European Outdoor Film Tour chega a Portugal com documentários sobre aventura e montanha

A estreia do European Outdoor Film Tour terá lugar no dia 22 de abril, no Cinema São Jorge, em Lisboa
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"Soundscape" (2023), de Timmy O'Neill

O European Outdoor Film Tour (EOFT), um dos principais festivais de cinema dedicados à aventura e aos desportos de montanha, estreia-se em Portugal este mês. Com um programa de duas horas, a edição deste ano apresenta seis documentários que levam o público numa viagem pelos cenários mais remotos e desafiantes do mundo.

Cada filme retrata histórias reais de aventureiros que testam os seus limites físicos e mentais em modalidades como alpinismo, escalada, BTT, caiaque, parapente, esqui e snowboard. Mais do que proezas desportivas, o EOFT destaca a ligação humana com a natureza e o espírito de superação.

Considerado o maior festival europeu do género, o EOFT tem sido uma referência na promoção da cultura outdoor, reunindo anualmente milhares de espectadores em diversas cidades. A chegada a Portugal reforça o crescente interesse pelo desporto ao ar livre e pela cinematografia de aventura.

Em que dia e local será a sessão?

A estreia do festival acontece no dia 22 de abril, no Cinema São Jorge, em Lisboa. O evento tem início às 19h e contará com a apresentação de Veridiana Bressane, representante da associação Girls On Board, parceira do festival, que promove a igualdade no desporto e outros valores fundamentais.

A noite também terá a participação especial da austríaca Anna Pixner, protagonista do documentário “Anna”, parcialmente filmado na Serra da Estrela, em Portugal.

Os bilhetes, com preços entre 12 e 18 euros, já estão disponíveis para compra.

Os documentários

Entre os documentários seleccionados, destacam-se histórias de superação e exploração, cada uma oferecendo uma visão única sobre a aventura e a busca por novos horizontes.

“To the Sea” (2024), de Scott Peters, acompanha a jornada de Ben e Hugo, um casal londrino que, em 2013, viajou para Sorsele, no norte da Suécia, com o objectivo de construir uma jangada improvisada feita de paletes de madeira e recipientes de plástico.

Batizada de “Melissa”, a jangada foi lançada no rio Vindelälven, enfrentando rápidos, tempestades e uma jornada difícil até ao mar. Embora inicialmente tivessem planeado uma viagem de duas semanas, a expedição transformou-se num desafio de seis anos. Ben e Hugo retornaram anualmente à Suécia, agora acompanhados pelos seus ukuleles “Vermelho” e “Azul”, para completar o que haviam começado.

“Cycle of Bayanihan” (2024), de Santiago Burin des Roziers, conta a história de Samantha Soriano, uma ciclista profissional de mountain bike, que parte para as Filipinas, um destino muito além das trilhas de BTT.

Nascida e criada nos Estados Unidos, Samantha nunca havia visitado o país de origem do seu pai. Com a sua bicicleta e o desejo de descobrir as suas raízes, ela embarca numa jornada que a conecta com os seus parentes e a insere numa crescente comunidade de mountain bikers. Para Samantha, essa viagem representa o reencontro com uma parte perdida de si mesma.

“Soundscape” (2023), de Timmy O’Neill, leva o público até à imponente parede de rocha “The Incredible Hulk”, na Sierra Nevada, uma vertical de 73 metros. O documentário segue Erik Weihenmayer, um escalador cego, que, ao lado do seu parceiro de escalada, Timmy O’Neill, enfrenta este grande desafio pessoal.

Para Erik, o maior medo não era perder a visão, mas sim ficar de fora de tudo o que é emocionante e aventureiro na vida. A escalada, realizada apenas através do tato e do som, revela uma verdadeira lição de superação.

“Keep It Burning” (2024), de Guillaume Broust, mostra a expedição de Eduard ‘Edu’ Marín, um alpinista catalão que leva o seu pai de 70 anos para as Trango Towers, no Karakoram, com o irmão Alex acompanhando a aventura. Após 13 anos, Edu decide reviver a rota histórica “Chama Eterna” na Trango Torre Sem Nome, uma das maiores façanhas da escalada, criada pelas lendas Wolfgang Güllich e Kurt Albert em 1989 e escalada livre pela primeira vez pelos irmãos Huber em 2009.

No entanto, a verdadeira dificuldade desta jornada não será a escalada em si, mas sim os desafios impostos pela Mãe Natureza durante esta expedição em família.

“Backyard” (2024), de Tim Marcour, segue a freeskier Nadine Wallner, que, embora já tenha viajado para o Peru e o Alasca, realiza o grande sonho de fazer cinco corridas de freeride num único dia, somando 3.000 metros de altitude e 25 km, na sua casa em Arlberg.

Com a ajuda dos guias de montanha Yannick Glatthard e Dino Flatz, Nadine enfrenta não apenas a subida e descida das montanhas, mas também obstáculos inesperados entre Albonakopf e Westlicher Eisentalerspitze, desafiando os seus próprios limites num projecto que ela planeou durante anos.

Por fim, “Anna” (2024), de Rodrigo Soares, apresenta a história de Anna Pixner, uma patinadora austríaca de downhill, que nos leva numa jornada selvagem pelo mundo e por dentro de si mesma. Envolta em curvas apertadas e faíscas, Anna encontra na velocidade do skate, e particularmente no longboard nas montanhas, um antídoto para a sua ansiedade social. A modalidade transforma-se para ela não apenas numa forma de expressão, mas também numa maneira de se conectar com uma comunidade internacional de pessoas com ideias semelhantes.

O que é o European Outdoor Film Tour (EOFT)?

O European Outdoor Film Tour (EOFT) é o maior festival de cinema de aventura e natureza da Europa e, desde 2001, tem levado o melhor do cinema outdoor a vários países europeus, durante os meses de outono e inverno. Este evento é mais do que um simples festival de filmes; é uma celebração da natureza e dos desafios que ela enfrenta.

As montanhas selvagens e imponentes, que são frequentemente o cenário dessas aventuras cinematográficas, não são apenas locais de exploração, mas habitats cruciais para a biodiversidade, que estão em risco de desaparecer.

Como a organização do EOFT explica, “o objectivo é reflectir, a cada ano, sobre a diversidade desses ambientes e os desafios que eles enfrentam. Só com uma visão global e colectiva poderemos entender a magnitude do que está em jogo e encontrar soluções para preservar esses espaços vitais”.

A cada edição, o EOFT supera-se ao apresentar histórias inspiradoras de aventureiros e exploradores, com paisagens deslumbrantes que nos transportam para lugares remotos e pouco conhecidos. A edição 2024-2025, que estreou mundialmente em Outubro de 2024 em Munique (Alemanha), já percorreu 28 países e teve mais de 600 projecções, trazendo documentários cheios de contrastes, estreias exclusivas e uma ligação profunda com a natureza e o espírito humano.

Desde o início, o EOFT tem alinhado a sua programação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e com a Agenda 2030 para uma Economia Circular, comprometendo-se com os princípios de educação, sensibilização e acção, que também são promovidos pelo Governo de Espanha no contexto da quarta revolução industrial.