Festival Internacional Cine Gibara 2024: “Como Matar Uma Boneca” ganha Prémio de Melhor Curta-metragem de Ficção

O projeto fez a sua estreia internacional no FESTin, em Lisboa
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Divulgação/ Experimental Filmes

O curta-metragem brasileiro “Como Matar Uma Boneca” recebeu o Prémio de Melhor Curta-metragem de Ficção, concedido pelo Júri Jovem, no 18.º Festival Internacional Cine Gibara, realizado de 6 a 10 de agosto em Havana, Cuba.

Este reconhecimento ao trabalho do realizador Alek Lean destaca-se como mais um marco numa sequência de êxitos recentes para o filme, consolidando-o num dos mais prestigiados festivais de cinema do país.

Outros prémios

Antes de ser reconhecido em Cuba, o curta-metragem já havia sido distinguido em vários festivais internacionais.

Alek Lean recebeu o Prémio da Crítica de Melhor Argumento no 1.º Festival de Cinema de Xerém, organizado pela EBAV em parceria com o Instituto Zeca Pagodinho.

Além disso, “Como Matar Uma Boneca” conquistou o Prémio de Melhor Curta de Conscientização Social na Índia (SIFF), e foi laureado com três prémios de Melhor Argumento: no Festival Internacional de Cinema de Curta-metragem do Rio de Janeiro, no CCAIFF de Pernambuco, e no Brazil New Visions Film Festival.

O projeto de Lean também venceu o Prémio LabCurta – FUNARJ e teve a sua estreia internacional em Lisboa, no FESTin, bem como no Festival Guarnicê de Cinema, no Maranhão, um dos mais antigos e tradicionais do Brasil.

O curta-metragem foi ainda escolhido para encerrar o Inside Nollywood International Film Festival & Awards (INIFFAA), um evento que celebra as realizações de criadores africanos e cineastas de ascendência africana em todo o mundo.

Como Matar Uma Boneca

A trama do filme centra-se em “Senhora”, uma fotógrafa ambiental sensitiva que capta energias através de uma guia de Oxumaré que carrega ao peito. Após encontrar uma boneca na mata fechada, decide entregá-la na casa mais próxima.

Por coincidência, a boneca pertence à dona da casa, uma mulher peculiar que demonstra um comportamento inquietante em relação ao brinquedo. Com poucos diálogos, o filme utiliza símbolos e easter eggs para tecer críticas e reflexões sobre os últimos anos.

Com uma linguagem que mistura mistério e horror, “Como Matar Uma Boneca” é assinado pelo premiado realizador Alek Lean, conhecido pelas suas experimentações em diversos géneros, como nos sucessos de videoarte “Por trás das tintas” e no docudrama “Eu não nasci pra ser discreta”, ambos disponíveis na plataforma Todesplay

“Este filme traz simbolismos relacionados com o passado e o presente. Referências como os grãos de café na cama da boneca, relacionados aos escravizados brasileiros que eram forçados a trabalhar no campo e a bandeira do Brasil rasgada e virada de cabeça para baixo, representando os extremistas brasileiros que usam a bandeira e sua crença religiosa para defender seus preconceitos contra as minorias. O filme também inverte os valores que sempre foram perpetuados nos filmes de horror em que a religião de matriz africana representava o mal. Uma verdadeira mensagem para que se denuncie as violências o mais rápido que puder, não sejamos omissos ou coniventes.”, reflete o realizador do filme.

Alek Lean

Alek Lean, pedagogo, produtor, argumentista e realizador, construiu uma carreira sólida e diversa, com uma formação que inclui estudos na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e no Centro AfroCarioca de Cinema Zózimo Bulbul.

Os seus filmes já alcançaram mais de 50 países, acumulando prémios em festivais em quatro continentes. Entre os seus principais reconhecimentos estão o Prémio de Melhor Curta Internacional no Caribe, mais de 10 Menções Honrosas do Júri em festivais no Brasil, África e Europa, e o Prémio Latinx21 em Los Angeles.

Além de seu trabalho como realizador, Lean é o criador do coletivo Experimental Filmes, que foca em temas de direitos humanos, e é curador da Mostra de Cinema Curta Meriti.

Em 2022, foi homenageado com o Prémio Orgulho da Diáspora Africana de Literatura na FLIDAM, e em 2023, recebeu o Prémio Pretas Potências na categoria audiovisual.