A Medeia Filmes vai homenagear o ator Bruno Ganz com um ciclo no Teatro Campo Alegre, no Porto, de 21 a 27 de fevereiro, e com um programa especial no Espaço Nimas, em Lisboa, na segunda-feira, 25 de fevereiro. Este último encerrará com a projeção, em cópia 35 mm, do filme “A Cidade Branca”, seguida de uma conversa com o produtor Paulo Branco e a atriz Teresa Madruga, que nos falarão do trabalho com Bruno Ganz.

Bruno Ganz (1941-2019) era um ator total, como o nome que (o) transportava. Dizia que aquilo de que gostava era de uma boa história, que o seduzisse, ou mesmo que o irritasse (poderíamos dizer, como escreveu Wim Wenders, com quem fez vários filmes, a propósito de outro grande storytellerSamuel Fuller: para Bruno Ganz o mundo condensava-se em histórias. No princípio era o verbo, sim, mas para que servem as palavras se não contarem histórias?) E, ao longo de uma carreira de décadas, Bruno Ganz viveu e contou muitas nos muitos papéis que desempenhou, que todos recordamos. Trabalhou com grandes realizadores, de diversas cinematografias (Wenders, Theo Angelopoulos, Francis Ford Coppola, Alain Tanner, Werner Herzog, Jonathan Demme ou Terrence Malick, num filme que ainda aguardamos e que provavelmente estreará este ano, “Radegund”). E tanto nos impressionava com a sua representação nos papéis principais, como nos secundários, nos quais se empenhava com a mesma convicção e desenvoltura.

Alain Tanner, com o qual trabalhou num dos seus filmes míticos, “A Cidade Branca”, produzido por Paulo Branco, dizia que nunca poderia ter feito o filme se Bruno Ganz recusasse o papel. Bastaria este filme para marcar uma forte relação com Portugal, mas Bruno Ganz voltaria aqui aos palcos da Culturgest, ou ao festival de Almada, trabalhou com Daniel Blaufuks no filme “Sob Céus Estranhos”, foi convidado do LEFFEST em 2015, quando o festival exibiu vários filmes restaurados de Wenders (ver abaixo encontro com o público a seguir à projeção de “As Asas do Desejo”), e estreava “Amnésia”, o filme de Barbet Schroeder, no qual participou.

Porto
Teatro Campo Alegre
21 a 27 Fevereiro
Quinta, 21 Fevereiro, 18h30 | 22h, A CIDADE BRANCA, Alain Tanner (1983)
Sexta, 22 Fevereiro, 18h30 | 22h, A MULHER CANHOTA, Peter Handke (1978)
Sábado, 23 Fevereiro, 15h30 | 22h, AS ASAS DO DESEJO, Wim Wenders (1987)
18h30, SOB CÉUS ESTRANHOS, Daniel Blaufuks (2002)
Domingo, 24 Fevereiro 15h30 | 22h, O AMIGO AMERICANO, Wim Wenders (1977)
18h30, A POEIRA DO TEMPO, Theo Angelopoulos (2008)
Segunda, 25 Fevereiro, 18h30 | 22h, A ETERNIDADE E UM DIA, Theo Angelopoulos (1998)
Terça, 26 Fevereiro, 18h30 | 22h, AMNÉSIA, Barbet Schroeder (2015)
Quarta, 27 Fevereiro, 18h30 | 22h, A CASA DE JACK, Lars von Trier (2018)

Lisboa
Espaço Nimas
Segunda-feira, 25 Fevereiro
14h, A MULHER CANHOTA, Peter Handke (1978)
16h30, AS ASAS DO DESEJO, Wim Wenders (1987)
19h, A CIDADE BRANCA, Alain Tanner (1983)
Projeção seguida de conversa com o produtor Paulo Branco e a atriz Teresa Madruga

Este artigo foi originalmente publicado na Comunidade Cultura e Arte, tendo sido aqui reproduzido com a devida autorização.