A polémica instalou-se depois do anúncio feito pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em como não iria exibir em direto as categorias de Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Curta-metragem em Imagem Real e a de Melhor Maquilhagem e Penteados. Estas quatro categorias vão ser apresentadas durante os intervalos comerciais, sendo que apenas será possível ver a cerimónia sem cortes no site da Academia, que irá transmitir a cerimónia via streaming. O canal ABC, responsável pela transmissão televisiva da cerimónia, disse que irá transmitir essas categorias online e, de igual modo, os discursos dos vencedores a um momento posterior do programa.

Em setembro de 2018, a Academia tinha apresentado várias mudanças para a cerimónia dos Óscares, sendo uma delas a diminuição da duração da cerimónia, com algumas categorias a serem apresentadas durante os intervalos. Agora que se confirmaram as categorias, alguns realizadores, técnicos e atores expressaram a sua desaprovação nas redes sociais.

“Na história do CINEMA, as obras-primas existiram sem som, sem cor, sem história, sem atores e sem música. Nenhum filme sequer existiu sem CINEMAtografia e sem edição.”, escreveu Alfonso Cuarón no Twitter.

“Se eu puder, não pretendo sugerir que categorias cortar durante a cerimónia dos Óscares, mas  a Cinematografia e a Edição estão no coração do nosso ofício”, escreveu Guillermo del Toro no Twitter. “Não são herdados de uma tradição teatral ou de uma tradição literária: são o próprio cinema”.

Emmanuel Lubezki, o diretor de fotografia vencedor de três Óscares, escreveu que a Academia estava a tomar uma “decisão infeliz” porque “cinematografia e edição são provavelmente as partículas elementares (…) os componentes primordiais do cinema”.

A American Society of Cinematographers (ASC – Sociedade Americana de Cinematógrafos) reagiu às notícias com uma carta enviada aos 390 membros ativos do ASC. A decisão de remover categorias de artesanato, como a de Melhor Fotografia, para os intervalos comerciais foi chamada de uma “decisão infeliz” por Kees van Oostrum, presidente da ASC. Ironicamente, a categoria de Melhor Fotografia poderia fazer história este ano, caso “Roma”, de Alfonso Cuarón, receber o prémio. Isto porque, até hoje, nenhum realizador venceu a categoria de Melhor Fotografia do seu próprio filme.

A carta de Van Oostrum diz ainda o seguinte: “Consideramos que o cinema é um esforço colaborativo em que as responsabilidades do realizador, do diretor de fotografia, do editor e de outros ofícios frequentemente se cruzam. Essa decisão pode ser percebida como uma separação e divisão desse processo criativo, minimizando as nossas contribuições criativas fundamentais.”

Van Oostrum continuou: “A Academia é uma instituição importante que representa a nossa arte aos olhos do mundo. Desde o início da organização, há 91 anos, os prémios da Academia homenagearam o talento, o artesanato e as contribuições dos cineastas para o processo de filmagem, mas não podemos tolerar tranquilamente essa decisão sem protestar. ”

“Ser nomeado e ir à cerimónia dos Óscares é muito especial e isso acontece muito raramente (…) é uma desilusão descobrir tão próximo dos Óscares que o prémio vai ser entregue durante o intervalo”, disse Lee Smith, vencedor do Óscar de Melhor Edição por “Dunkirk”, à revista Variety. “É um mau plano”, continuou Smith. “Seria ótimo reverter essa decisão. Alterar o formato ligeiramente. Eu sou montador, por isso só consigo pensar num milhão de maneiras de encurtar as coisas.”

Rachael Stanley, a diretora executiva do Costume Designers Guild, lamentou a perda de atenção dos irmãos da indústria (os de Maquilhagem e Penteados). “Acho lamentável que a cerimónia dos Óscares tenha escolhido ocultar quatro dos vencedores do “artesanato” para intervalos comerciais. Diminui o trabalho desses dignos nomeados e vencedores”, disse ela.

A 91.ª cerimónia de entrega dos Óscares realiza-se no domingo, dia 24 de fevereiro.