A 16.ª edição do Doclibsoa – Festival Internacional de Cinema arranca já na próxima quinta-feira (18 de outubro) com a estreia de “The Waldheim Waltz”, de Ruth Beckermann, na Culturgest, pelo que o Cinema 7.ª Arte partilha algumas sugestões de uma programação que conta com mais de 240 filmes, dos quais 68 são estreias mundiais e 59 são produções portuguesas. Na 16.ª edição estão representados 54 países, divididos  por secções competitivas, temáticas e retrospetivas (mais de trinta filmes de Luis Ospina), que revelam a pluralidade formal e estética dos olhares sobre o mundo, os diversos modos de pensar e agir sobre o que nos rodeia. Estas são as nossas 20 sugestões de filmes a ver no 16.º Doclisboa, a decorrer até 28 de outubro. Ver programa completo aqui.

The Waldheim Waltz, de Ruth Beckermann (2018 – Áustria) – Sessão de Abertura

Em 1986, Beckermann foi uma das ativistas que procurou impedir a eleição de Kurt Waldheim. Décadas depois, regressa a este momento para compreender a Áustria de hoje. Waldheim, antigo secretário-geral da ONU, escondeu dois anos do seu passado durante a época nazi:  ele é a personificação da história recente da Áustria. Sessão com a presença de Ruth Beckermann

Antecâmara, de Jorge Cramez (2018 – Portugal) – Competição Internacional

Montado com imagens gravadas em video assist, “Antecâmara” é sobre o “acto” de filmar, a realidade física e a energia ritual de duas equipas de cinema durante a preparação da rodagem de um plano. A primeira regra para um video assist é que a imagem que lá se vê seja mais interessante do que o que se possa ver cá fora. Nada é casual. Ele ajuda a ver previamente o plano, a organizar o espaço, a compor as cenas, a movimentar os actores, a construir a luz. E dá-lhes significado segundo a utilização que se faça da câmara. É o espaço-tempo anterior ao plano, onde este se desenha para ser filmado.

Brisseau – 251, Marcadet’s Street, de Laurent Achard (2018 – França) – Competição Internacional

Jean-Claude Brisseau recebe uma equipa de filmagem e alguns amigos em casa, para falar sobre cinema, infância, a passagem do tempo… O filme integra a série Cinéma de notre temps e é dedicado a André S. Labarthe.

The Guest, de Sebastien Weber (2018 – Polónia) – Competição Internacional

A vida de um agricultor polaco, Wojtek, e o meio que o circunda vistos pelos olhos do jovem realizador suíço, Sebastian. Apesar das duras condições de vida que enfrenta desde a infância, nunca perdeu a alegria de viver, a sua natureza calorosa e o sentido de humor. Vivendo completamente só numa casa grande, gosta de receber hóspedes que procuram companhia e amigos a precisar de ajuda. É onde Paweł, um jovem alcoólico sem sítio para onde ir, encontra abrigo. Wojtek dá o seu melhor para cuidar dele. Estará à altura do desafio?

Resurrection, de Orwa Al Mokdad (2018 – Síria, Líbano) – Competição Internacional

Dois anos depois de a Direcção-Geral de Segurança do Líbano lhe confiscar o passaporte, um realizador de regresso de Alepo para concluir a sua primeira longa-metragem fica bloqueado em Beirute e é incapaz de o fazer, por causa das condições adversas que ele e milhares de refugiados sírios enfrentam, por vezes levando-os a cometer suicídio físico ou moral. O filme é uma carta do realizador para o seu produtor, descrevendo aquilo por que passa e as várias versões que imagina, onde a realidade se mistura com as suas preocupações e onde as fronteiras entre verdade e ilusão se esfumam.

To War, de Francisco Marise (2018 – Argentina, Espanha, Portugal, Panamá ) – Competição Internacional

“Para a Guerra” explora a memória e a solidão de um ex-soldado internacionalista cubano a partir da observação do seu corpo e dos seus gestos (extra)ordinários. Um filme de guerra sem um único tiro, mas com uma ferida, a de um veterano das forças especiais que procura os companheiros que sobreviveram à sua última missão há já 30 anos.

Alis Ubbo, de Paulo Abreu (2018 – Portugal) – Competição Portuguesa

Depois da crise veio o turismo e a transformação da cidade de Lisboa. “Alis Ubbo” (“porto seguro”, em fenício), acompanha com ironia os dois últimos anos de mudança da paisagem urbana lisboeta.

Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos, de Renata Sancho (2018 – Portugal) – Competição Portuguesa

“Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos” documenta esta grande artéria da cidade de Lisboa. Elaborámos um mapeamento, ao longo do séc. XX, circunscrito à memória do espaço da avenida e às vivências que ali ocorreram e ocorrem. A Avenida Almirante Reis poderia funcionar como uma máquina do tempo. Subimo-la e descemo-la através de imagens de arquivo, recuando à sua abertura em 1908 e às grandes enchentes dos comícios republicanos. Assistimos ao 1.º de maio de 1974. Entre 2016 e 2018, registamos a atualidade na avenida, acompanhando o quotidiano dos que nela trabalham e habitam.

Extinção, de Salomé Lamas (2018 – Portugal) – Competição Portuguesa

A questão das fronteiras dos territórios da antiga URSS provou ser uma bomba relógio. “Extinção” é um emaranhado eclético de materiais (ficção e não-ficção) pelos quais nos guia Kolya, de nacionalidade moldava, mas que se declara cidadão da Transnístria. Os fragmentos levam o espectador para o imaginário coletivo da União Soviética. O filme desenha um comentário abstrato sobre as últimas posições políticas de Vladimir Putin de “guerra sem guerra, ocupação sem ocupação”.

Terra Franca, de Leonor Teles (2018 – Portugal) – Competição Portuguesa

À beira do Tejo, numa antiga comunidade piscatória, um homem vive entre a tranquilidade solitária do rio e as relações que o ligam à terra. “Terra Franca” retrata a vida deste pescador, atravessando as quatro estações e acompanhando as contingências da vida de Albertino Lobo.

História Secreta da Aviação, de João Manso (2018 – Portugal) – Competição Portuguesa

“História Secreta da Aviação” é uma reflexão seminal sobre o que sobe e o que se abate. Parte do texto homónimo de Manuel Zimbro, no qual se cogita no que impede o homem de voar e qual o impacto dessa limitação na natureza. Este filme convoca imagens da devastação deixada pelos incêndios de 2017, o ano de maior área florestal ardida em Portugal, mostrando como, entre cada salto, temos feito escala no chão.

Actos de Cinema, de Jorge Cramez (2018 – Portugal) – Riscos

“Afectos da vida nas imagens é o mote deste filme que alterna ‘instantâneos’ de rodagens e a memória presente de pessoas com quem trabalhei em filmes de Teresa Villaverde, João Mário Grilo, José Álvaro de Morais, Fernando Lopes ou Miguel Gomes.” – Jorge Cramez

The Vampires of Poverty, de Carlos Mayolo, Luis Ospina (1978 – Colômbia) – Retrospetiva Luis Ospina

Uma equipa de televisão procura pessoas pobres, vagabundos, meretrizes e putos de rua nas ruas de Cali, para criar uma mise-en-scène em torno da pobreza. Um filme de acção que simula um documentário sobre cineastas que exploram a pobreza para fins comerciais. Uma crítica mordaz com uma pitada de humor negro da “porno-miséria” e do oportunismo dos cineastas que fazem filmes “sociopolíticos” no Terceiro Mundo, por dinheiro e para ganhar prémios na Europa.

Breath of Life, de Luis Ospina (1999 – Colômbia) – Retrospetiva Luis Ospina

A jovem Golondrina é encontrada morta num hotel miserável em Bogotá. Emerson, ex-polícia, é contratado para investigar o crime. Descobre que quatro homens tinham um papel importante na vida dela: Martillo, pugilista que perdeu o último combate; o toureiro José Luís; o político corrupto Medardo; e o vendedor de lotaria Mago. Um filme noir colombiano que joga com todos os códigos do género de maneira subtil e põe a nu as feridas da sociedade colombiana.

Fahrenheit 11/9, de Michael Moore (2018 – EUA) – Da Terra à Lua

“Fahrenheit 11/9” é um olhar provocador e cómico sobre o tempo em que vivemos. Debruça-se sobre as duas questões mais importantes da era Trump: como é que chegámos aqui e como é que saímos?

Graves Without a Name, de Rithy Panh (2018 – França, Camboja) – Da Terra à Lua

Depois de “L’Image manquante” e “Exil”, Rithy Panh prossegue a sua descoberta espiritual. “Les Tombeaux sans noms” procura um caminho para a paz. Quando uma criança que perdeu a maior parte da família durante o período dos khmer vermelhos embarca numa busca pelas suas campas, sejam elas na terra ou espirituais, o que é que encontra nelas?

Monrovia, Indiana, de Frederick Wiseman (2018 – EUA) – Da Terra à Lua

Monrovia, em Indiana (1400 habitantes), fundada em 1834, é sobretudo uma comunidade agrícola. O filme analisa os estereótipos contraditórios e mostra como se formam, sentem e vivem valores como serviço comunitário, dever, vida espiritual, generosidade e autenticidade, dando uma visão complexa e matizada da vida quotidiana, com destaque para as organizações e instituições comunitárias, e permitindo compreender um modo de vida rural e conservador.

Dead Souls, de Wang Bing (2018 – China, França) – Da Terra à Lua

Na província de Gansu, no noroeste da China, encontram-se os restos de inúmeros prisioneiros abandonados no Deserto de Gobi, há sessenta anos. Designados “ultra-direitistas” na Campanha Anti-Direitista de 1957 do Partido Comunista, morreram à fome em campos de reeducação. O filme convida-nos a conhecer os sobreviventes, para descobrir, em primeira mão, quem foram essas pessoas, as adversidades que tiveram de suportar e qual foi o seu destino.

A Flood in Baath Country, de Omar Amiralay (2003 – França) – Foco: Navegar o Eufrates Viajar no Tempo do Mundo

O terceiro capítulo da trilogia é uma espécie de estudo sobre a socialização do Partido Baath na escola e sobre o entrelaçamento do poder patriarcal e do poder ditatorial. O entusiasmo com o projeto esbarra com a desolação e a destruição. O filme é um ajuste de contas amargo e sarcástico com o omnipresente Partido Baath, que conduziu o país inteiro ao marasmo.

Infinite Football, de Corneliu Porumboiu (2018 – Roménia) – Sessão de Encerramento

“No passado Outono, um bom amigo de infância, Florin, disse-me que o irmão, Laurentiu, inventou um desporto novo alterando as regras do futebol. Um mês depois, fui para a minha terra natal, Vaslui, com uma equipa de filmagem pequena, para saber mais sobre o novo desporto…” — Corneliu Porumboiu