Leia, Luke, Han, Chewbacca e companhia e estão de regresso ao grande ecrã após trinta anos de espera e a febre por todas as coisas Star Wars não podia estar mais alta. Quando o episódio IV de Star Wars estreou no já longínquo ano de 1977 todo o conceito de ‘Blockbuster’ (que já por si era recente) mudou por completo. Pela primeira vez um filme era um fenómeno transcendente a tudo o que pudesse ser comercializado. Pequenos e graúdos iniciaram o seu longo e constante processo de adoração que hoje, em pleno ano de 2015 volta a aparecer, tornando a começar tudo de novo.

E ‘recomeçar’ é de facto o termo mais correcto para o episódio VII desta Saga, já que “O Despertar da Força” pega nas nossas queridas personagens, coloca-lhes mais 30 anos em cima e adiciona-lhes também uma nova geração de heróis e vilões que tem agora a responsabilidade de pegar na luta do Bem vs Mal e reintroduzi-la naquilo que parecem ser todas as salas de cinema do mundo e mais algumas.

Comecemos então pelo inicio: Após o texto de abertura nos dar um pouco de contexto em relação aos eventos de “Return of the Jedi” (cronologicamente o último filme da Saga) somos imediatamente transportados para o meio da acção, onde nos são apresentados Poe (Oscar Isaac) o excepcional piloto da força Rebelde, Finn (John Boyega) um Stormtrooper desertor e Kylo Ren (Adam Driver) o principal vilão e um dos lideres d‘ A Primeira Ordem, que tenta ocupar o lugar de poder deixado vazio depois da queda do antigo Império. A outra personagem “novata” em Star Wars é Rey (Daisy Ridley) uma sucateira do planeta Jakku que cedo se junta, tal como Finn, às forças rebeldes lideradas por Leia Organa e (ainda que de forma independente) Han Solo. Juntos, os nossos heróis, acompanhados pelo adorável andróide BB-8 têm que procurar a ferramenta chave para derrotar as forças opressoras da Primeira Ordem.

A partir daqui, e sem querer obviamente estragar a experiência aos que ainda não viram o filme posso apenas mencionar por alto o trabalho fantástico dos actores estreantes na Saga. Oscar Isaac e John Boyega mostram uma química tremenda e todas as cenas em que eles aparecem juntos são do mais puro entretenimento que há, ficando apenas o agridoce de uma falta de exploração mais aprofundada à história de Poe. Claramente algo que irá ficar para os próximos dois filmes. Quanto a Kylo Ren, Adam Driver deu uma grande interpretação, mostrando-nos um vilão perigoso não pelo seu poder em si mas pelo seu sentido de devoção inabalável à Primeira Ordem e ao seu desejo de ser tão forte quanto Darth Vader fora nos anteriores filmes. Kylo é aliás o mais bem aproveitado dos vilões; tal como Poe, também a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) ficou a deixar muito a desejar. Visualmente a personagem é muito interessante e o seu potencial é enorme. resta agora esperar pelos episódios VIII e IX para saber mais sobre ela. Houve também um ar de sua graça do líder Supremo Snoke (interpretado por Andy Serkis) que pouco ou nada fez para além de dar uma ou outra ordem (como aliás, aconteceu com o Imperador Palpatine na Trilogia Original). Restam-nos Carrie Fischer e Harrison Ford. Fischer foi, através da ‘sua’ Princesa/General Leia o peso dramático do filme, sendo ela que narra boa parte das motivações das personagens bem como as coisas que estão em jogo, e quanto a Ford, Han Solo roubou o show quase que só para ele. Passaram-se décadas desde que Ford vestiu a pele de Han Solo mas no entanto não fosse a sua cara envelhecida e eu era capaz de acreditar que as suas cenas foram filmadas junto com as dos filmes anteriores. Basta um olhar de Han Solo para nós perceber-mos a gravidade da situação, as emoções em jogo. Han Solo e Leia Organa são o lado humano de uma guerra que não só destrói, como cansa.     

Quanto ao resto, longe (e o mais esquecido possível) vão os tempos em que Lucas nos levou para uma galáxia de estéreis panos verdes (ou azuis, ás vezes, para variar) habitada por meia dúzia de actores perdidos num cenário inexistente. J.J. Abrams é agora o homem do leme e com ele vieram todos os cenários reais, físicos, sujos, palpáveis, onde as cenas de luta, as piadas e as correrias podem acontecer, bem como todo um conjunto de adereços, veículos e guarda-roupa que nos atiram para um mundo muito mais real, menos aborrecido, credível e acima de tudo entusiasmante. A magia da animação digital foi deixada apenas para o que tem mesmo que ser feito dessa forma, o que parecendo que não dá ao filme um visual diferente. As cenas passadas no deserto do planeta Jakku são deslumbrantes, bem como os interiores de um bar extra-terrestre, recheado de  criaturas bizarras e curiosas.

As batalhas aéreas são, se bem me lembro, das mais interessantes que tenho visto nos últimos anos. Ver X-Wings e caças TIE em inspirados e fluídos ziguezagues fazem-me pensar o quão fantástico é o Cinema e o 3D, para quem estiver interessado, acrescenta de facto algo ao filme. “Star Wars” usa bem o 3D, de forma a criar mais textura e relevos, tudo em função do realismo e não do “olha-coisas-a-saltar-do-ecrã!” o que é sempre digno de nota, para um filme que não foi filmado em 3D mas sim pós-convertido.

Última nota para a banda sonora de John Williams. A música sempre foi parte integral do Universo Star Wars. Williams soube fazer o perfeito equilíbrio entre o aproveitamento das suas velhas partituras e a criação de novos temas que, apesar de não serem tão orelhudos, encaixam na perfeição nas emoções do filme.

No seu todo, enquanto parte de algo maior, “Star Wars: The Force Awakens” é aquilo que os fãs podiam esperar e mais qualquer coisinha. É incrível como um filme com tamanha expectativa consegue corresponder não só aos velhos fãs como ás novas gerações que estão agora a ser introduzidas a uma das mais marcantes sagas da História do Cinema. Mas problemas aparecem quando analisamos o filme por ele só. Claramente estamos numa Era de Universos Cinematográficos e segundo essa regra um filme não se pode fechar em si mesmo mas sim abrir narrativas para sequelas, bandas-desenhadas-livros, séries de animação… e é isso que faz com que quando os créditos finais começam a rolar o espectador tenha mais perguntas que respostas. O que aconteceu a esta personagem? E a aquela?  O que é que vai acontecer a seguir e como é que isto acabou? Felizmente vamos ter mais dois filmes para nos explicar isso tudo, mas infelizmente vamos ter que esperar por mais dois filmes para poder-mos ter pelo menos algumas respostas. Tirando isso, este filme que aconteceu há muito tempo, numa Galáxia distante, está bem e recomenda-se.

Realização: J.J. Abrams

Argumento: Lawrence Kasdan, J.J. Abrams

Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Harrison Ford, Anthony Daniels, Billy Dee Williams

EUA/2015 – Aventura/Fantasia

Sinopse: Sétimo filme da saga criada por George Lucas, cuja história decorre aproximadamente 30 anos depois de “O Regresso de Jedi” e aborda a luta da Resistência (antiga Aliança Rebelde) contra a Primeira Ordem (antigo Império Galáctico).

«Star Wars: O Despertar da Força» – Millennium Falcon e Sabres de Luz. Tudo está bem no Universo.
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