode também surpreender pela sua assumida posição política.

Na categoria de Melhor Realizador, a nossa aposta recai sobre Alfonso Cuarón. Venceu, entre muitos, o Directors Guild of America, o Globo de Ouro de Melhor Realizador, o Online Film Critics Society e o ​National Society of Film Critics. Esta é a segunda nomeação para esta categoria, tendo Cuarón vencido o Óscar de Melhor Realizador em 2014 por “Gravidade”, o que pode levar a Academia a não o premiar novamente. Mas tudo indica que o mexicano vai levar outro Óscar para casa. O grego Yorgos Lanthimos consegue a sua a primeira nomeação para  esta categoria e é também um dos favoritos, assim como Adam McKay, que conquista a sua segunda nomeação, depois de “A Queda de Wall Street”, em 2016.

As categorias de interpretação são talvez as mais concorridas, pelos bons desempenhos das atrizes e atores, entre veteranos e estreantes. Na de Melhor Ator, apontamos para dois fortes candidatos: Christian Bale, em “Vice”, e Rami Malek, em “Bohemian Rhapsody”. A Academia aprecia muito interpretações de figuras reais, sobretudo quando conseguem ser verdadeiros camaleões. Christian Bale consegue este ano a sua quarta nomeação (duas para Melhor Ator e duas para Melhor Ator Secundário, tendo vencido o Óscar de Melhor Ator Secundário por “The Fighter – Último Round”, em 2011).

Rami Malek, em “Bohemian Rhapsody”, é o estreante desta categoria ao conseguir a sua primeira nomeação aos Óscares. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama e venceu o prémio de Melhor Ator dos Screen Actors Guild Awards. Ambos têm excelentes desempenhos, pelo que a Academia terá de optar entre um veterano que há muito merecia um Óscar e entre um estreante que tem vindo a destacar-se nas séries televisivas e agora no cinema. A nossa aposta vai para Christian Bale, que interpreta Dick Cheney, o vice presidente de George W. Bush. Mas sem muita confiança, pois Malek é um candidato de peso.

Quanto à categoria de Melhor Atriz, há quatro estreantes nesta categoria: Yalitza Aparicio, em “Roma”, é uma estreia no cinema e uma estreante nos Óscares, mas ainda assim é uma das favoritas; Olivia Colman, em “A Favorita”, consegue a sua primeira nomeação aos Óscares; Lady Gaga, em “Assim Nasce Uma Estrela”, consegue, depois de duas nomeações a Melhor Canção, a sua primeira nomeação de Melhor Atriz; Melissa McCarthy, em “Can You Ever Forgive Me?”, consegue a sua primeira nomeação para Melhor Atriz (em 2012 foi nomeada para Melhor Atriz Secundária por “A Melhor Despedida de Solteira”). A nossa aposta vai para a veterana Glenn Close, em “A Mulher”, que soma a sua sétima nomeação (quatro como Melhor Atriz e três como Melhor Atriz Secundária) sem vencer. Tudo indica que a Academia vai finalmente premiar Close pela sua longa e extraordinária carreira.

Na categoria de Melhor Filme de Animação, apostamos em “Homem-Aranha: No Universo Aranha”, que desde o inicio da temporada dos prémios 2018/2019 é o claro favorito, dada a quantidade de prémios que tem recebido: Melhor Filme de Animação dos Annie Awards, dos Globos de Ouro, dos ​Producers Guild of America, entre tantos outros.

O Melhor Filme Estrangeiro é quase certo que será “Roma” (México), mesmo que vença o Óscar de Melhor Filme. Por outro lado, a Academia também pode atribuir esta categoria a “Roma” para o premiar, caso seja “Green Book” a vencer o de Melhor Filme.

Estas são as nossas apostas para 21 das 24 categorias. A cerimónia da 91.ª edição dos Óscares realiza-se a 24 de fevereiro de 2019, no Dolby Theatre, com transmissão em direto para mais de 225 países, sem apresentador. Em Portugal, a 91.ª edição vai ser transmitida nos canais FOX e FOX Movies, ao contrário do que é habitual (nos canais generalistas RTP 1, SIC ou TVI).

Depois dos Óscares

Laranja – Previsão
Verde – Vencedor Correcto
Vermelho – Previsão Errada

Em 21 categorias erramos em 11: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Argumento Original, Melhor Documentário, Melhor Design de Produção, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Montagem, Melhor Banda Sonora e Melhores Efeitos Especiais.

Melhor Filme
Black Panther
BlacKkKlansman
Bohemian Rhapsody
The Favourite
Green Book
Roma
A Star Is Born
Vice

Melhor Realizador
Spike Lee, por BlacKkKlansman
Paweł Pawlikowski, por Cold War
Yorgos Lanthimos, por The Favourite
Alfonso Cuarón, por Roma
Adam McKay, por Vice

Melhor Ator
Christian Bale, em Vice
Bradley Cooper, em A Star Is Born
Willem Dafoe, em At Eternity’s Gate
Rami Malek, em Bohemian Rhapsody
Viggo Mortensen, em Green Book

Melhor Atriz
Yalitza Aparicio, em Roma
Glenn Close, em The Wife
Olivia Colman, em The Favourite
Lady Gaga, em A Star Is Born
Melissa McCarthy, em Can You Ever Forgive Me?

Melhor Ator Secundário
Mahershala Ali, em Green Book
Adam Driver, em BlacKkKlansman
Sam Elliott, em A Star Is Born
Richard E. Grant, em Can You Ever Forgive Me?
Sam Rockwell, em Vice

Melhor Atriz Secundária
Amy Adams, em Vice
Marina de Tavira, em Roma
Regina King, em If Beale Street Could Talk
Emma Stone, em The Favourite
Rachel Weisz, em The Favourite

Melhor Argumento Original
The Favourite
First Reformed
Green Book
Roma
Vice

Melhor Argumento Adaptado
The Ballad of Buster Scruggs
BlacKkKlansman
Can You Ever Forgive Me?
If Beale Street Could Talk
A Star Is Born

Melhor Filme de Animação
Incredibles 2
Isle of Dogs
Mirai
Ralph Breaks the Internet
Spider-Man: Into the Spider-Verse

Melhor Filme Estrangeiro
Cafarnaum (Líbano)
Cold War (Polónia)
Never Look Away (Alemanha)
Roma (México)
Shoplifters (Japão)

Melhor Documentário
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

Melhor Design de Produção
Black Panther
The Favourite
First Man
Mary Poppins Returns
Roma

Melhor Fotografia
Cold War
The Favourite
Never Look Away
Roma
A Star Is Born

Melhor Guarda-Roupa
The Ballad of Buster Scruggs
Black Panther
The Favourite
Mary Poppins Returns
Mary Queen of Scots

Melhor Montagem
BlacKkKlansman
Bohemian Rhapsody
The Favourite
Green Book
Vice

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Border
Mary Queen of Scots
Vice

Melhor Banda Sonora Original
Black Panther, de Ludwig Goransson
BlacKkKlansman, de Terence Blanchard
If Beale Street Could Talk, de Nicholas Britell
Isle of Dogs, de Alexandre Desplat
Mary Poppins Returns, de Marc Shaiman

Melhor Canção Original
“When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, de “The Ballad of Buster Scruggs”
“All The Stars”, de “Black Panther”
“I’ll Fight”, de “RBG”
“Shallow”, de “A Star Is Born”
“The Place Where Lost Things Go”, de “Mary Poppins Returns”

Melhor Edição de Som
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
A Quiet Place
Roma

Melhor Mistura de Som
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
Roma
A Star Is Born

Melhores Efeitos Visuais
Avengers: Infinity War
Christopher Robin
First Man
Ready Player One
Solo: A Star Wars Story