«A Mulher de Ferro» – Para Meryl até parece fácil

A realizadora de “Mamma Mia” (2008), Phyllida Lloyd, apresenta-nos, na sua segunda longa-metragem, “A Dama de Ferro”, uma tentativa de humanizar uma das figuras políticas mais polémicas dos anos 80 e 90, Margaret Thatcher. Este filme não se foca apenas em contar a vida e obra da Thatcher, mas sim em criar uma visão femininista desta mulher. Pode-se dizer que é um filme de mulheres, feito por mulheres.

Eeste drama biográfico passa-se no presente com uma Tatcher (Meryl Streep), muito frágil e bastante velha, que vive sozinha na sua casa cheia de recordações do passado. É entre flashbacks do presente para o passado que conhecemos a primeira e única mulher a assumir a chefia do Governo britânico, cargo que manteve entre 1979 e 1990, a “Dama de Ferro”.

A argumentista de “Shame” (2011), Abi Morgan, cria um argumento mediano, usando alguns clichés deste tipo de filmes, como o uso de flashbacks e imagens de arquivo. Podemos facilmente comparar este filme com outro do mesmo género, o biopic de J.Edgar, realizado por Clint Eastwood. Ambos os filmes são tentativas de humanizar duas personalidades políticas bastante polémicas e com ideais conservadores.

O filme não pretende contar todo o trajecto da carreira política de Thatcher, mas apenas mostrar o lado heroico e femeninista dela. Esta visão mostra-nos uma mulher que se recusava a ficar em casa a fazer tricô, uma mulher que liderava guerras, uma mulher no meio de uma classe política dominada exclusivamente por homens, uma mulher que governava um país instável a nível económico.

“A Dama de Ferro” não tem uma má realização, mas também não surpreende nem encanta ninguém. O elenco secundário é bom, tal como a caracterização da personagem de Meryl, que a torna tal igual à Tatcher. Meryl Streep tem aqui um dos seus melhores desempenhos de sempre, parecendo até fácil de mais. Meryl consegue de corpo e alma reencarnar Tatcher, até nos tiques, expressões, no andar, no falar, em tudo! Já ninguém duvida das capacidades desta atriz, que já venceu dois Óscares (Melhor Atriz e Melhor Atriz Secundária) e recebeu quinze nomeações. É sem dúvida uma das melhores carreiras que já se viu. Meryl não tem que nos provar mais nada, no entanto ela continua a surpreender-nos e a maravilhar-nos em cada filme que entra. Esta interpretação já lhe valeu a sua 16ª indicação para um Óscar, tendo já ganho um BAFTA, um Globo de Ouro e foi reconhecida pelos Críticos de Nova Iorque. “É apontada como a favorita ao Óscar e, embora sem dúvida nenhuma o mereça, tem uma forte concorrente, Viola Davis.

Este é um daqueles filmes em que a interpretação do protagonista é tudo e o resto é nada. Ou seja, provavelmente se não tivesse Meryl Streep o filme não sobreviveria, ou pelo menos não seria tão falado. Valeu pela soberba interpretação e pela história em si.

Realização: Phyllida Lloyd

Argumento: Abi Morgan

Elenco: Meryl Streep

EUA/2011 – Biografia

Sinopse: Margaret Thatcher, a antiga Primeiro-Ministro, agora octogenária, está a tomar o pequeno-almoço na sua casa de Chester Square, em Londres. Apesar do seu marido, Denis, ter falecido há já alguns anos, a sua decisão de se ver livre finalmente do seu guarda-roupa desencadeou uma sucessão de memórias. Na realidade, quando ela se prepara para mais um dia, Denis aparece-lhe tão real como quando estava vivo – leal, adorável, travesso. O staff de Margaret expressa a sua preocupação a Carol Thatcher sobre a aparente confusão da sua mãe entre passado e presente. A preocupação torna-se mais forte quando, num jantar que oferece essa noite, Margaret recebe bem os seus convidados mas é depois distraída pelas memórias do jantar em que conheceu Denis pela primeira vez, 60 anos antes. Depois do jantar terminar, Margaret retira-se para o seu quarto, mas não consegue dormir. Levanta-se e põe-se a ver alguns filmes caseiros onde vê claramente os sacrifícios que fez na sua vida privada em proveito da sua carreira. No dia a seguir ao jantar, Carol persuade a sua mãe a ir a um médico. Margaret mantém que não há nada de errado com ela. Mas não revela ao medico nada sobre as suas vívidas memórias dos momentos chave da sua vida que a estão a impedir de dormir. De regresso a Chester Square, Margaret luta contra a crescente presença das suas memórias. Empacota todos os pertences de Denis e declara a sua independência – é claro que continuará a ter memórias mas também tem uma vida no presente – uma vida mais modesta que antes, mas mesmo assim uma vida que vale a pena viver.

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