A versão longa de “O Pão”, de Manoel de Oliveira, recentemente restaurada pela Cinemateca Portuguesa, vai ser apresentada na próxima edição do Festival Il Cinema Ritrovato, organizado pela Cineteca di Bologna entre os dias 22 e 30 de junho de 2019.

O filme de Manoel de Oliveira vai ser apresentado na secção Documents and Documentaries, um programa comissariado pelo diretor da Cinemateca de Bolona, Gian Luca Farinelli, onde serão exibidos documentários sobre diversas figuras do cinema e sobre variados temas, como é o caso de “O Pão”.

O restauro da versão longa de “O Pão” teve origem na digitalização 4K com wet gate de uma cópia de época de 35mm em avançado estado de degradação cromática e na banda de som ótico de um interpositivo de som tirado em 1999. Foi usada como referência para as cores uma cópia de época da versão curta. O restauro digital da imagem e a correção de cor foram feitos pela Cineric Portugal.

“O pão de cada dia obriga a um esforço constante, de que o homem sai dignificado… O ciclo da semente: fecundação, nascimento, recolha, transporte do grão, moagem industrial, panificação moderna; distribuição e consumo do pão; regresso da semente à terra. Um novo ciclo se inicia…”

O filme de Oliveira, documentário que acompanha o “ciclo do pão”, produzido para a Federação Nacional de Industriais de Moagem (FNIM), tem duas versões. A primeira, de 1959, com cerca de uma hora, foi mostrada nesse mesmo ano na Feira das Indústrias Portuguesas, e uma segunda, significativamente mais curta, remontada por Oliveira em 1963, exibida pela primeira vez na Casa da Imprensa, em Lisboa, a 27 de setembro desse ano, a única a estrear comercialmente, em 1966.

“O Pão” foi realizado entre o documentário “O Pintor e a Cidade” (1956) e a longa-metragem “Acto da Primavera” (1963).