Olhares do Mediterrâneo divulga o programa da 12ª edição

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Com o tema “Semear Resistências, Cultivar Utopias”, a 12ª edição do Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival terá uma duração de 10 dias, de 28 de Outubro a 6 de Novembro, e estará presente em seis espaços de Lisboa: o Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa, o Museu do Aljube, a Casa do Comum, o ISCTE-IUL e o Goethe-Institut.

Com a missão de promover o cinema feito pelas mulheres do Mediterrâneo através de filmes que incentivam o debate sobre temas impactantes e às vezes polémicos, o festival propõe uma programação cinematográfica de 63 filmes (longas e curtas-metragens) produzidos por 29 países. Deste total, 12 são produções portuguesas, incluindo a estreia mundial do documentário “Mulheres, Terra, Revolução”, de Rita Calvário e Cecília Honório.

O festival arranca no dia 28 de Outubro no Museu do Aljube, mas a sessão oficial de abertura está marcada para 30 de Outubro no Cinema São Jorge, com o filme “Where the Wind Comes From”, primeira longa-metragem da jovem e promissora realizadora tunisina Amel Guellaty. Esta coprodução da Tunísia, França e Qatar, que teve a sua estreia nas edições mais recentes do Sundance Festival e do International Film Festival Rotterdam, é um road movie que acompanha Alyssa e Mehdi – ela rebelde e imprudente, ele sensível e cauteloso – numa viagem pela Tunísia em busca de liberdade.

Na sessão de encerramento da secção competitiva do Festival, no dia 2 de Novembro no Cinema São Jorge, é exibido “The Dreamer”, realizado pela francesa Anaïs Tellenne. Apresentado na selecção oficial da 80ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Veneza, o filme debruça-se sobre o impacto da arte na vida e sobre como o olhar dos outros nos condiciona e define. A longa-metragem é inspirada no actor Raphaël Thiéry, que interpreta o protagonista homónimo, e retrata o encontro entre um homem de quase 60 anos com apenas um olho, que parece um gigante gentil, e uma artista plástica carismática e desinibida.

Os filmes em competição são 53, organizados em quatro secções: Competição geral longas-metragens, Competição geral curtas-metragens, Secção Especial Travessias, composta por filmes sobre migrações, racismo e colonialismo e a Competição Começar a Olhar, com filmes de escola.

O programa inclui ainda vários filmes fora de competição. Vencedor do prémio de melhor documentário no Festival de Cannes de 2024, “The Brink of Dreams”, da dupla egípcia Nada Riyadh e Ayman El Amir, será exibido no Cinema São Jorge a 31 de Outubro, precedido por uma masterclass da realizadora Nada Riyadh. Esta é a segunda obra do casal e foi filmada em uma pequena localidade isolada no sul do Egipto, onde um grupo de raparigas decidiu formar uma trupe de teatro de rua exclusivamente feminina.

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“The Brink of Dreams”, de Nada Riyadh e Ayman El Amir

“Guardadoras de Histórias, Guardiãs da Palavra”, de Raquel Freire, será apresentado no Museu do Aljube no dia 4 de Novembro. Este documentário amplia as vozes de escritoras de várias gerações, dos países do Atlântico afro-luso-brasileiro, que falam de criação, memórias, periferias e resistências literárias e culturais.

De 3 a 6 de Novembro, na Cinemateca Portuguesa são apresentados quatro filmes de duas cineastas balcânicas, a realizadora e produtora bósnia Jasmila Žbanić e a actriz e realizadora sérvia Mirjana Karanović. Trata-se de uma mostra focada na narração da violência e dos genocídios que marcaram a Guerra Civil Jugoslava (1991-2001). A mostra, que contará com a presença das duas realizadoras, testemunha como o cinema pode ser uma forma de resistência contra a violência e o sectarismo. Em programa, três obras de Jasmila Žbanić – “Esma’s Secret”, com Mirjana Karanović no papel de protagonista e vencedor do Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2006, “On The Path” (2010), nunca exibido antes em Portugal, e “Quo Vadis, Aida?” (2020) – e “A Good Wife” (2016), realizado por Mirjana Karanović e produzido por Žbanić.

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“Esma’s Secret”, com Mirjana Karanović

Uma novidade na programação deste ano é a presença proeminente das questões ambientais, com duas sessões de filmes que se debruçam de formas muito diferentes sobre a relação entre os humanos e a natureza, e um workshop intitulado “Can Cinema Help Save the Planet?”. Outros temas fortes do Festival são o assédio sexual e a violência de género, a ocupação israelita da Palestina, a luta pela independência das mulheres saharawis, e as histórias das mulheres curdas e yazidis. Na secção temática Travessias, o enfoque continua a ser nos refugiados, nas migrações forçadas, no racismo e no colonialismo passado e presente.

Além das sessões para escolas no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa, o festival apresenta uma sessão para famílias na manhã de domingo, 2 de Novembro, no Cinema São Jorge, com sete curtas de ficção e animação para crianças dos 6 aos 12 anos.

Haverá uma série de actividades paralelas, como uma Awareness Workshop dedicada ao tema da acessibilidade do cinema em sala na óptica das pessoas com incapacidade visual e auditiva; uma sessão de pitching de curtas-metragens de realizadoras em início de carreira; e uma mesa-redonda sobre a criação de programas de indústria originais e impactantes em festivais pequenos e/ou periféricos, capazes de impulsionar o trabalho das mulheres.

Renova-se também a colaboração do festival com a MUTIM – Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, com duas actividades no Goethe-Institut: a 2ª edição do workshop de escrita para cinema e o 3º Encontro Olhares do Mediterrâneo / MUTIM, sobre o tema “Como fugir a estereótipos na escrita de intimidade?”.

Para mais informações, consultar o site do festival.