A animação francesa “Arco”, desenhada à mão e realizada por Ugo Bienvenu, estreia nos cinemas portugueses no próximo dia 15 de Janeiro, trazendo consigo um impressionante percurso crítico e festivaliero que a coloca entre as obras mais celebradas da animação contemporânea.
Considerado pelo site Collider “um dos melhores filmes de animação da década”, o filme propõe uma viagem sensível e luminosa sobre o futuro da humanidade, marcada por esperança, optimismo e reflexão.
Arco
Ambientada no ano de 2075, a narrativa acompanha Iris, uma jovem que vê cair do céu um rapaz misterioso envergando um fato arco-íris. O seu nome é Arco e vem de um futuro distante, aparentemente perfeito, onde a viagem no tempo se tornou uma realidade.
Preso num presente que não lhe pertence, Arco encontra em Iris uma aliada improvável. Decidida a ajudá-lo a regressar ao seu tempo, a jovem acolhe-o em segredo e dá início a uma aventura que questiona as fronteiras entre humanidade, tecnologia e natureza num mundo cada vez mais dominado por máquinas.
À medida que os dois tentam abrir um caminho de volta ao futuro, desenvolve-se entre eles um laço profundo e transformador. Essa ligação obriga-os a enfrentar uma escolha decisiva: alterar o curso do tempo ou aceitar que alguns encontros existem apenas para nos ensinar a crescer.
É neste delicado equilíbrio entre destino e livre-arbítrio que “Arco” constrói a sua força emocional, afirmando-se como uma história de amadurecimento que dialoga com públicos de todas as idades.
Origem discreta, mas profundamente significativa
Descrito pelo Konbini como “o encontro entre E.T. e Miyazaki”, o filme destaca-se pela sua sensibilidade familiar e por um universo visual que combina simplicidade gráfica com grande expressividade poética. O desenho manual, assumidamente artesanal, reforça a dimensão humana da narrativa e sublinha a oposição entre a fragilidade das relações e a frieza de um mundo tecnológico omnipresente.
O percurso de “Arco” começou de forma modesta durante a pandemia, a partir de um simples desenho criado por Ugo Bienvenu. O projecto cresceu e rapidamente conquistou reconhecimento internacional, integrando a Seleção Oficial do Festival de Cannes.
Seguiram-se nomeações para os Globos de Ouro e para os Critics Choice Awards na categoria de Melhor Filme de Animação, bem como a conquista do prestigiado Prémio Cristal no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, uma das mais importantes distinções do género a nível mundial. O filme é ainda apontado como um dos grandes candidatos às futuras nomeações para os Óscares da Academia.
Mais recentemente, foi distinguido pela National Board of Review como Melhor Filme de Animação de 2025. Entre 265 filmes considerados, um júri composto por cinéfilos, cineastas, académicos e jovens profissionais destacou a estreia de Bienvenu na realização de longas-metragens pela sua ambição visual e pelo seu tom narrativo assumidamente optimista. A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar a 13 de Janeiro de 2026, em Nova Iorque.
Lançado nos Estados Unidos em Novembro pela distribuidora NEON, “Arco” conta com um elenco de vozes em inglês de grande projecção internacional, que inclui Will Ferrell, America Ferrera, Flea, Natalie Portman, Mark Ruffalo e Andy Samberg.
Ugo Bienvenu
Ugo Bienvenu iniciou a sua formação na Escola Estienne, antes de ingressar no curso de cinema de animação da Gobelins. Em 2010, durante uma estadia no California Institute of the Arts, em Los Angeles, dedicou-se à animação experimental e realizou a sua primeira curta-metragem, “Je t’aime”.
De regresso a França, associou-se à Miyu Productions e prosseguiu a sua formação na École nationale supérieure des arts décoratifs de Paris. Nos anos seguintes, assinou uma dezena de curtas-metragens e videoclipes, a solo ou em colaboração com Kevin Manach, incluindo “Une île, Maman”, “Voyage chromatique” e “Fog”, para o grupo Jabberwocky, bem como sequências de animação para diversos documentários.
Bienvenu trabalhou ainda como actor e desenhista no filme “Eden”, de Mia Hansen-Løve, para o qual concebeu também os créditos. Em paralelo, desenvolveu uma carreira consistente na banda desenhada, publicando várias graphic novels, e fundou, em 2018, a produtora Remembers. “Arco” assinala a sua estreia na realização de longas-metragens de animação.

