«A Black Rift Begins to Yawn» – A noite é vasta, mas a paciência…

Basta espreitar a carreira de Matthew Wade para entendermo-nos, com base do seu trabalho no departamento de animação, que estamos perante alguém fascinado com a estética, e essa mesma, no qual apoia-se essencial o seu segundo trabalho de direção (o primeiro fora “How the Sky Will Melt”, em 2015).

“A Black Rift Begins to Yawn” é um objeto metafisico de uma natureza algo cósmica que se movimenta por territórios, ora fantásticos, ora dimensionais. Percebemos, por ordem da sinopse que nos foi oferecida (“duas mulheres trabalham em um projeto misterioso que distorce suas memórias de tempo, lugar e identidade”), que tudo se desmonta num dispositivo de interesse além-existência, num exercício sobre realidades, e simulacros da mesma em três capítulos (a diferenciação entre eles é quase trabalho para físicos quânticos). O incógnito do seu enredo poderia transportar-nos para um território de abundâncias misteriosas, ou um ambiente quase lyncheano (a música, composta pelo próprio realizador / argumentista, tem essas aspirações) com veias lovecraftianas, mas nada disso, Wade é guiado pela sua própria ambição e esmagado pela mesma.

O que resulta é um filme desconecto, que usa e abusa da contemplatividade sem um ensaio por detrás. É perdido tal como as suas duas protagonistas alicerçadas ao vazio e à repetição, reféns de um estado de transe xamânico apenas expostas pelo abuso de visuais em constante transposição. Em alturas que “The Vast of the Night”, uma lição bem remunerada de mistérios em laços curtos e diretos, tem feito as delicias de quem o visualiza, “A Black Rift Begins to Yawn” é um invertebrado que procura uma inequívoca definição de arthouse. Digamos que é o hieróglifo esteticamente revisto e impostor. Sem salvação!

“Acreditar na Ciência não é o mesmo que acreditar em qualquer outra ‘coisa’. A fé não tem lugar na Ciência.”

«A Black Rift Begins to Yawn» – A noite é vasta, mas a paciência…
Classificação dos Leitores0 Votes
1
Skip to content