«The White Fortress» – o encanto da juventude em futuros cercados

Focamos em dois aspetos neste Saraievo pós-guerra. Uma, a vontade indómita duma juventude, em diferentes formas de orfandade, em evadirem da terra que não consegue cumpre os seus futuros desejos. Entre a repudia e o saudosismo iminente, todos eles anseiam numa saída sem bagagens. Segunda, a cerca fantasiosa que o realizador Igor Drljača constrói envolta destes dois “marginalizados”, um Romeu e Julieta infligido como alternativa ao mundo que os rodeia ao invés de proclamação de um romance puro e monoteísta.

Dois elementos essenciais que suscitam o entendimento para com as linhas-guias destes jovens, sem nada em comum e de classes sociais distintas, que se aconchegam nas suas e determinadas diferenças, que vão desaguar em igualdades não notadas. Ele, Faruck (Pavle Cemerikic), vivendo com a sua avó, sonha em fazer a diferença contra forças invisíveis que o sufocam. Assim sente ao assistir repetidamente a filmes antigos de invasões nazis em território bósnio, porém, na sua e dita “vida real”, esta é determinada pelos desejos de um criminoso local como prova de subsistência.

Ela, Mona (Sumeja Dardagan), filha de um político em ascensão, possui um destino traçado por uma eventual ida (sem volta) para o Canadá, sente-se deslocada do seu meio, classe e da vida confortável que a espera. O encontro destas duas almas errantes, num flirt trivial e despido de qualquer um romantismo hipérbole juvenil, converte-se num refúgio, que se erguerá como um monumento intacto e intemporal [na estrutura do Bijela Tabija, fortaleza histórica da cidade].

“The White Fortress” (“Tabija”) é uma obra de sentimentos que se expõe as suas devidas causas para serem dissecadas, e nesse aspeto a inércia com o que o enredo depara no seu desenvolvimento é só uma cedência para que estes jovens, disfarçados nas suas juras amorosas, representem gerações inconformadas, enganadas e falseadas com promessas várias. É tudo representações, alusões, e até mesmo no pretexto deste coming-of-age, tudo voluntária burla.

Drljača cita o amor como “luxo” de poucos e o medo como transformador de Homens em cães amestrados, um discurso que parece ser amolecido por um romance trivial, daqueles que a “flor da idade” encontra-se cheia.

«The White Fortress» – o encanto da juventude em futuros cercados
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