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Embora os movimentos contra a discriminação e assédio sexual “Time’s Up” e “#MeToo” tenham causado uma grande mudança de atitude em relação à igualdade de género em Hollywood, o mais recente relatório da Celluloid Ceiling, feito pelo Center for the Study of Women in Television and Film na Universidade de San Diego, revela que o número de mulheres realizadoras envolvidas nos filmes com maior lucro, face ao ano passado, diminuiu.

Este novo estudo, divulgado pela diretora executiva Dra. Martha Lauzen, revela que a percentagem de mulheres que trabalham como realizadoras, mais especificamente nos 250 principais filmes com maior receita de bilheteira, caiu de 11% em 2017 para 8% em 2018.

A percentagem de mulheres responsáveis pelos 100 primeiros filmes também caiu, estando na casa dos 4% (um declínio de 4 pontos percentuais face ao ano anterior). 15% é a percentagem indicativa na lista dos 500 filmes mais lucrativos (um declínio de 3 pontos percentuais face ao ano anterior).

Em comunicado, a Dra. Martha Lauzen diz que “o estudo não fornece evidências de que a indústria cinematográfica tradicional tenha experimentado a profunda mudança positiva prevista por muitos observadores da indústria no último ano”. Esta salienta que “sem um esforço em larga escala montado pelos principais participantes – estúdios, agências, e associações – é improvável que vejamos mudanças significativas.”

O estudo revelou que apenas 1% dos filmes empregou 10 ou mais mulheres nos principais papéis atrás dos bastidores, em contraste com os 74% dos filmes que empregaram 10 ou mais indivíduos do sexo masculino. De forma mais exata, as mulheres representavam 16% dos escritores, 21% dos produtores executivos, 26% dos produtores, 21% dos editores e 4% dos cineastas que trabalhavam nos 250 filmes.

É de salientar que após a análise das 500 obras mais importantes, constatou-se que “filmes com pelo menos uma realizadora empregam percentagens substancialmente mais altas de escritoras, editoras, cineastas e compositoras comparativamente aos que têm exclusivamente realizadores masculinos. Por exemplo, em filmes com realizadores do sexo feminino, as mulheres representavam 71% dos escritores. Em filmes com realizadores exclusivamente do sexo masculino, as mulheres representavam 13% dos escritores.”

“O que é necessário é uma vontade de mudar – o que significa que o esforço tem de partir dos principais responsáveis, da transparência e de uma definição de metas concretas” disse a Dra. Martha Lauzen.

Uma análise realizada recentemente revela que a relação de obras com realizadoras do sexo feminino e filmes blockbusters aumentou. Prova disso são empresas como a Disney e a Warner Bros. que apostaram em grandes franchisings de sucesso. Exemplos dessa confiança são a Marvel Cinematic Universe (“Capitão Marvel“), a DC Extended Universe (retorno de Patty Jenkins com “Mulher-Maravilha” e “Birds of Prey“, de Cathy Yan) e os contos da Disney com os live-action de “Mulan” e “Frozen 2”.

A Celluloid Ceiling tem monitorizado a taxa de empregabilidade de mulheres nos filmes com elevadas receitas de bilheteira durante os últimos 21 anos, e este é visto como o estudo mais abrangente sobre o emprego do sexo feminino no mundo do cinema.