MDOC 2025: “Cutting Through Rocks” melhor longa Internacional, ” Kora” é Melhor Documentário Português

O prémio Jean-Loup Passek para Melhor Longa-metragem Internacional foi atribuído a “Cutting Through Rocks”, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni
"Cutting Through Rocks", de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni "Cutting Through Rocks", de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni
"Cutting Through Rocks", de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni

Já são conhecidos os vencedores da 11.ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, que decorreu de 28 de julho a 3 de agosto. O prémio Jean-Loup Passek para Melhor Longa-metragem Internacional foi atribuído a “Cutting Through Rocks”, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni. “Al Basateen”, de Antoine Chapon conquistou a Melhor Curta ou Média metragem e o galardão para Melhor Documentário Português foi para Kora“, de Cláudia Varejão.

O mundo de Melgaço agigantou-se com mais uma edição, a 11.ª do Festival Internacional de Documentário de Melgaço. O MDOC chega ao fim com mais uma edição que voltou a trazer a vila raiana novas abordagens sobre o que inquieta ou nos posiciona num lugar de esperança, tendo sempre como temática transversal a identidade, memória e fronteira.

Entre 28 de julho e 3 de agosto, o júri teve a oportunidade de apreciar as 16 curtas e médias metragens e 17 longas-metragens (28 foram estreias nacionais) em competição para os prémios Jean-Loup Passek, D. Quixote (FICC) e, pela primeira vez, ao FIPRESCI Prize, atribuído pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. Este domingo, 3 de agosto, foram finalmente conhecidos na Casa da Cultura os vencedores da edição 2025 do MDOC que, este ano, contou com mais de 4500 espetadores e a presença de mais de 15 realizadores e produtores.

O prémio Jean-Loup Passek para Melhor Documentário Internacional foi atribuído a “Cutting Through Rocks” (Estados Unidos) de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, um filme sobre Sara Shahverdi, a primeira vereadora eleita de uma aldeia iraniana, que tenta quebrar as tradições patriarcais ao ensinar raparigas adolescentes a andar de mota e acabar com casamentos infantis. Um testemunho poderoso revelador das diferentes camadas de resistência e transformação no Irão contemporâneo em constante tensão geopolítica e social.

Nesta categoria, “Afterwar” (Dinamarca) de Birgitte Stærmose arrecada a Menção Honrosa. Este é um projeto tocante realizado por Birgitte Stærmose filmado ao longo de 15 anos e que acompanhou um grupo de crianças entre 2008-2018, desde o tempo em que vendiam cigarros e amendoins nas ruas de Pristina até à sua vida adulta. Uma narrativa coletiva sobre um dos mais negros capítulos da história contemporânea da Europa – a guerra no Kosovo – que continua a ser (re)vivida nas pessoas e nos espaços.

A Melhor Curta ou Média metragem Internacional foi atribuída a uma curta subtil e comovente sobre memória e reconstrução “Al Basateen”, de Antoine Chapon.  Já “Kora” de Cláudia Varejão conquistou o prémio de Melhor Documentário Português, com mais um filme revelador do traço identificativo do trabalho desta cineasta e fotógrafa portuense – a estreita proximidade com as pessoas retratadas, no caso, um olhar íntimo das mulheres refugiadas a viver em Portugal com passado no corpo e nas palavras.

O júri oficial da edição 2025 do MDOC — Festival Internacional de Documentário de Melgaço foi composto por Jurek Sehrt, Noé Mendelle, Paulo Portugal, Renata Ferraz e Sandra Ruesga.

FIPRESCI Prize, é um dos reconhecimentos mais importantes do cinema mundial – concedido por críticos de cinema da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. O júri composto por Barbara Lorey, Teresa Vena e Marina Kostova atribuiu o Prémio FIPRESCI ao filme “My Memory is Full of Ghosts”, de Anas Zawahri, uma elegia visual comovente sobre o absurdo da guerra.

O mesmo filme conquistou também o Prémio D. Quixote (da IFFS – Federação Internacional de Cineclubes atribuído em Festivais de Cinema selecionados) para Melhor Filme. Já a Melhor Curta metragem foi atribuída ao sensorial e político “Beneath Which Rivers Flow”, de Ali Yahya.

Uma vez mais, o MDOC reafirmou o seu compromisso com o cinema documental atento às periferias sociais, políticas e geográficas. Com uma programação que reuniu filmes de dezenas de países (incluindo sobre o território melgacense com a estreia dos filmes resultantes da Residência de Cinema de 2024), o festival premiou, este ano, documentários que se destacaram pela sua força poética, política e dimensão humana.