Neste sábado, 7 de setembro, o Festival de Veneza concluiu a sua 81.ª edição, revelando os aguardados vencedores.
O Leão de Ouro, o prémio mais cobiçado do festival, foi atribuído a “The Room Next Door”, a mais recente e primeira produção em inglês de Pedro Almodóvar.
Apesar das críticas mistas, o filme, baseado no romance “What Are You Going Through” de Sigrid Nunez e estrelado por Tilda Swinton e Julianne Moore, que explora temas profundos como a eutanásia e a solidão, destacou-se entre os 21 concorrentes e assegurou a Almodóvar o máximo reconhecimento do festival.
O filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, que marca o regresso de Walter Salles à realização, também se destacou ao receber o Prémio de Melhor Argumento. A honra foi para Murilo Hauser e Heitor Lorega pela adaptação do livro homónimo de Marcelo Rubens Paiva.
A conquista da dupla é histórica, marcando a primeira vez que o Brasil recebe um prémio na seleção oficial do festival italiano desde 1981, quando “Eles Não Usam Black-tie”, de Leon Hirszman, foi galardoado.
Baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre a sua mãe, a advogada Eunice Paiva, “Ainda Estou Aqui” é ambientado no Brasil de 1971, durante uma crise e o crescente controlo da ditadura militar, e explora os impactos desses eventos na dinâmica de uma família.
O Grande Prémio do Júri foi outorgado ao drama “Vermiglio”, de Maura Delpero, que oferece uma visão íntima sobre a infidelidade em meio à guerra nos Alpes italianos. Em contraste, o Prémio Especial do Júri foi concedido a “April”, da cineasta georgiana Dea Kulumbegashvili, que aborda os conflitos éticos enfrentados por uma ginecologista acusada de realizar abortos ilegais.
Melhor realização
O prémio de Melhor Realizador foi entregue ao americano Brady Corbet por “The Brutalist”, uma saga épica de três horas e meia protagonizada por Adrien Brody. O filme segue a história de um arquiteto sobrevivente do Holocausto que emigra para os EUA com a ambição de criar grandes obras modernistas.

Melhor ator e melhor atriz
O francês Vincent Lindon ganhou a Copa Volpi de Melhor Ator por sua atuação em “The Quiet Son”, de Delphine e Muriel Coulin que aborda a reação de um pai a radicalização do filho em movimentos de extrema-direita.
Já o Copa Volpi de Melhor Atriz foi concedido à australiana Nicole Kidman, pela sua interpretação em “Babygirl”, de Halina Reijn, superando a brasileira Fernanda Torres, que também era uma das fortes candidatas pelo seu desempenho em “Ainda Estou Aqui”.

No filme, Kidman interpreta uma executiva poderosa que coloca a sua família e carreira em risco ao se envolver em um intenso romance com um estagiário muito mais jovem, interpretado pelo britânico Harris Dickinson.
Devido ao falecimento de sua mãe, Kidman não pôde estar presente na cerimónia, e o prémio foi aceito por Reijn, que leu uma mensagem emocionada da atriz.
Vencedores do Festival de Veneza de 2024
Melhor filme (Leão de Ouro): “The Room Next Door”, de Pedro Almodóvar
Grande Prémio do Júri: “Vermiglio”, de Maura Delpero
Melhor realizador (Leão de Prata): Brady Corbet, por “The Brutalist”
Prémio especial do júri: “April”, de Dea Kulumbegashvili
Melhor argumento: Murilo Hauser e Heitor Lorega, por “Ainda Estou Aqui”
Melhor atriz (prémio Coppa Volpi): Nicole Kidman, por “Babygirl”
Melhor ator (prémio Coppa Volpi): Vincent Lindon, por “The Quiet Son”
Melhor ator jovem (prémio Marcello Mastroianni): Paul Kirchner, por “And their Children After Them”
Mostra Horizontes (curta-metragem)
Melhor Filme: “O Ano Novo Que Nunca Chegou”, de Bogdan Mureşanu
Melhor realização: Sarah Friedland, por “Familiar Touch”
Prémio do Júri: “Um daqueles dias em que Hemme morre”, de Murat Firatoglu
Melhor atriz: Kathleen Chalfant, por “Familiar Touch”
Melhor ator: Francesco Gheghi, por “Família”
Melhor argumento: “Boas Festas”, de Scandar Copti
Melhor curta-metragem: “Who Loves the Sun”, de Arshia Shakiba

