“Anaconda” foi um fenómeno inesperado em 1997, quando um filme sobre uma cobra gigante filmado na Amazónia trouxe um humor involuntário devido a problemas técnicos e a um elenco canastrão. Ainda assim, a tosqueira foi suficiente para se transformar numa franquia trash que piorava a cada continuação.
Quase trinta anos depois, a história regressa como um misto de sátira e homenagem, a partir da dupla Jack Black e Paul Rudd, que interpretam amigos de infância que nunca conquistaram o sonhado sucesso em Hollywood. Assim, acompanhamos o realizador de vídeos de casamentos, Doug McCallister, e o actor que acumula fracassos, Ronald “Griff” Griffen Jr., viajando para o Brasil com outros dois amigos, a fim de fazer um reboot-sequência de “Anaconda”.
É claramente uma comédia com momentos de acção e uma confusão de fragmentos de argumento que servem para construir as cenas de piadas, ora fazendo referência ao original, ora com os actores a divertirem-se a partir de constantes improvisos.
É precisamente a partir da interacção dos actores que o filme se destaca. Vale a menção da participação de Selton Mello, que se revelou uma grande inclusão e recebeu óptimas críticas na imprensa internacional. Ele é contratado pela equipa de Black por supostamente conhecer todos os segredos da Amazónia, mas revela-se uma versão Chicó cuidador de animais.
A portuguesa Daniela Melchior, por outro lado, não teve a mesma sorte e, infelizmente, não conseguiu o desenvolvimento que parecia ter na introdução da história.
As filmagens decorreram na Austrália e contaram com muitos efeitos especiais de baixa qualidade (propositada???), mas o maior problema foram algumas regravações realizadas para aumentar o humor pastelão, que prejudicaram a versão final. O horror ainda está presente, com alguns momentos gore, ainda que sempre muito limpos, mas sem nunca conseguir criar uma atmosfera de suspense satisfatória.
Entre as cenas adicionadas posteriormente, há uma que tenta desenvolver um episódio de timidez, da qual não vale a pena entrar em detalhes, mas que quebra o ritmo da sequência final com uma comédia muito tola e nada funcional. Felizmente, alguns convidados de última hora que aparecem pontualmente conseguem arrancar um sorriso a quem viu o primeiro filme.
Vídeo-crítica:

