Morreu no passado dia 20 de agosto um dos mais influentes comediantes americanos, Jerry Lewis, aos 91 anos. Mas dizer que foi apenas um comediante é redutor, pois Lewis foi muito mais do que isso, tendo sido um artista bastante multifacetado (foi também ator, realizador, argumentista, cantor e dançarino).

Nascido em 1926, em Newark, Jerry Lewis fez cinema, televisão e rádio. No cinema juntou-se ao ator Dean Martin e juntos formaram a dupla ‘Marin e Lewis’ nos anos 1950. Construiu-se uma parceria longa em filmes como: “A Minha Amiga Irma” (1949), “A Minha Amiga Maluca” (1950), “Recrutas… Sentido!” (1950), “Eles no Colégio” (1951), “O Estoira-Vergas” (1951) e “Marujo, o Conquistador” (1952).

Na década de 1960 atinge o auge ao passar a realizar os seus próprios filmes, destacando-se em obras como “Jerry no Grande Hotel” (1960), “Jerry, Primeiro Turista no Espaço” (1960), “O Homem das Mulheres” (1961), “O Charlatão” (1967) e “As Noites Loucas do Dr. Jerryl” (1963), este último foi seu maior sucesso de bilheteira no cinema. Nesta década Lewis tinha dois grandes nomes da comédia visual no cinema, Jacques Tati (em França) e Blake Edwards (nos EUA).

Realizou ainda filmes tão importantes como “Onde Fica a Guerra?” (1970), “O Morto Era o Outro” (1970), “Vai Trabalhar, Malandro!” (1980) e “Jerry Tu és Louco” (1983). Participou com pequenos papéis em “O Rei da Comédia” (1982) de Martin Scorsese ou “Sábado à Noite” (1992) de Billy Crystal.

Apesar de não ter sido sempre compreendido e ver reconhecida a sua obra nos EUA, o seu humor físico, infantil e anárquico influenciou várias gerações de comediantes (como o Jim Carrey). Já a Europa, mais em específico, a França, nunca ignorou o trabalho de Lewis, tem sempre sido aceite pela crítica francesa. A sua obra demonstra inteligência, irreverência e bastante rigor nos cenários e guarda-roupa, na montagem, no tempo (do momento cómico) e no enquadramento. A música (o estilo jazz) nos seus filmes é também um elemento importante que dão ritmo, sempre sincronizada com os movimentos da câmera e das personagens.

Jerry também ficou conhecido pela sua dedicação incansável a causas humanitárias, como o seu programa beneficente anual do Dia do Trabalho para a Associação de Distrofia Muscular, que começou a apresentar em 1952.

Com a morte de Jerry Lewis parte mais uma grande estrela que marcou o cinema e que não existe mais.