Ao som de “O Lago dos Cines”, de Tchaikovsky, começa assim da melhor maneira esta obra prima do cinema de terror, “Drácula”, de Tod Browning. Um filme de uma profunda subtileza que definiu este género cinematográfico, imortalizado até aos dias de hoje, tendo já sido copiado e satirizado inúmeras vezes. Tornou-se num modelo para os filmes de terror, contribuindo para a popularidade do subgénero, os filmes de vampiros.

Produzido em 1931, foi o primeiro filme de monstros dos estúdios Universal, que depois do sucesso deste apostaram em força nos filmes de terror, tendo os estúdios ficado conhecidos como a “casa dos monstros”.

“Drácula” é baseado na obra-prima de Bram Stoker e na peça escrita por Hamilton Deane para a Broadway, em 1927. Influenciado também pela obra de Murnau, “Nosferatu” (1922), Tod Browning tenta recriar esse ambiente pesado e lento no filme. Com um argumento pausado e com muitos diálogos o filme de Browning assemelha-se a uma peça de teatro, o que certamente terá ficado mais barato para a Universal. Poucos cenários, poucos movimentos de câmara, ou seja, com muitos planos estáticos, como era comum na época, que raramente mostram as cenas mais assustadoras. Muitos destes momentos são contados ao longo do filme ou apenas os “vemos” através do som.

Quer a fotografia a preto e branco que cria impressionantes contrastes e sombras, inspirada no expressionismo alemão, quer a direcção artística, ajudam a transformar toda esta atmosfera do filme. No entanto Tod Browning termina a sua obra com um clímax de fraca intensidade. Ouvindo-se mais uma vez fora do ecrã um grito do Conde, indicando que este morreu.

A icónica interpretação de Bela Lugosi, que dá vida ao Conde Drácula, é um dos principais elementos de atracção e fascínio por esta obra. Lugosi, que já tinha interpretado este papel num espectáculo da Broadway, imortalizou-se com este filme. A simplicidade da maquilhagem, a sua presença imponente, sotaque húngaro e ameaçador, dão um maior realismo e força à sua interpretação. O ator húngaro tornou-se num dos raros casos de ser um ator de um só papel. Ficou para sempre conhecido pelo público como o vampiro Drácula. Tornou-se num ícone do terror que contribuiu para um dos maiores sucessos de bilheteira da Universal.

O mundo de “Drácula” de Tod Browning pode conter algumas falhas, mas parece-nos real. É um filme obrigatório, pela sua importância histórica e pela presença ameaçadora de Bela Lugosi.

Nota: Este filme integra o Ciclo de Cinema Aberrações

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Ciclo de Cinema Aberrações: “Drácula” (1931) de Tod Browning
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