Depois de vários trabalhos menos conseguidos, como “Cavalo de Guerra” e “Lincoln”, já para não falar de “As Aventuras de Tintin”, um caso a tentar esquecer da obra de Spielberg, o realizador regressa a bom porto com um filme político e humanista. “A Ponte dos Espiões” é um agradável regresso de Steven Spielberg desde “Munique” (2005).

Com um argumento escrito pelos irmãos Coen e Marr Charman, “A Ponte dos Espiões” centra-se em plena Guerra Fria, no início da década de 1960. A narrativa centra-se em James Donovan, um advogado americano, encarregado de defender Rudolf Abel, um espião do KGB capturado pelo FBI, que é contactado pelo governo para negociar a libertação de Francis Gary Powers, piloto americano que se encontrava preso na URSS, fazendo uma troca entre eles. Mas Donovan não se limita a cumprir as ordens do governo americano. O advogado tenta fazer o que é correcto e cumprir a sua missão, tentando acalmar as tensões entre os dois lados da guerra.

Este é um argumento interessante, com diálogos que prendem o espectador, onde se procura um mundo ideal, ou seja, onde não há bons nem maus. Há um herói, o advogado Donovan, que tenta sempre fazer algo mais do que aquilo que lhe pedem, indo sempre de encontro com o que ele considera ser justo para ambas as partes. Pois sabe que um passo em falso pode significar o início de uma guerra entre duas superpotências.

A Guerra Fria foi um período atribulado de disputas e conflitos internos entre os EUA e a URSS. As décadas de 1950 e 1960 foram agitadas, dividindo o mundo quase que em duas partes, ou se era capitalista ou comunista. Os americanos viveram esse período sobre um manto de medo e preconceito, do desconhecido, de ideias diferentes de ver o mundo. O filme de Spielberg consegue transmitir isso pontualmente, recriando um cenário e um ambiente credíveis. O realizador distancia-se de um discurso partidário, optando por defender ideias mais humanistas e optimistas. Donovan acredita nisso e luta por isso em todas as suas conversas entre os soviéticos e os americanos. Existe assim um equilíbrio entre os dois lados da guerra, e nisso o realizador consegue-o muito bem. De destacar ainda as prestações credíveis de todo o elenco, em especial de Tom Hanks, com quem não trabalhava desde “Terminal” (2004).

Mantém contudo um certo sentimentalismo, característico do realizador, que era de todo desnecessário e que por vezes torna o filme moralista e básico, sendo exemplo disso as cenas com a família. O ritmo do filme por vezes perde-se com cenas que se arrastam em demasia, num filme com mais de duas horas onde se fala bastante e o silêncio não respira.

“A Ponte dos Espiões” marca o regresso a uma estrutura de melodrama clássico americano. Spielberg aproxima-se aqui a um cinema clássico dos filmes policiais e thrillers políticos dos anos 50 e 60. Este filme é o há muito aguardado regresso de Spielberg desde “Munique” (2005).

Este thriller político interessa ainda por se basear em factos reais que fazem parte de uma agitada parte da História da humanidade e que de certa forma se mantém atual, servindo de exemplo.

Realização: Steven Spielberg

Argumento: Matt Charman, Ethan Coen, Joel Coen

Elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan

EUA/2015 – Drama

Sinopse: A história de James Donovan, um advogado americano encurralado no centro da Guerra Fria, quando a CIA envia-o numa missão quase impossível de negociar a libertação de um piloto Americano U-2, que se encontra detido na União Soviética.

«A Ponte dos Espiões» - O regresso de Spielberg desde “Munique”
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