“Zootrópolis 2”: uma jogada segura com mensagem importante

Entre fórmulas já utilizadas e repetições, a cidade dos animais ganha uma continuação onde fala sobre especulação imobiliária e gentrificação
Zootrópolis 2 Zootrópolis 2
"Zootrópolis 2", de Jared Bush e Byron Howard

A especulação imobiliária e a gentrificação também atingem as cidades utópicas, basta que o poder se concentre em mãos ambiciosas e inescrupulosas.

Demorou quase dez anos, mas “Zootrópolis” ganhou uma continuação que se passa apenas uma semana após os eventos do primeiro filme. No entanto, apesar de a coelhinha Judy Hopps e da raposa Nick Wilde terem salvado a cidade dos planos da vice-prefeita, o departamento de polícia ainda não aceitou criaturas tão pequenas a participar das actividades de campo.

Assim, começamos o segundo filme com a dupla mais uma vez a tentar provar a sua capacidade de lutar contra o crime. Porém, a ansiedade por serem aceites leva-os a agir de forma independente e, rapidamente, caem numa armadilha que os torna bodes expiatórios de uma antiga conspiração que expulsou todos os répteis do paraíso metropolitano animal anos atrás.

O longa-metragem animado de aventura policial antropomórfica consagrou-se em 2016 ao conquistar uma das maiores bilheteiras nas animações (US$ 1,864 mil milhões em todo o mundo). Infelizmente, a produção teve medo de ousar e, além de repetir o género narrativo, também revisitou vários temas já utilizados, apenas com roupagens levemente diferentes, mas ainda reconhecíveis.

Desta forma, acompanhamos a investigação dos dois sobre o passado misterioso de “Zootrópolis”, enquanto são perseguidos pela força policial. Com os agentes a responder directamente à família Lynxley, os ricos descendentes do fundador da cidade que, além de já serem donos de metade do território, têm planos agressivos de expansão (mesmo que algumas espécies não tenham mais onde morar no processo).

É interessante como o argumento trabalha a ideia de gentrificação, principalmente apresentando o artifício da criação de narrativas que possam justificar essa expansão e a expulsão de determinados grupos, simplesmente convencendo a cidade de que eles são os inimigos e precisam ser eliminados (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência).

Porém, de certa forma, não passa de uma repetição dos temas já apresentados no primeiro “Zootrópolis”. Tal como os conflitos entre a coelhinha idealista, que encara perigos de frente como uma figura heroica clássica, e a raposa que sobrevive com base na malandragem e está mais preocupada com a própria sobrevivência. Conflito que os separa apenas para que percebam que se complementam pouco depois.

Enfim, a produção jogou pelo seguro e, apesar de trazer questionamentos interessantes e expandir o cenário apresentado anteriormente, não conseguiu surpreender como já tinha feito uma vez.

Zootrópolis 2
“Zootrópolis 2”: uma jogada segura com mensagem importante
Classificação dos Leitores0 Votes
3