A “Cinemateca Brasileira Pede Socorro” é o título da petição divulgada no passado dia 15 de maio por profissionais da Cinemateca que guarda o maior acervo audiovisual da América do Sul. O espaço que preserva o acervo da história do cinema brasileiro enfrenta uma situação limite. A petição de apoio à Cinemateca Brasileira foi lançada na plataforma Avaaz e conta com mais de 6700 assinaturas até ao momento.

O apelo desesperado denuncia uma grave falta de organização, de recursos financeiros e de políticas públicas para o setor do cinema que desde meados de maio não recebeu ainda nenhuma parte do orçamento anual, cujo montante é da ordem de 12 milhões de reais.

O manifesto refere ainda que é instável e que é uma “situação esquizofrénica” o facto de a atual Secretaria Especial da Cultura, responsável pela Cinemateca, ter os seus vínculos administrativos divididos entre os Ministérios da Cidadania e do Turismo.

“Após sofrer uma intervenção do Ministério da Cultura em 2013, que destituiu a sua diretoria e retirou-lhe a autonomia operacional, a Cinemateca vem enfrentando um processo contínuo de enfraquecimento institucional que culmina na atual ameaça de total paralisia.”, lê-se no manifesto.

Fundada em 1946, a Cinemateca Brasileira corre o risco de falência, colocando em risco todos os técnicos que lá trabalham, assim como a deterioração de modo irreversível do seu acervo, “cuja preservação requer cuidados permanentes de técnicos especializados e manutenção de estritos parâmetros de conservação em baixa temperatura e humidade relativa”,

“Em fevereiro deste ano, as instalações da Cinemateca na Vila Leopoldina (São Paulo), que abrigavam parte do acervo, foram atingidas por uma enchente. Novamente, a Secretaria do Audiovisual se absteve das suas responsabilidades, não esclareceu eventuais perdas, nem adotou medidas para proteger as coleções em perigo. Se a indiferença com o futuro do património audiovisual brasileiro persistir, as consequências serão ainda mais graves. (…) Nesse caso, quando chegar o socorro de Brasília, as imagens do nosso passado transformar-se-ão em espetros de nossa falência como nação.”, lê-se no manifesto.

Entre os signatários da petição, que continua a recolher assinaturas, estão Lygia Fagundes Telles e Ismail Xavier, ambos antigos presidentes do Conselho da Cinemateca; Carlos Augusto Calil, antigo diretor da instituição; os cineastas Walter Salles e Ugo Giorgetti; vários professores do CTR – Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da Universidade de São Paulo; a ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema; a ABC – Associação Brasileira de Cinematografia; a Cinemateca do Chile; a Cinemateca Francesa (pelo presidente Costa-Gravas); o Instituto Lumière (pelo diretor Thierry Frémaux); a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema; Tiago Baptista, diretor do departamento de arquivo da Cinemateca Portuguesa e Sérgio Dias Branco, professor e investigador de cinema.

Esta quarta-feira (20 de maio) foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro que a atriz Regina Duarte iria abandonar o cargo de secretária especial da Cultura, passando a assumir a direção da Cinemateca Brasileira, o que deixa o setor do cinema e do audiovisual bastante inseguro dado que durante os dois meses do seu mandato com a pasta da cultura nada fez para resolver a situação da Cinemateca.

Ler e assinar petição em defesa da Cinemateca Brasileira aqui.