Tenho que dizer que, exceptuando um ou outro filme, nunca fui um fã do Woody Allen, principalmente nos filmes que ele tem lançado nesta ultima década, mas “Meia-Noite em Paris” com a sua premissa cativou-me ainda antes de ver qualquer tipo de imagem do filme, de tal forma que com grande expectativa me lancei para o cinema mal o filme entrou em exibição no nosso país. E ainda bem que o fiz! posso dizer que foi dos filmes que mais gozo me deu ver no cinema recentemente, fazendo mesmo crescer o meu até então tépido interesse no cineasta.

Não foi difícil contudo dar por mim a pensar durante os minutos iniciais do filme que estava perante mais hora e meia do típico filme do Woody Allen, o que me deixava um bocado hesitante em relação ao que estava para vir. Mas no entanto, à medida que os minutos foram passando e tanto a trama como as personagens se foram abrindo, o filme desabrochou  em algo que me deixou extremamente satisfeito. Sim, é verdade que “Meia Noite em Paris” não deixa de ser mais um dos filmes típicos do senhor Allen, afinal de contas todos os seus filmes não são mais do que pretextos para ele extravasar as suas opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, mas desta vez ele faz-lho de uma forma, digamos que, “mais inspirada” do que a generalidade dos seus últimos filmes têm sido.

Quase toda a gente tem um período histórico favorito, e ao que parece tanto eu como o senhor Woody Allen partilhamos de opinião no que toca aos anos 20. “Meia Noite em Paris” é então um filme catalogado no género de fantasia (embora feito de forma a não o parecer) que nos faz viajar entre 2010 e 1920 e explorar o porquê de por vezes criar-mos todo um sentimento nostálgico e idealizado  de uma época que consideramos como A época certa para se viver, em detrimento do aparentemente desinteressante Presente que temos. Allen aborda o lado romântico da nostalgia e do existencialismo neste filme, escolhendo para isso a cidade mais romântica e estranhamente nostálgica do velho continente: Paris. E com uma belíssima banda sonora a acompanhar.

E comecemos então por Paris: É impossível não deixar de admirar a cidade que serve como plano de fundo e até mesmo, até certo ponto, de personagem secundária, sempre a empurrar as personagens para onde elas devem ir e fazendo avançar a trama de forma simples e limpa, sem qualquer tipo de falha maior. É afinal de contas graças à visão romântica que o realizador tem desta cidade, declamado neste filme pela interpretação de Owen Wilson numa personagem que feita uns anos antes e teria sido desempenhada de certeza pelo próprio Woody Allen, que algumas mais melhores sequências do filme acontecem, bem como alguns dos melhores diálogos que o senhor Allen escreveu desde “Manhatan Murder Mystery”, no já longínquo ano de 1993. A interpretação dos actores também é bastante sólida. Owen Wilson está bastante bem no papel de Gil Pender, conseguindo captar todos aqueles tiques e manias a que Woody nos habituou na generalidade das suas personagens principais, sendo ainda capaz de acrescentar um certo charme á personagem, bem como o ar de irremediável romântico  que tanto condiz com o filme. O resto do elenco, constituído por Marion Cotilliard (Adriana), Rachel McAdams (Inez), Corey Stoll (Ernest Hemingway), Kathy Bates  (“Gertrude Stein”) e Adrien Brody (Salvador Dalí) é também parte integrante da grande força e carisma deste filme.

“Meia Noite em Paris” é o filme ideal para o inicio de Outono e para o relaxante período pós-Blockbuster de Verão. Um filme bem ao estilo do melhor que Woody Allen sabe fazer, entrando directamente para a categoria de um dos melhores do realizador. Faz-nos rir quando é preciso enquanto nos dá uma pequena lição ética/moral acerca da forma de como encaramos a vida (embora não o faça de forma enfadonha, e o publico agradece por isso) fazendo com que quando os créditos finais comecem a rolar nos sintamos satisfeitos com o que vimos. E no final de contas é isto que se pretende de um bom filme.

Realização: Woody Allen

Argumento: Woody Allen

Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Kathy Bates, Rachel McAdams, Marion Cotilliard

EUA/2011 – Comédia

Sinopse: Comédia de Woody Allen que decorre em Paris e conta a história de uma família que viaja até lá em negócios, e de um casal, prestes a casar, que durante a sua estadia vai viver um conjunto de experiências que lhes muda a vida. É ainda a história do amor de um jovem pela cidade de Paris, e da ilusão, que quase todos partilhamos, de que a vida dos outros é sempre melhor do que a nossa. Meia-Noite em Paris é o postal de namorados de Allen à cidade da Luz, uma cidade que ele coloca, em estima, ao nível de Nova Iorque.

«Meia-Noite em Paris» – Um pouco de nostalgia romântica
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