“Prazer, Camaradas!”, de José Filipe Costa, estreia em maio nos cinemas

A mais recente longa-metragem do realizador José Filipe Costa, “Prazer, Camaradas!”, que teve a sua estreia mundial no Festival de Locarno em 2019, vai finalmente chegar às salas de cinema nacionais, prevista para 20 de maio, nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal, Leiria, entre outras.

Produzido pela Uma Pedra do Sapato, “Prazer, Camaradas!”, um filme sobre como estrangeiros e portugueses viveram a sua revolução sexual no Portugal de 1975, vai ser apresentado em ante-estreia, em quatro cidades: 21 de abril, às 19h00, no Cineclube de Santarém, no Teatro Sá da Bandeira (com a presença do realizador), 22 de abril, às 20h30, no Cineclube de Viseu, no Auditório do IPDJ, 23 de abril, às 19h30, no Cineclube de Faro, no Club Farense (com a presença do realizador), e 24 de abril, às 10h30, no Cineclube de Évora, no Auditório Soror Mariana (com a presença do realizador).

“Prazer, Camaradas!” desenrola-se depois do 25 de abril de 1974, numa época em que muitos estrangeiros vinham para Portugal ajudar no trabalho agrícola, dar consultas médicas e aulas de planeamento familiar. O realizador serviu-se de um jogo teatral com recurso à dramatização, para fazer um retrato das mentalidades que vigoravam nos meios mais rurais, onde começaram a emergir cooperativas depois da revolução.

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Segundo José Filipe Costa, fazer “Prazer, Camaradas!” constituiu uma espécie de “jogo lúdico: propôs-se a actores não profissionais que dramatizassem as memórias de uma revolução que não foi apenas política, mas também sexual e de costumes. O filme desenvolve-se em quadros improvisados, confrontando as ideias e comportamentos de estrangeiros e portugueses sobre a intimidade e a vivência da sexualidade. Há a ambição de mostrar que a revolução não estava só a acontecer no palco politico-constitucional, mas também nas cabeças e nos corpos das pessoas”.

O argumento surgiu de um conjunto de relatos orais, textos literários e diários da época de estrangeiros e portugueses ex-exilados que, além de ajudarem nos trabalhos agrícolas, observavam e registavam o que viam e viviam com os portugueses. “Eram uma espécie de antropólogos improvisados que se encantavam e decepcionavam com o que viam, transcrevendo os poemas e os ditos dos camponeses, assinalando as distâncias pudicas entre os corpos nos bailes tradicionais ou descobrindo o trágico destino dos solteirões atingidos pela guerra colonial”, refere o realizador.

José Filipe Costa, assinou, entre outras, obras como “Entre Muros” (2002), “O Caso J” (2017) e “Linha Vermelha” (2011). Este último revisitava o documentário “Torre Bela” do alemão Thomas Harlan sobre a ocupação de uma propriedade privada por uma cooperativa no Ribatejo, depois do 25 de abril.

O documentário “Prazer, Camaradas!” é um filme ousado e atípico no panorama português e estreia dia 20 de maio nos cinemas.

 

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