Curtas de Daniel Soares e Clara Vieira na seleção oficial da 79.ª edição do Festival de Cannes

As curtas “Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio”, de Daniel Soares, e “Onde Nascem os Pirilampos”, de Clara Vieira, integram a seleção oficial do Festival
"Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio", de Daniel Soares Curtas "Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio", de Daniel Soares Curtas
"Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio", de Daniel Soares

A 79.ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio, anunciou hoje as curtas-metragens que compõe a sua seleção oficial.

A curta-metragem “Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio”, do realizador português Daniel Soares, integra a Competição Oficial de Curtas-Metragens da 79.ª edição do Festival de Cannes, onde terá a sua estreia mundial.

Distribuído pela Agência da Curta Metragem, o filme marca o regresso de Daniel Soares ao Festival de Cannes, contribuindo para a afirmação e reconhecimento internacional do realizador português nos principais festivais de cinema. Em 2024, foi distinguido em Cannes com uma Menção Honrosa à Palma de Ouro pela sua obra “Bad For a Moment”, tendo igualmente apresentado os seus trabalhos em festivais como Locarno e Clermont-Ferrand.

Resultado de uma coprodução entre as produtoras O Som e a Fúria (Portugal), L’Oeil Vif Productions (França), e Kid With a Bike (Portugal), o filme parte de uma imagem inquietante — um grupo de adolescentes flutua rio abaixo, fingindo estar morto para as redes sociais, enquanto um deles vai à deriva.

A obra inscreve-se na linha temática que tem caracterizado o cinema de Daniel Soares, marcado por uma abordagem sensível e crítica às dinâmicas da sociedade contemporânea. Entre os temas recorrentes destacam-se a alienação social, a fragilidade das relações humanas, a precariedade laboral e o impacto das novas formas de comunicação na construção da identidade individual e coletiva.

Com esta seleção, “Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio” (2026, Portugal/França, FIC, 14′) integra um dos mais prestigiados palcos do cinema mundial, reforçando a presença do cinema português no panorama internacional e confirmando Daniel Soares como uma das vozes emergentes a acompanhar de perto.

Daniel Soares é um argumentista e realizador português nascido na Alemanha, cujas curtas-metragens têm estreado em festivais de referência como Cannes, Telluride, Locarno, Clermont-Ferrand, Hong Kong, Shanghai, Winterthur, Seminci e Cairo. O seu trabalho foi distinguido com vários prémios, incluindo a Menção Especial para a Palma de Ouro de Curta-Metragem em Cannes, o Grande Prémio do Júri em Premiers Plans d’Angers, o prémio de Melhor Curta-Metragem Nacional no IndieLisboa e o de Melhor Curta-Metragem Internacional no Zagreb Film Festival. Paralelamente, desenvolve trabalho fotográfico apresentado em instituições como o International Center of Photography, em Nova Iorque.

A competição La Cinef, dedicada a filmes de escola do mundo inteiro e novas vozes do cinema independente conta com o filme “Onde Nascem os Pirilampos”, realizado pela jovem cineasta Clara Vieira, com argumento de Helen Barrocas e produzido por Matilde “Jordão” Lima, da Escola Superior de Teatro e Cinema. A curta-metragem é distribuída pela Portugal Film – Agência Internacional de Cinema Português.

"Onde Nascem os Pirilampos", de Clara Vieira
“Onde Nascem os Pirilampos”, de Clara Vieira

É a quarta vez em duas décadas que Portugal é representado na La Cinef (anteriormente Cinéfondation) e a quarta vez na história da competição que uma produção inteiramente portuguesa é seleccionada, depois das selecções de António Ferreira com a curta luso-alemã “Respirar (Debaixo d’Água)”; do filme “A Viagem”, de Simão Cayatte realizado no âmbito dos seus estudos nos EUA, das seleções de “Corte”, de Afonso e Bernardo Rapazote, em 2020, “Mistida”, de Falcão Nhaga, em 2022 e “O Pássaro de Dentro”, de Laura Anahory, em 2025.

Para a realizadora, de 22 anos, “Onde Nascem os Pirilampos” nasceu da dificuldade de nos definirmos quando o futuro se apresenta incerto. A incapacidade de dois adolescentes assumirem a sua relação amorosa cruza-se com uma consciência ambiental que já não pode ser ignorada. O filme articula autoconhecimento, espiritualidade, ansiedade climática e descoberta do desejo através de uma presença mística numa floresta de magia man-made.

Clara Vieira nasceu dia 7 de abril de 2004 no Porto onde estudou interpretação na Academia Contemporânea do Espetáculo. Atualmente, frequenta a Escola Superior de Teatro e Cinema. Durante o curso, teve oportunidade de realizar a sua primeira curta-metragem “Playground” (2024) e montar o filme “Mãe a Tesoura faz Cócegas” (2025) de Matheus Damasceno.