Morreu ontem (19 de janeiro) um dos nomes mais importantes do cinema português, o produtor Henrique Espírito Santo, aos 87 anos, num hospital de Lisboa.

A Cinemateca Portuguesa descreve-o como um “cineclubista de formação, antifascista militante por convicção, diretor de produção e produtor de profissão e, ‘last but not the least’, formador de toda uma geração de profissionais de cinema, na área da produção”.

“Foi com grande emoção que recebemos ao principio desta tarde a notícia da morte do nosso querido amigo e Membro Honorário desta Academia, Henrique Espírito Santo. Oriundo do Cineclubismo das décadas de 50 e 60, foi na área da Produção que teve acção determinante enquanto Director de Produção e mais tarde como Produtor, tendo trabalhado com práticamente toda uma geração de cineastas. Vimo-lo também no ecran enquanto actor em mais de duas dezenas de filmes, desde “Meus Amigos” (1974) de António da Cunha Teles, até “Ramiro” (2017) de Manuel Mozos. Para além de tudo o Henrique era um formador incansável, transmitindo o seu saber e técnica a centenas de jovens a quem incutiu o amor pela arte cinematográfica.”, escreveu a Academia Portuguesa de Cinema na sua página de Facebook.

Nascido em 1932, Henrique Espírito Santo começou a sua carreira nos anos 60 com publicidades, documentários e curtas-metragens. Em 1972 foi diretor de produção do Centro Português de Cinema (a primeira cooperativa de cinema em Portugal, fundada em 1969). Henrique produziu filmes de realizadores incontornáveis como José Fonseca e Costa, Manoel de Oliveira, António da Cunha Telles, António de Macedo, João César Monteiro e Solveig Nordlund.

Entre os filmes mais importantes da sua longa carreira destacam-se por exemplo “A Promessa” (1972), de António de Macedo, que entrou na seleção oficial do Festival de Cannes, em 1973, “Jaime”  (1974), de António Reis, “Benilde ou a Virgem Mãe” (1974), de Manoel de Oliveira, “Veredas” (1977), de João César Monteiro, “Amor de Perdição” (1979), de Manoel de Oliveira, e “Cinco Dias, Cinco Noites” (1995), de José Fonseca e Costa.

Em 2014, Henrique recebeu da Academia Portuguesa de Cinema o Prémio Sophia de Carreira.