O conto de fadas de Shrek e Fiona prepara-se para regressar ao grande ecrã. A DreamWorks Animation e a Universal Pictures anunciaram um relançamento especial de “Shrek”, que assinala as bodas de prata do casal mais improvável da animação. O filme terá exibição limitada a partir de quinta-feira, 14 de Maio.
Realizado por Andrew Adamson e Vicky Jenson, e inspirado no livro infantil “Shrek!”, de William Steig, publicado em 1990, o filme acompanha a história de Shrek, um ogre mal-humorado que deseja apenas viver em paz no seu pântano. A tranquilidade termina quando várias personagens de contos de fadas, expulsas do reino de Duloc pelo tirânico Lorde Farquaad, invadem a sua propriedade.
Entre os visitantes inesperados encontra-se o irreverente Burro, personagem dobrada por Eddie Murphy, que acompanha Shrek numa missão para confrontar Farquaad e recuperar o seu lar. Em paralelo, o governante pretende casar-se com a princesa Fiona para se tornar rei, mas a jovem encontra-se presa numa torre guardada por um dragão. Para evitar o perigo, Farquaad propõe um acordo a Shrek: resgatar Fiona em troca da devolução do pântano.
O que começa como uma missão de conveniência transforma-se numa aventura marcada por amizade, romance e heroísmo, elementos que ajudaram a tornar “Shrek” num fenómeno global.
Lançamento e recepção
Lançado originalmente em Maio de 2001, “Shrek” teve estreia em competição no Festival de Cannes, distinção pouco comum para uma longa-metragem de animação. O filme arrecadou mais de 268 milhões de dólares nos Estados Unidos e cerca de 485 milhões em todo o mundo, figurando entre os maiores sucessos de bilheteira desse ano.
A recepção crítica também foi amplamente positiva. O humor irreverente, o argumento criativo e as interpretações vocais de Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz e John Lithgow foram amplamente elogiados.
Na temporada de prémios, “Shrek” conquistou o primeiro Óscar de Melhor Filme de Animação, na 74.ª edição dos prémios da Academia, além de uma nomeação para Melhor Argumento Adaptado. Recebeu ainda seis nomeações aos BAFTA e distinções em várias outras cerimónias.
A banda sonora, marcada por temas pop e rock, tornou-se igualmente emblemática, com músicas de artistas como Smash Mouth, The Proclaimers, Eels e Rufus Wainwright. O álbum alcançou destaque comercial e continua associado à identidade do filme.
O impacto estendeu-se também às tabelas musicais: “All Star”, dos Smash Mouth, ganhou nova projecção após integrar o filme, enquanto a versão de “I’m a Believer”, originalmente celebrizada pelos Monkees, alcançou o 15.º lugar na tabela Billboard.
Impacto
Mais do que um êxito isolado, “Shrek” consolidou-se como personagem-símbolo da DreamWorks. Em declarações à jornalista Gina Cherelus, Jerry Beck, historiador de animação, afirmou que o ogre ajudou a definir o rumo criativo do estúdio nos anos seguintes, inspirando produções de histórias invulgares e irreverentes, em contraste com a tradição clássica dos contos de fadas popularizada pela Disney.
Beck considera ainda que a ligação do público à personagem permanece actual. “Posso identificar-me com o Shrek, fico daquele jeito quando acordo cedo”, afirmou, acrescentando que muitas pessoas reconhecem no ogre uma figura próxima do quotidiano.
Para o especialista, o filme cumpre um duplo propósito: satiriza a vida moderna e, ao mesmo tempo, brinca com narrativas que atravessaram gerações.
Além do impacto comercial, “Shrek” influenciou gerações pela forma como abordou o amor verdadeiro, a auto-aceitação, a identidade e a amizade, recusando o modelo tradicional da donzela indefesa à espera de resgate.
Décadas depois, a presença do filme mantém-se viva nas redes sociais, onde memes inspirados no ogre se transformaram numa linguagem própria da cultura digital. A personagem continua também a ser evocada como símbolo de relações construídas pela personalidade e não pela aparência.
Êxito
O êxito deu origem a três sequelas: “Shrek 2” (2004), “Shrek – O Terceiro” (2007) e “Shrek Para Sempre” (2010), além de especiais televisivos e de dois filmes centrados no Gato das Botas.
Entre eles, “Shrek 2” destacou-se como um fenómeno ainda maior, ao arrecadar 928,7 milhões de dólares em todo o mundo e tornar-se a maior bilheteira global de 2004. Nos Estados Unidos, registou então o segundo maior fim-de-semana de estreia de três dias da história e a melhor abertura de sempre para um filme de animação à época. Até hoje, continua a ser o maior sucesso comercial da DreamWorks Animation, tendo mantido o título de animação mais lucrativa do mundo até à chegada de “Toy Story 3”, em 2010.
Já entre os derivados, “Gato das Botas 2: O Último Desejo” confirmou a vitalidade da franquia. Apesar de uma estreia modesta no mercado norte-americano, com 12,4 milhões de dólares, o filme ganhou fôlego nas semanas seguintes e alcançou 180,4 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá. No mercado internacional, somou cerca de 297,5 milhões, encerrando o percurso comercial com 482,8 milhões de dólares em receitas globais. Tornou-se, assim, a segunda maior bilheteira de animação de 2022, atrás apenas de “Mínimos 2: A Origem de Gru”, e uma das dez maiores receitas mundiais do ano.
A marca expandiu-se ainda para outras áreas do entretenimento, com uma atracção em parque temático, um espectáculo da Broadway e até uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Shrek 5
O universo da saga continuará a expandir-se em 30 de Junho de 2027, data marcada para a estreia de “Shrek 5”. O novo capítulo reunirá Mike Myers, Eddie Murphy e Cameron Diaz nos papéis principais, juntando ainda Zendaya, Marcello Hernández e Skyler Gisondo no elenco. A realização ficará a cargo de Conrad Vernon e Walt Dohrn, com co-realização de Brad Ableson.

