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O único filme de Manuela Serra, “O Movimento das Coisas”, estreia finalmente nos cinemas

A produtora The Stone and The Plot anunciou a estreia comercial em sala de cinema da cópia restaurada de “O Movimento das Coisas”, de Manuela Serra. Um documentário poético de 1985 nunca antes estreado, tendo tido exibições pontuais, em 1986, 2004 e 2006.

“O Movimento das Coisas”, o único filme de Manuela Serra, estreia finalmente, passados mais de 30 anos, no dia 17 de junho de 2021 no Cinema Ideal (Lisboa), Cinema Trindade (Porto) e NOS Alma Shopping (Coimbra). Um filme raro no panorama do cinema português, que levou cerca de seis anos a ser produzido.

“O Movimento das Coisas é, simultaneamente, um filme extremamente materialista e extremamente abstracto. Os dois termos não são inconciliáveis. Só que para o não serem é preciso uma determinável visão e é essa visão que dá coerência a este filme disperso e o transforma numa obra una, com surpreendente lógica e surpreendentes rimas. Infelizmente, este filme, nunca estreado comercialmente, não teve sequência e Manuela Serra nunca mais voltou a filmar nestes vinte anos. Até nisso, este filme ficou indefinido e invisível. Entre uma longínqua passagem na Cinemateca há vinte anos, outra em 2004 e a sessão de hoje, quantas vezes mais terá sido exibido? Das múltiplas singularidades do cinema português, este filme e o seu destino são um dos casos mais singulares.” escreveu João Bénard da Costa para a Cinemateca.

Este é um dos “filmes mais curiosos que nas décadas de setenta e oitenta abordaram o universo rural do norte português.”.

Histórias de quotidiano e de silêncio. Em caminhos desertos de vento inquietante numa aldeia do Norte. Há um dia de trabalho atravessado por três famílias: quatro velhas, o campo, o pão, as galinhas, e, a lembrar-nos, clareiras de histórias velhíssimas de gestos saboreados em mineralógicas palavras. Uma família de dez filhos numa quinta mergulha na largueza do tempo, no gesto todo do trabalho, o pai corta uma árvore. Mais longe, a água do rio habitado por gente, numa barca, o sol, e o largo da aldeia, a ponte em construção, a varanda, a refeição, a densidade e o misticismo ao domingo, a missa e a feira: ritualizada ao sábado. Nestes fragmentos de cenário, move-se Isabel, também, com os olhos postos no futuro, para lá dos outros em que o sentido da vida é apenas viver. O tempo atravessa o nascer e o pôr-do-sol. É um respirar a vida, usando o campo como meio numa aldeia do Norte, de gestos antiquíssimos e pousados.

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