O cinema latino-americano volta a marcar presença na Festival de Cannes com a selecção de “A Cachorra” (La Perra), da realizadora Dominga Sotomayor, para a Quinzena dos Realizadores, uma das secções paralelas mais relevantes do certame, dedicada a propostas autorais e a novos talentos.
O filme, que conta com Selton Mello no elenco, é protagonizado por Manuela Oyarzún e baseia-se no romance homónimo de Pilar Quintana. A narrativa acompanha Silvia, uma mulher isolada numa ilha remota no sul do Chile, cuja rotina se transforma após resgatar uma cadela a quem chama Yuri, nome que daria à filha que nunca teve. A história cruza temas como solidão, desejo de maternidade e fragilidade emocional.
Com argumento de Inés Bortagaray, o filme reúne ainda no elenco David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg, consolidando uma produção de forte identidade latino-americana.

Também o cinema latino-americano surge representado pela curta-metragem “Madrugada”, do guatemalteco Sebastián Lojo, uma narrativa de contornos fantásticos centrada no universo dos vampiros.

Outros títulos
A Quinzena dos Realizadores, organizada pela Société des Réalisateurs de Films, apresentará este ano 19 longas-metragens, incluindo três documentários e três animações, seleccionados entre cerca de 1.800 candidaturas.
A programação reúne obras de cinco continentes e 19 países, com destaque para cinematografias menos difundidas, como as da Nigéria, Sudão, Guatemala, Venezuela e Chipre.
Entre os destaques figuram “La Libertad Doble”, do argentino Lisandro Alonso, que estabelece um diálogo com a sua obra anterior “Eureka” (2023), e “La Muerte No Tiene Dueño”, do venezuelano Jorge Thielen Armand, um thriller que cruza elementos de fantasia e western com uma leitura da Venezuela contemporânea.
A selecção inclui ainda títulos como “Butterfly Jam”, de Kantemir Balagov, “9 Temples of Heaven”, de Sompot Chidgasornpongse, e “Viva Carmen”, de Sébastien Laudenbach, além de documentários como “Gabin”, de Maxence Voiseux, e “Thanks for Coming”, de Alain Cavalier.
No campo da animação, destacam-se “We Are Aliens”, de Kohei Kadowaki, e “Vertiginous”, de Quentin Dupieux.
Em busca do novo
Na apresentação da programação, o delegado-geral Julien Rejl sublinhou a intenção de reunir obras que escapam a categorias rígidas, colocando em diálogo cineastas em diferentes fases das suas trajectórias.
“Queríamos mostrar, em pé de igualdade, obras que representam cineastas em diferentes fases do seu percurso”, declarou Rejl.
Em paralelo, a secção Acid apresentou uma selecção de nove filmes, incluindo “Barça Zou”, do francês Paul Nouhet, que acompanha um grupo de adolescentes numa viagem a Barcelona guiada pelo universo do skate. Em comunicado, a organização destacou que a programação deste ano reflecte tanto a turbulência do presente como a capacidade inesgotável de lhe resistir.

