Terrence Malick realizou até 2011 apenas cinco filmes, ou seja, em média fez um filme de sete em sete anos. Conhecido por deixar muito tempo entre cada filme, é de admirar que de “A Árvore da Vida” tenha deixado passar apenas um ano. Sabe-se ainda que Malick tem já em produção mais três filmes, imagine só, para este ano e para 2014. Levanta-se portanto a questão sobre o que foi o cinema deste realizador americano até “A Árvore da Vida”, o seu maior sucesso até ao momento, e sobre o que será o cinema deste. “A Essência do Amor” é um filme que pode não agradar a todos os seguidores da obra deste autor. Tem momentos bons e outros menos bons, mas no final fica sempre a sensação de termos visto um bom filme, mas que lhe faltava algo. “A Arvore da Vida” tinha talvez um fator surpresa, uma inocência e sedução, que este não possui. Um filme de Malick nunca é de fácil compreensão e agrado para todo o público.

Neil (Ben Affleck) e Marina (Olga Kurylenko) conheceram-se em Paris, onde viveram uma arrebatadora história de amor. Partem para os EUA e ai vivem durante algum tempo em harmonia. Mas lentamente a paixão esmoreceu e a relação parece ter perdido o sentido. Ela sente-se uma estrangeira naquele país e tenta pedir apoio a um padre local, Quintana (Javier Bardem), que também se sente perdido na sua relação com Deus e um estrangeiro naquele lugar. O padre vive com muitas dúvidas e sente-se sozinho. Marina acaba por regressar à Europa com a sua filha, pelo que Neil acaba por se reencontrar com uma paixão antiga da sua juventude, Jane (Rachel McAdams). Porém, apesar de a relação com Jane evoluir e lhe trazer paz interior, ele sentir-se-á constantemente dividido entre este novo amor e o que perdeu.

Neste seu recente filme, Malick conta-nos um drama sobre o amor e as suas dúvidas e certezas. São as desventuras entre Ben Affleck e duas mulheres. Malick explora portanto as várias fases do amor, os altos e baixos de uma relação, as alegrias, angustias, indecisões e obrigações. Este trio de personagens nunca chegou a conhecer o verdadeiro amor, ou não fosse ele utópico. O lado religioso, ou melhor, sagrado e divino de Malick, esteve sempre bem presente nos seus filmes, ainda mais em “A Árvore da Vida”. No entanto, nesta essência do amor, o amor divino pouco vive e é pouco aprofundado. Aqui até o padre da paróquia se sente descrente para com Deus, esse amor divino é portanto colocado em causa. A temática, o amor, já foi explorada até à exaustão no cinema, mas é interessante vermos este trio de personagens no universo sagrado de Malick, sempre filmados com uma câmara em constante movimento, dançando de forma subtil.

Na obra de Malick, a imagem é bastante valorizada e cuidada, e o texto (em voz off) complementa a nossa leitura dessas imagens. A sua fotografia é realista, com cores muito naturais e por isso, bonitas, como é já costume ver nos seus anteriores filmes. Quanto ao elenco, penso que Ben Affleck terá sido uma má escolha de casting para este papel. Sempre forçado e pouco à vontade para com a personagem. Já Olga Kurylenko faz um desempenho maravilhoso.

Assim, parece-nos uma extensão mais lamechas de “A Árvore da Vida”, não conseguindo chegar ao patamar de qualidade deste último. No geral fica um filme muito bom que explora o lado mais espiritual e sensível do amor, algo que será à partida sempre impossível de alcançar, como acontece com estas personagens, que não passam da paixão. No final fica uma mágoa, quer das personagens, quer do espectador, por achar que o filme poderia ter sido algo mais do que é. Mas Malick será sempre Malick!

Realização: Terrence Malick

Argumento: Terrence Malick

Elenco: Rachel McAdams, Ben Affleck, Javier Bardem, Rachel Weisz, Amanda Peet, Olga Kurylenko, Barry Pepper

EUA/2012 – Drama

Sinopse: Drama romântico centrado em Neil, um homem que se encontra dividido entre duas paixões: Marina, uma mulher europeia que viajou para os Estados Unidos para estar com ele, e Jane, uma antiga chama da sua cidade natal que reacendeu. Em A Essência do Amor, Terence Malick explora a forma como o amor e as suas fases e épocas – paixão, simpatia, obrigação, tristeza, indecisão – podem transformar, destruir e reinventar vidas.

«A Essência do Amor» - O amor divino
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