Brasil: Canal Brasil exibe mostra sobre Cinema Marginal

Nos dias 15 e 16 de julho, programação reúne produções que integram o movimento cinematográfico, com filmes autorais e experimentais sobre os tempos de repressão da ditadura militar no Brasil
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“À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, de José Mojica Marins

Nos dias 15 e 16 de julho, a partir das 22h, o Canal Brasil irá exibir a Mostra Cinema Marginal, com seis produções icónicas do movimento também conhecido como Cinema de Invenção.

A seleção inclui títulos como: “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, “A Margem”, de Ozualdo Candeias, “Meteorango Kid”, de André Luiz Oliveira, “Matou a Família e Foi ao Cinema”, de Júlio Bressane, “Bang Bang”, de Andrea Tonacci e “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, de José Mojica Marins.

Cinema Marginal

O Cinema Marginal, que se consolidou entre os anos de 1960 e 1970, caracterizava-se por retratar a realidade de grupos marginalizados e refletir sobre a violência e a censura da ditadura militar através de paródias, denúncias, sarcasmos, erotismo e violência.

Além disso, o movimento tinha o intuito de modificar as estruturas do cinema brasileiro em relação ao modelo de produção, à construção narrativa, à linguagem visual, entre outros aspectos.

Destaques da mostra

Matou a Família e Foi ao Cinema

Um dos marcos do movimento Cinema Marginal, o filme “Matou a Família e Foi ao Cinema”, realizado por Júlio Bressane, abre a mostra.

A trama relata o assassinato dos pais pelo seu filho que, depois, vai ao cinema assistir ao filme “Perdidos no Amor”. Em paralelo, surgem outras histórias de assassinatos no interior, entre elas a de um preso político torturado.

Selecionado como o 38º na lista dos 100 melhores filmes brasileiros pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), o clássico foi refilmado em 1991, pelo diretor mineiro Neville D’Almeida.

A Margem

Pioneiro do cinema marginal paulista da Boca do Lixo em 1967, “A Margem”, do diretor Ozualdo Candeias, também faz parte da programação.

O filme é ambientado nas margens do rio Tietê e no centro de São Paulo, e retrata histórias de dois casais que se sustentam de diversas formas, como pela prostituição.

Apesar do período de repressão às artes e da falta de recursos para os cineastas, esse foi um dos longas-metragens do Cinema Marginal que recebeu prémios como a Menção Honrosa de Melhor Música e Melhor Atriz (Valéria Vidal) do Festival de Brasília (1967); e a Melhor Realização, Melhor Atriz Secundária (Valéria Vidal) e Melhor Música do extinto Instituto Nacional de Cinema (1968) – responsável legislativamente pelo fomento, incentivo e fiscalização de filmes brasileiros até o decreto do Ato Institucional Número Cinco (AI-5).

“A Margem” também integra o ranking de melhores filmes brasileiros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).


Cinema Marginal – Segunda e terça, 15/07 e 16/07, a partir das 22h

Segunda (15/07)

– 22h – “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) – Realização: Rogério Sganzerla

– 23h35 – “A Margem” (1967) – Realização: Ozualdo Candeias

– 1h05 – “Meteorango Kid” (1969) – Realização: André Luiz Oliveira

 

Terça (16/07)

– 22h – “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1969) – Realização: Júlio Bressane

– 23h05 – “Bang Bang” (1971) – Realização: Andrea Tonacci

– 0h30 – “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964) – Realização: José Mojica Marins