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No dia 17 de maio (domingo) foi a vez de Todd Haynes, com “Carol”, e da realizadora francesa Maïwenn, com “Mon Roi”, estrearem os seus filmes em Cannes.

O primeiro marca o regresso do australiano à competição de Cannes, dezassete anos após “Velvet Goldmine”, para apresentar o filme “Carol”, que conta no elenco com Cate Blanchett, Rooney Mara e Sarah Paulson. Carol, interpretada por Cate Blanchett, é uma mulher sofisticada e burguesa, prisioneira de um casamento infeliz. Encontra a Therese (Rooney Mara), empregada de uma grande loja de departamentos. Entre elas, nasce uma atração desde o primeiro olhar, deixando rapidamente lugar aos sentimentos. Pouco depois, Carol e Therese fogem juntas numa viagem pelas estradas através da América. Em “Carol”, Todd Haynes aproximou-se da fotografia de arte e do fotojornalismo dos anos 50 e adaptou do livro homónimo de Patricia Highsmith (1952). Com este filme, o realizador desejou recriar as alterações que se operaram na cidade de Nova Iorque entre o fim da guerra e o início dos anos 50.

O filme teve uma recepção bastante positiva em Cannes. Para o The Guardian Cate Blanchett “cativa num filme belo e excepcionalmente inteligente” e a Variety elogiou a “performance brilhante” das duas atrizes, destacando em particular a interpretação “brilhante” de Cate Blanchett. O desempenho de Cate Blanchett e a questão da homossexualidade abordada constantemente no filme, fazem deste um dos fortes candidatos à Palma de Ouro.

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Já o filme da realizadora Maïwenn, “Mon Roi” não teve a mesma receptividade em Cannes. A realizadora de “Polisse”, que lhe deu o Prémio do Júri em 2011, retorna com um drama familiar. Sem ser autobiográfica, esta crónica distanciada, descodifica a história de amor complexa e fulgurante de Tony (Emmanuelle Bercot) e de Georgio, (Vincent Cassel). Uma quarta longa-metragem realizada por Maïwenn, cujo argumento foi elaborado juntamente com Etienne Comar. As cenas de conflitos não assustam Maïwenn. Mas as cenas de amor e de cumplicidade, obrigatoriamente mais fluidas e menos acidentadas, talvez parecessem ser demasiado adocicadas aos olhos da realizadora. “…para mim era difícil mostrar pessoas felizes no Cinema sem que isso fosse tolamente sentimental“. “Mon Roi”, um título “curto e poderoso” para um filme que aborda a questão dolorosa: “Deve-se sujeitar a uma paixão destruidora?”.

O The Guardian não considera que este filme seja “terapêutico para o público” e o Indiewire considera que Mon Roi “repete os mesmos clichés uma e outra vez durante duas horas, como se a cineasta tivesse perdido força, juntamente com seu casal central”.