E eis que dez anos depois, tudo acaba. Foram sete livros que deram origem a oito filmes comandados por 4 realizadores diferentes ao longo de um processo em crescendo que foi ganhando cada vez mais e mais adeptos, culminando agora na oitava e ultima aventura do feiticeiro Potter e dos seus aliados: Harry Potter e os Talismãs da Morte parte 2.

Devo alertar antes de tudo para o facto de que para poderem verdadeiramente perceber este “Harry Potter e os Talismãs da Morte parte 2” é necessário pelo menos a visualização da parte 1, pois se vão para o cinema com a esperança de ver uma recapitulação do que aconteceu anteriormente, bem, pode-se dizer que estão enganados. David Yates retoma este filmes exactamente no ponto onde acabou o filme anterior e a partir daí faz a construção para a grande batalha final de Hogwarts onde tudo acontece e tudo se resolve. E deve-se dizer que foi uma excelente opção. Ao principio não vi a divisão da adaptação do ultimo livro em dois filmes como nada mais que mais uma forma de tirar o “máximo de leite á vaca enquanto este ainda escorre” mas vejo-me agora a entender essa divisão: “Harry Potter e os Talismãs da Morte” partes 1 e 2 são claramente os filmes mais fieis á obra original e são na minha opinião os melhores filmes de toda a saga. A divisão permitiu a exploração das personagens a níveis que nenhum outro filme o fizesse antes e a nível narrativo as coisas acontecem sempre sem se atropelar umas ás outras, levando o tempo que devem levar e mantendo sempre a capacidade de cativar o espectador.

A parte 2 começa então com os exactos momentos a seguir aos acontecimentos finais ao anterior filme; Voldemort recupera a varinha de Sabugueiro e Harry depois de enterrar o elfo Dobby vai falar com o duende Griphook e o artesão de varinhas Olivander, ambos resgatados do aprisionamento na mansão dos Malfoy. Após chegarem a uma conclusão sobre o paradeiro de mais uma Horcrux, Harry, Ron e Hermione partem busca do objecto, naquela que é a primeira “grande” sequência de acção do filme. Sequência aliás que prima pelo primeiro impacto marcante do filme com uma Hermione sob a forma de Bellatrix Lestrange (um grande trabalho de Helena Bohan-Carter diga-se desde já) e com a presença de um dragão (que sou obrigado a admitir: ganha extra pontos graças ao agradável uso do 3D).

Após descobrir então mais uma Horcrux, e após o primeiro contacto com um Voldemort cada vez mais frágil, ferido tanto fisicamente como no seu orgulho, capaz de mostrar finalmente alguma dimensão emocional e mostrando ser um Voldemort que realmente merece ser temido (e ja estava mais que na hora de Ralph Fiennes mostrar a capacidade do seu talento com esta personagem) está na hora de partir em busca da outra Horcrux (e já faltam poucas!) que está nada mais nada menos que escondida em Hogwarts, cenário que a partir de agora, é rei e senhor do filme e de onde não sairemos mais. As personagens começam a responder ao chamamento para a guerra e unem-se todas no Castelo/Escola de varinhas preparadas a atacar. O olho do furacão já passou e a enervante calmaria antes da tempestade dá lugar á própria tempestade da batalha. Velhos amigos jazem agora entre os escombros; surgem alguns fantasmas do passado; pó, sangue e feitiços é tudo o que se vê no campo de batalha; e por ultimo claro está, o duelo final: Harry Potter vs Voldemort, Bem vs Mal, Expeliarmus vs Avada Kedavra…

A longa saga chega assim ao seu fim numa batalha surpreendentemente bem encenada pelo realizador David Yates e deliciosamente embrulhada na musica de um enorme Alexandre Desplat, que se mostra capaz de elevar a musica de Harry Potter a um nível que consegue superar a do mestre John Williams. No que toca a blockbusters, Harry Potter dá, como diria o outro, quinze a zero ao “Transformers 3”, mostrando que é possivel ter grandes explosões e batalhas épicas e mesmo assim conseguir manter uma linha narrativa sólida. Para quem é fã dos livros ou para quem simplesmente acompanhou a jornada cinematográfica, “Harry Potter e os Talismãs da Morte parte 2” tem tudo para não defraudar e dár mesmo aquela sensação agridoce de despedida “em grande”. Temos então um filme de Verão facilmente recomendável.

Realização: David Yates

Argumento: David Seidler

Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson

Reino Unido/2011 – Ação/Aventura

Sinopse: No épico final, a batalha entre as forças do bem e do mal do mundo dos feiticeiros vai originar uma guerra sem precedentes. Os riscos nunca foram tão elevados e ninguém está seguro. Mas é Harry Potter quem terá de fazer o sacrifício final, pois a luta com Lord Voldemort aproxima-se. Tudo acaba.

«Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2» - O final da saga
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