Como se depois de “Isto não é um filme” (2011), fosse preciso confirmar que Jafar Panahi é um dos grandes cineastas da atualidade. Se ainda restavam dúvidas, “Táxi de Jafar Panahi” clarifica tudo. O cineasta iraniano torna a tirar partido da sua situação de clandestinidade e de censura imposta pelo seu país, que o proíbe de filmar durante vinte anos. De uma forma criativa, inteligente e simples, Panahi cria mais uma vez um filme surpreendente e comovente sobre a liberdade de expressão e sobre o próprio cinema.

Depois de ter sido já várias vezes preso, de ter sido condenado a seis anos de prisão e vinte anos de proibição de filmar ou de sair do país por, alegadamente, fazer “filmes críticos do regime”, o iraniano vive em prisão domiciliária, impossibilitado de filmar. No entanto, este é já o seu terceiro filme clandestino que reflete novamente a sua situação muito difícil, quer pessoal, quer profissional.

Numa mistura de ficção e documentário, o próprio Jafar Panahi conduz um táxi pelas ruas de Teerão, para conversar com os passageiros que vão entrando, tentando saber, através do seu quotidiano, as suas opiniões sobre a vida e a política do Irão.

Através desta viagem, o realizador acaba por conseguir capturar o espírito da atual sociedade iraniana. Entre os passageiros Jafar conhece pessoas novas, como um homem ferido que a sua mulher pede para levar ao hospital, mas também reencontra velhos amigos, o amigo que lhe levava filmes clandestinos, o velho amigo do seu bairro que não via há muitos anos, a sua advogada, que lhe oferece uma rosa, e a sua pequena sobrinha. Esta, oferece muito ao novo filme de Jafar, pois ela vai ao encontro do discurso que o realizador pretende, sendo ela um reflexo irreverente claro do seu tio. Também ela quer fazer um filme, para um trabalho na escola. Mas esta instituição impõe-lhe uma série restrições que a vão deixar confusa e indignada. Há um evidente paralelismo entre a situação da sobrinha e do tio, pois ambos querem fazer um filme, mas são censurados.  Ficamos aqui a saber as regras que são impostas na escola sobre o que é ‘um filme distribuível’. O que se verifica a certa altura desta narrativa é que temos um filme dentro de um filme, com imagens da câmara do táxi de Jafar e com imagens da câmara da sobrinha.

Jafar Panahi demonstra mais uma vez uma grande coragem e uma grande criatividade, num filme que abrange temas como a política nacional, a vida na cidade de Teerão e a liberdade de expressão no cinema. Apesar de serem temas bastante sérios e dramáticos, o realizador transmite sempre um grande sentido de humor.

“Táxi de Jafar Panahi”, que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2015, é sem dúvida um filme espantoso e um dos melhores do ano.

Realização: Jafar Panahi

Argumento: Jafar Panahi

Elenco: Jafar Panahi

Irão/2015 – Drama

Sinopse: Um táxi circula pelas ruas coloridas e vibrantes de Teerão. Vários passageiros entram no táxi e vão falando ingenuamente sobre as suas opiniões com o taxista, que é o próprio realizador Jafar Panahi. A câmara colocada no seu estúdio móvel permite capturar o espírito da sociedade Iraniana através desta viagem divertida e dramática. «Táxi» foi distinguido com o Urso de Ouro para Melhor Filme no Festival de Berlim.

«Táxi de Jafar Panahi» - Um clandestino em Teerão
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