A quinta e última das sessões da Competição de Curtas da #MONSTRAemCASA é constituída por 9 curtas-metragens. Estas são:

Sou Um Lobo?, de Amir Houshang Moein (8’/Irão/2019)

Em “Sou Um Lobo?” um conjunto de crianças teatraliza a história de “O Lobo e os Sete Cabritinhos” numa peça de teatro escolar. O filme começa a focar-se cada vez mais na peça de teatro, usando a animação para dar um tom realista à peça que vai sendo apresentada, onde a barreira entre a realidade e a atuação vai sendo apagada gradualmente. As crianças começam a identificar-se tanto com os seus papéis que essa barreira eventualmente deixa de existir. Esta bela curta é baseada nos livros de poesia para crianças do escritor Iraniano Afsaneh Shaban-nejad.

Nota: 3/5

Cosmonauta, de Kaspar Jancis (12’/Estónia/2019)

“Cosmonauta” retrata a história de um ex-astronauta, já idoso, que vive em casa da família da filha e começa a apresentar-se um grande fardo para todos. A principal razão é o facto de que esse velho, começando a perder a noção da realidade, vive os seus dias no seu apartamento tal como se vivesse na estação espacial, onde passou grande parte da sua vida. Tal como antes, passa grande parte do tempo a olhar para a foto da sua mulher e filha, ansiando por regressar a casa e usa o aquário do peixe como capacete do fato, para grande aborrecimento dos restantes membros da família. É uma pequena história de um homem que cedo decidiu que queria ser astronauta até ao fim dos seus dias, custe isso o que custar.

Nota: 4/5

Prazer de Linz, de Maya Yonesho (3’/Áustria e Japão/2019)

Algo importante a mencionar nesta última sessão da Competição de Curtas é a enorme variedade de instrumentos usados para criar a animação das curtas-metragens. “Prazer de Linz” deverá ser a curta mais criativa nesse aspeto. Usando como pano de fundo a cidade de Linz, na Áustria, o filme consiste num conjunto de fotografias da cidade, usando em cada uma um pequeno desenho que complementa a fotografia. O resultado final é algo hilariante e um regalo para a vista.

Nota: 3/5

A Última Ceia, de Piotr Dumała (13’/Polónia/2019)

“A Última Ceia” é a mais recente curta-metragem de Piotr Dumała. Este realizador, já com uma longa carreira na animação, é conhecido pelo seu estilo de animação destrutiva, em que usa placas de gesso como base e remove a pintura para criar os seus frames. “A Última Ceia” é mais um exemplo dessa técnica. Descrito como um drama baseado num grupo de homens sentados à volta de uma mesa, baseia-se no quadro homónimo de Leonardo Da Vinci, usando a pintura como base, em conjunto com a banda sonora. A pintura é transformada numa imagem em movimento, onde os apóstolos dançam e se movimentam ao som da música, criando a ideia de unidade entre estas duas artes.

Nota: 4/5

Não Sei o Quê, de Thomas Renoldner (8’/Áustria/2019)

“Não Sei o Quê” deixará dúvidas no espectador de estar presente num festival de animação. Mas, não só pelo título, como pelas palavras do protagonista “eu não sei o que estou a fazer, estou só a experimentar” avisa-o desde logo, para que o espectador saiba que está presente a ver algo diferente daquilo a que possa estar habituado. Usando imagem real, esta é editada de maneira a tornar-se abstrata e surreal. A linguagem é transformada em música e a imagem é transformada numa fantasia.

Nota: 4/5

Medo, de Luísa Bacelar (3’/Brasil/2019)

“Medo” é uma das curtas-metragens com menor duração da competição, mas nem por isso deixa de ser uma das mais impactantes. Extremamente direta ao assunto, faz o paralelo entre dois momentos da vida da personagem principal. Embora não dê informações muito diretas ao espectador para que este possa fazer uma análise extensiva, nota-se que, embora muito distintos, esses momentos são de grande importância para a personagem, mostrando um sentimento que pode ser interpretado tanto como meditativo ou de desespero. Estes dois momentos são quase literalmente unidos, numa belíssima cena final.

Nota: 4/5

Purpleboy, de Alexandre Siqueira (14’/Bélgica, França e Portugal/2019)

A última das produções nacionais presentes na competição, “Purpleboy” foi uma das curtas premiadas no mais recente festival de Curtas de Vila do Conde e um dos nomeados a par de “Tio Tomás” para os Annie Awards de melhor curta-metragem. Retrata o nascimento de Oscar, uma criança que ninguém sabe se é menino ou menina, por ter nascido no jardim e o seu corpo estar a desenvolver-se debaixo da terra. Apesar de se identificar como rapaz desde cedo, um dia decide sair da terra e descobre que tem corpo de mulher. “Purpleboy” usa o poder da animação e do cinema para perguntar: “mas será que isso interessa?”

Nota: 5/5

Freeze Frame, de Soetkin Verstegen (5’/Bélgica e Alemanha/2019)

Um filme não é mais do que um conjunto de frames soltos que, dada a rapidez com que é feita a transição, transmitem a noção de serem parte de um movimento contínuo. O que é interessante de notar em “Freeze Frame” é como esta curta brinca com a materialização do cinema, usando cubos de gelo como metáfora para essas peças a que chamamos frames. No gelo podem ser preservados registos de diversas manifestações da Natureza, como espécies já extintas, ou marcas da sua atividade. De certa forma, o cinema também é isso, é pegar num acontecimento que pode ser efémero e registá-lo, seja em película ou em formato digital. Ao contrário do gelo, que quando derretido perde aquilo que o caracteriza, no cinema só quando todas as peças se unem entre si, se “derretem”, é que se pode dizer que existe um filme.

Nota: 5/5

A Minha Geração, de Ludovic Houplain (8’/França/2019)

Na sua descrição, “A Minha Geração” menciona a frase de Bob Iger: “Hitler teria adorado redes sociais”. Este filme de animação é uma viagem literal numa estrada sem fim que usa a cultura pop como fundo e atravessa diversas zonas, como a música, política, religião, desporto ou das redes sociais. Usando como “banda sonora” famosos discursos políticos, convida o espectador a pousar o telemóvel e a participar nesta caracterização dos dias de hoje, sugerindo no final qual o cenário futuro para o caso de nada mudar.

Nota: 4/5