A secção Transmission, da mais recente edição do festival de cinema documental Porto Post Doc, contou com o documentário “Ainda Tenho um Sonho ou Dois – A História dos Pop Dell’Arte”, realizado por Nuno Duarte.

O filme percorre a história da banda desde a sua fundação, que se realiza numa Lisboa pós-salazarista, que pela necessidade de elevar novamente o seu espírito cultural, de o reactivar, começa a exigir um fulgor criativo às novas gerações.

Um dos espaços onde esta nova vitalidade cultural começou a pulsar foi no mítico espaço Rock Rendez-Vous, que foi a razão pela qual a banda teve a sua primeira formação, tendo João Peste como vocalista e mentor da banda; Zé Pedro Moura como guitarrista; Ondina Pires na bateria; Paulo Salgado no baixo e Luís Saraiva como percussionista.

A banda sofreu várias mudanças ao longo dos anos e essas transformações foram, no fundo, as consequências das oscilações de espírito de João Peste, motor do impulso criativo da banda, até à formação mais actual, onde se ergue um João Peste renovado depois de uma fase complicada da sua vida em que passou de um consumo de droga recreativo e hedonista, que acompanhava o seu ritmo criativo e o convívio que lhe era inerente, para um vício mais sério e “opressivo”, como salienta o próprio João.

Longe de serem uma banda com uma carreia estável, o documentário retrata, essencialmente, as suas várias fases, idas e voltas que aconteciam por uma forte rejeição da rotina e do hábito; espírito de onde provinha o intenso potencial criativo e uma renovada originalidade que sempre caracterizou a banda.

No que toca à forma, o filme tem um tom simples e uma narrativa linear. O realizador opta por fazer a junção de imagens com várias entrevistas aos membros da banda, algumas do arquivo RTP, outras que parecem captações de vídeo espontâneas.

Todas estas imagens são a forma de fazer uma viagem no tempo para regressar aos momentos relatados pelos membros da banda na actualidade. Estas memórias são ainda apresentadas através de fotografias e videoclipes que vêm pigmentar os intervalos temporais em que a banda se vai metamorfoseando.

O documentário mostra como todas as mudanças por que a banda passou foram sempre o resultado de um ímpeto criativo que vive dentro de músicos que nunca deixaram morrer uma paixão comum: o rock ‘n’ roll.