O Cinema 7ª Arte entrevistou Corinna Lawrenz, programadora da 13ª edição da Mostra de Cinema de Expressão Alemã – KINO, que se realizará de 27 de janeiro até 4 de fevereiro. Sob a direcção do Goethe-Institut, a mostra apresentará 37 filmes oriundos da Alemanha, Áustria, Luxemburgo e Suíça e com destaque para a retrospectiva da obra de Rosa Von Praunheim.

 

C7A: O festival KINO vai já na sua 13ª Edição. O que podemos esperar de novo para este ano?

CL: A KINO cresceu imenso desde a primeira edição até hoje. Começou como uma mostra pequena no Goethe-Institut em Lisboa e é hoje um festival que exibe, em várias secções e em três cidades, o mais recente cinema alemão, austríaco, suíço e luxemburguês. Para além dos filmes de ficção, exibidos na Mostra Principal é a secção KINOdoc e duas sessões de curtas-metragens que cunham a edição deste ano. Para além disso, apresentamos – em colaboração com a Cinemateca e sob curadoria de Augusto M. Seabra, uma retrospectiva dedicada a Rosa von Praunheim que estará presente em Lisboa no dia 4 de Fevereiro. Havéra nesse dia uma sessão muito especial apresentada pelo próprio realizador e dedicada à obra dele.

C7A: O cinema alemão é uma das mais antigas e relevantes faces do cinema europeu. No entanto, face a uma indústria cada vez mais vocacionada para os grandes blockbusters norte-americanos, terá a sua vitalidade diminuído?

CL: A questão central é se medimos vitalidade sobretudo em números de espectadores. É um factor que obviamente não podemos ignorar por completo – e não o fazemos nós próprios – mas que também não pode ser a principal directriz. Do meu ponto de vista, o que morre inevitavelmente (mesmo que não necessariamente em termos económicos) é um cinema que tenta imitar essa indústria. Vejo, porém, muitos cinematógrafos – e não estou a falar necessariamente só do cinema alemão ou de língua alemã – que procuram novos caminhos, novas abordagens à arte cinematográfica. Neste sentido, não falava de uma vitalidade diminuída.

C7A: De que forma pode o Kino sensibilizar o público geral para a relevância cultural, não só do cinema alemão, mas do cinema em geral?

CL: Sou demasiado humilde para nos atribuir um poder de sensibilizar que vai para além de casos individuais. Mesmo assim, o que pretendemos é dar a conhecer um cinema que vai para além do mero entretenimento, filmes que nos desafiam pelas suas abordagens estéticas ou pela consciência de uma certa responsabilidade social que os marcam. Pretendemos contribuir, desta forma, para uma presença maior deste tipo de cinema.

C7A: Quais os filmes e realizadores que se destacam este ano? Quais as novas tendências do cinema alemão?

CL: Não falava logo em tendências. No ano passado, tivemos uma secção pequena dedicada ao “German Mumblecore”, uma tendência que pouco tempo depois teve algum sucesso na Berlinale com o urso de prata para “Victoria” de Sebastian Schipper. Na KINO deste ano apresentamos, através da nova linha programática “Novas Perspectivas” presente em todas as secções, filmes, documentários e curtas de jovens realizadores que são muito divergentes e não se deixam encaixar numa só categoria. Acho muito importante chamar atenção para esta diversidade.

Para além disso, estamos muito contentes por podermos receber em Lisboa alguns realizadores de filmes da edição deste ano. O Ulrich Peltzer, co-autor do guião de “As mentiras dos vencedores” estará presente na abertura do festival. Karl Markovics apresenta, graças à colaboração com a Embaixada da Áustria, a sua segunda longa-metragem depois de “Respirar” (KINO 2012) no encerramento da Mostra Principal. Elfi Mikesch, Oliver Sechting e Rosa von Praunheim completam a lista de convidados.

C7A: Em edições anteriores, o festival incluiu sessões infantis de cariz didático, em particular a mostra para escolas. Qual é a vossa atitude em relação ao público mais jovem?

CL: A Mostra para Escolas é, de facto, uma secção muito relevante da KINO. Este ano, apresentamos três filmes muito recentes dedicados ao público jovem, entre outros o filme de sucesso nos cinemas alemães “Fack ju Göhte!”. Dito isto, este ano é um momento de uma reestruturação conceitual da Mostra para Escolas e pretendemos voltar a intensificar o programa para o nosso público jovem nas próximas edições.

C7A:  Voltaremos a ter o Kino no próximo ano?

CL: Sem dúvida!