Depois da excelente aula de história do cinema em “Hugo” (2011), o realizador de filmes sobre mafiosos, Martin Scorsese, conta-nos agora a história de ascensão e queda de um homem de Wall Street que queria cumprir o sonho americano. O que antecedia o trailer do filme acabou por ser algo completamente diferente. Uma boa surpresa. “O Lobo de Wall Street” revelou-se uma das melhores comédias dos últimos anos. De chorar a rir!

Escrito por Terrence Winter (argumentista de “Boardwalk Empire”), este filme baseia-se na história verídica de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor de Nova Iorque que, na década de 90, construiu um império milionário à custa de fraudes de investimento e de lavagem de dinheiro. Depois de ter cumprido 22 meses de pena, lançou um livro (com o mesmo nome que o filme) onde expoe as suas memórias da vida profissional e pessoal desses tempos de ascensão e decadência.

A narrativa não é inovadora, mas não deixa de ser um bom argumento, com excelentes diálogos. Existe um uso excessivo de calão, ou seja, os diálogos contem uma linguagem um pouco grosseira, o que lembra um pouco o “Goodfellas”. O mundo aqui representado é real e nem sempre visto no cinema. Um mundo onde o abuso de sexo, drogas e álcool abunda bastante. Os temas aqui bulidos são recentes e continuam a ser atuais.

Apesar das três horas de filme, a história desenrola-se a um ritmo selvagem, louco. A forma como esta história nos é contada representa muito bem o estilo de vida que Belfort e os seus amigos levavam. Daí o filme ser bastante agressivo e em algumas cenas explicito em relação à nudez e aos efeitos que as drogas tinham. O que é original nisto tudo é que Scorsese não mostra logo tudo ao espectador. Não revela nunca a totalidade da ideia. A cena nunca é logo revelada na sua totalidade, pelo que mais tarde ele regressa a essa cena para a fechar de vez.

É nas cenas onde a comédia física esta mais presente que percebemos o génio de Scorsese de DiCaprio. Mas sobretudo do primeiro, que tendo uma vasta bagagem visual de conhecimentos cinematográficos, consegue um quase total domínio das capacidades de criar comédia, de fazer rir o espectador, sem facilitismos. Destaco as seguintes cenas que exemplificam isso mesmo: a cena do primeiro dia de Jordan Belfort em Wall Street, em que o seu chefe faz um cântico tribal; a cena do efeito das drogas, em que os músculos de Jordam ficam paralisados e este tenta chegar a casa naquela condição, praticamente rastejando; ou a cena em que o seu veleiro de 50 metros afunda-se devido a uma enorme tempestade.

A dupla Scorsese e DiCaprio volta a brilhar, nesta que é a quinta parceria entre esta dupla do cinema, desde “Gangs de Nova Iorque” (2002). Leonardo DiCaprio tem aqui um dos seus melhores desempenhos de sempre. É bastante convincente no papel desta personagem que é veridica e que, tal como acontece em “Goodfellas”, ambiciona subir a nível social e económico.

A realização de Scorsese continua a ser brilhante, mas esta não é das suas melhores obras, longe disso. Mas não deixa de ser um interessante filme e uma história louca e hilariante que merece ser conhecida. “O Lobo de Wall Street” é acima de tudo uma boa e hilariante surpresa.

Realização: Martin Scorsese

Argumento: Terence Winter

Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, P.J. Byrne, Jon Favreau, Matthew McConaughey, Spike Jonze, Rob Reiner, Jon Bernthal, Jean Dujardin

EUA/2013 – Biografia/Comédia

Sinopse: A história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort. Do sonho americano à ganância empresarial. Belfort passa de ações de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua gigantesca fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título “O Lobo de Wall Street”.

«O Lobo de Wall Street» - Ascensão e queda em Wall Street
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