«A Bela e o Monstro» – A beleza do interior

“Era uma vez…” é assim que começa este conto de fadas “tão antigo como o tempo”. “A Bela e o Monstro” data de 1991, tinha eu apenas um ano, pelo que nunca o pude ver no grande ecrã. Mas isso não me impediu de passar a infância a ve-lo em VHS e de ter agora uma oportunidade de o ver no cinema. Aquele que é um dos mais importantes clássicos da Disney regressou aos cinemas, mas tal como “O Rei Leão”, numa versão em 3D. Da mesma forma que o 3D de “O Rei Leão” não acrescentou nada, em “A Bela e o Monstro” acontece exactamente o mesmo.

A Walt Disney ao longo da sua vasta obra soube fazer-nos sonhar com encantadores contos de fada, mas nenhum o faz tão bem como “A Bela e o Monstro”. O que o torna diferente de todos os outros filmes é a sua história, as suas personagens, o avanço tecnológico que foi dado e ter sido o primeiro filme de animação a ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme.

Toda a gente conhece a história de “A Bela e o Monstro”, principalmente por esta versão da Disney, que se baseou num conto francês escrito pela escritora Gabrielle-Suzanne Barbot, na segunda metade do séc. XVIII. No entanto, não foi a Disney a primeira a adaptar este conto. O cinema teve a sua primeira adaptação em 1946, pelo cineasta francês Jean Cocteau, tendo-se-lhe seguido mais umas quatro versões.

A história é simples, mas cheia de fortes mensagens, que facilmente as crianças compreendem. Tudo é bastante claro, a heroína (a Bela) tem de salvar o seu príncipe encantado (o Monstro), que neste caso não é propriamente belo exteriormente como é costume nos contos de fada. O Monstro é “feio” por fora e “belo” por dentro. Enquanto que Gaston é “belo” por fora e “feio” por dentro. A ideia do “belo” é bem sintetizada com estas personagens. Percebemos que não devemos gozar ou mal tratar alguém só porque não é “belo”. A própria palavra, “belo”, é controversa e subjectiva, pois o que para mim é “belo”, para outra pessoa pode não ser. Mas também se fala em redenção e apesar de Bela ser a protagonista, a história é sobre o Monstro. É ele quem sofre grandes alterações ao longo da história, é ele o herói trágico.

As personagens, mesmo as mais pequenas, são inesquecíveis. Simpatizamos de imediato pelo Candelado, Relógio, Chip, Roupeiro e Maurice (o pai de Bela). A Bela e o Monstro continuam a ser um dos pares românticos mais queridos do público.

A qualidade da animação é incontestável. Com cenários majestosos, cores fortes e um desenho de meter inveja. “A Bela e o Monstro” foi um inovador para a época, pois estreou o uso de animação 2D com o 3D, a partir do uso de computadores, ou seja, estamos a falar do CGI. A cena onde mais se nota esta inovação é na clássica cena do baile, em que a Bela e o Monstro dançam num majestoso salão, onde a câmara se movimenta livremente, voando até aos tetos pintados como os da capela sistina. Nota-se em quase todo o filme a profundidade de campo, que antes não era tão fácil de criar. Walt Disney sempre quiz fazer este filme enquanto era vivo, mas foi sempre adiado pelas limitações tecnológicas da época. Como referi em cima, o 3D aqui em quase nada alterou, pois de facto o filme sempre teve já esta profundidade de campo.

Esta é uma fábula fantástica e um clássico que renasceu o músical dos filmes da Disney, bem ao estilo da Broadway. Com uma das melhores bandas sonoras de sempre, as músicas “Be Our Guest” e “Beauty and the Beast” ficaram no coração do público. Recorde-se a inteligente e divertida cena em que Bela tem fome e o Candelado lhe dá de comer, cantando a música “Be our Guest”. A coreografia desta música, a letra, a sonoridade, tudo é executado magistralmente.

Esta versão em 3D foi pela primeira vez dobrada em português de Portugal, ao contrário do que acontece com a versão de 1991, que foi dobrada para português do Brasil. Eu e a minha geração só conhecíamos a versão brasileira, pelo que ainda hoje prefiro ouvir essa. Confesso que me fez alguma confusão ouvir algumas personagens com uma voz diferente. Para mim “A Bela e o Monstro” irão ter sempre a voz de 1991.

“A Bela e o Monstro” é um filme intemporal, memorável e belo, que deve ser visto por todos obrigatoriamente! “E viveram felizes para sempre!”, termina assim o filme.

Realização: Gary Trousdale, Kirk Wise

Argumento: Linda Woolverton

Elenco: Paige O’Hara, Robby Benson, Richard White

EUA/1991 – Animação

Sinopse: “A Bela e o Monstro” relata a fantástica viagem de Belle, uma rapariga inteligente e muito bonita, que é feita prisioneira num castelo por um hediondo monstro. Mas apesar da sua precária situação, Belle faz amizade com todo os encantados ajudantes do castelo – um bule de chá, um candelabro, um relógio de sala, entre outros – e acaba por aperceber-se que por baixo do exterior monstruoso do seu captor, existe o coração e a alma de um verdadeiro príncipe.

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