Cannes 2023: “Retratos Fantasmas”, de Kleber Mendonça Filho, debuta em Cannes

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O realizador brasileiro Kleber Mendonça Filho, conhecido por seu trabalho em “Bacurau” e “Aquarius”, recebeu uma ovação de pé no 76º Festival de Cannes após a exibição de seu novo filme, o documentário intitulado “Retratos Fantasmas”. A première mundial do filme, que aconteceu na sexta-feira, 19 de maio, foi apresentada como uma Sessão Especial da Seleção Oficial, fora da competição principal.

“Retratos Fantasmas” é a quarta obra do cineasta pernambucano exibida em Cannes. O documentário explora a história do centro de Recife desde o século XX através de suas salas de cinema. Inspirado nas memórias pessoais de Kleber, que se mudou para o bairro de Setúbal durante a adolescência, o filme é dividido em três atos.

Na segunda parte da obra, o realizador reflete sobre a importância dos cinemas na vida das pessoas e na cultura das cidades. Com um tom de crónica, a narração de Mendonça Filho apresenta uma perspectiva pessoal sobre a relação entre os espectadores e as salas de cinema. Além disso, o filme faz uma reflexão sobre como os letreiros dos filmes se tornaram verdadeiros ícones de suas épocas.

Durante a exibição na França, o realizador aproveitou a oportunidade para homenagear Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual, que estava presente no evento. Ele destacou o papel dela na política audiovisual do Ministério da Cultura e ressaltou a importância do apoio governamental ao cinema. Após sete anos sem esse suporte, Mendonça Filho expressou sua gratidão pela presença de Gonzaga.

“Retratos Fantasmas” não tem personagens humanos como protagonistas, mas sim a cidade, os prédios e a própria essência do cinema. O filme explora como o cinema entra em nossas vidas de maneira imperceptível, indo além das salas de exibição.

Em uma entrevista ao portal brasileiro G1, Mendonça explicou: “É um filme que aborda a ideia central de uma cidade, explorada através de uma espécie de arqueologia do passado, do século XX, representada pelas salas de cinema. Todas as cidades têm uma história que pode ser contada a partir do seu centro e das salas de cinema que movimentavam esse centro. O filme aborda os costumes, a forma como a indústria enxergava e enxerga a população e a comunicação em massa”.

Kleber Mendonça Filho iniciou sua carreira como realizador, produtor e argumentista com curtas-metragens em 2004. Seu primeiro longa-metragem, “Crítico”, foi lançado quatro anos depois. No entanto, foi somente em 2012 que ele ganhou reconhecimento internacional com o filme “O Som Ao Redor”.

Em 2019, Mendonça Filho recebeu o Prémio do Júri por “Bacurau”. Este ano, embora seu filme esteja sendo exibido fora da competição oficial, ele concorre ao Olho de Ouro (L’Oeil d’or), prémio que reconhece o melhor documentário selecionado em todas as mostras.

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Divulgação
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